terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Blogosferando - 68



"Isto sim é um Governo de Direita:


"O ministro da Justiça espanhol, Alberto Ruiz-Gallardón, confirmou hoje que a reforma da lei do aborto significa o final do modelo de prazos (actualmente a mulher pode abortar livremente até às 14 semanas de gestação) e o regresso ao sistema anterior, baseado em três pressupostos: violação, malformação do feto ou risco para a saúde da mulher".

Espero que a outra lei fracturante também seja revertida. A bem da humanidade."


O Ionline titula: "Espanha altera lei do aborto e retrocede mais de um quarto de século".
Retrocede? Defender a vida é "retroceder"?

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Os Descendentes

Um drama. Uma traição. Uma morte anunciada. Um homem à procura de si mesmo. Uma adolescente adulta. Um adolescente com ares de parvalhão como muitos outros. Uma criança birrenta. As paisagens havaianas. E as respectivas camisas.
Basicamente é esta a história de Os Descendentes, filme nomeado para os Óscares não sei bem por que.

Ultimamente tenho ido pouco ao cinema, mas este não parece ser um filme para merecer a estatueta dourada.
O cenário não encaixa com o drama, se bem que as tragédias não sejam desconhecidas em paraísos. Mas há neste filme qualquer coisa que destoa.
Clooney não surpreende, por vezes não convence. Por exemplo, quando a filha adolescente lhe revela que a mãe tinha um caso com um tipo qualquer.
De todas as personagens que passeiam no filme, a mais densa é precisamente essa filha adolescente (papel desempenhado por Shailene Woodley). O resto é muito fraco.

Ah... quem classifica este filme de comédia (?) dramática não deve ter visto um minuto de filme.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Alegado jornalismo político


O Público de hoje faz capa e dedica uma página à alegada discordância entre Belém e o  pelo Governo quanto às finanças.
Lemos o texto e temos o seguinte:
- se aquilo é uma notícia, qualquer comentador de café é jornalista. Fontes anónimas? Artigo de opinião? Aquele texto é mesmo o quê?! Jornalismo não é certamente.
- não há um único nome de nenhum dos "cavaquistas" que criticam a política seguida por Vítor Gaspar;
- quem está a "dar cabo" do modelo económico e social construído após o 25 de Abril não é este Governo. Se os governos anteriores - com o empenho especial do de Sócrates - tivessem seguido políticas decentes, não estaríamos nesta situação de bancarrota para a qual é necessário deitar mão a políticas dramáticas. Haja muito Vítor Gaspar para pôr as contas em ordem.
- em Portugal, quem define a política a seguir é o governo emanado do Parlamento eleito pelos portugueses, não é o PR nem os comentadores-críticos de serviço;
- o país já têm problemas que cheguem para alegadamente se criarem alegados atritos entre Belém e São Bento.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Campanha Merkozy

Com as eleições presidenciais francesas agendadas para a primavera, Angela Merkel decidiu participar na campanha de Sarkozy.
Com as sondagens a não serem muito favoráveis para o actual presidente francês, em caso de derrota, isso deixará de ser interpretado como um tiro no porta-aviões europeu.

CGTP PCP

Que a CGTP era um braço do PCP já se sabia.
Com o discurso de encerramento de Arménio Carlos, a CGTP parecia mesmo um comício do PCP.

Os sindicatos são fundamentais na sociedade e no mundo do trabalho. Mas não devem ser um instrumento partidário.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Feriados


Agora falta a confirmação dos feriados religiosos que vão à vida.

Quanto aos civis, tendo em conta as respectivas cargas históricas, preferia que se abdicasse do 10 de Junho em vez do 1 de Dezembro, e celebrar Portugal no dia da Restauração da independência.
Mas consta que no 10 de Junho o tempo costuma estar melhor...

Curioso que, perante este anúncio dos dois feriados civis, toda a gente protesta pelo fim do 5 de Outubro (um feriado de regime) e ninguém reclama pelo 1 de Dezembro (um feriado da nação).
Mas eu é que sou reaccionário...

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

O som e o silêncio

"Quando palavra e silêncio se excluem mutuamente, a comunicação deteriora-se, porque provoca um certo aturdimento ou, no caso contrário, cria um clima de indiferença; quando, porém se integram reciprocamente, a comunicação ganha valor e significado.


O silêncio é parte integrante da comunicação e, sem ele, não há palavras densas de conteúdo. No silêncio, escutamo-nos e conhecemo-nos melhor a nós mesmos, nasce e aprofunda-se o pensamento, compreendemos com maior clareza o que queremos dizer ou aquilo que ouvimos do outro, discernimos como exprimir-nos."


terça-feira, 24 de janeiro de 2012

E é isto...

A polémica pelas patéticas declarações de Cavaco Silva continua.


Recuando um ano, à data da sua reeleição, convém recordar as alternativas:



Entretanto, no mesmo planeta acontecem coisas realmente importantes e perigosas:

"1 - "Reino Unido admite reforçar meios militares no Estreito de Ormuz"
2 - Irão reforça ameaça de fechar Estreito de Ormuz após novas sanções
3 - Romney: Irão cometerá "acto de guerra" se fechar Estreito de Ormuz
4 - Austrália embarga petróleo do Irão
5 - Navios de Guerra dos EUA, França e Grã-Bretanha cruzam estreito de Ormuz

Assim vai o mundo, quiçá se não está à beira de uma guerra mundial, e os maluquinhos dos portugueses discutem as despesas e as pensões de Cavaco Silva, o pastel de nata do Ministro da Economia, e por aí fora..."

sábado, 21 de janeiro de 2012

A carteira presidencial


Antes de ser PR, as pensões recebidas rondavam os 10.000€ por mês... 
Como PR, renunciou ao vencimento respectivo, preferindo receber as pensões...

Acho que em Portugal os políticos são mal pagos (um director médio de uma empresa qualquer recebe mais do que um ministro), mas esta declaração de Cavaco Silva é despropositada e é uma meia verdade. 
E, como sabemos, por vezes uma meia verdade é uma grande mentira.

Declarações destas são uma vergonha. Ofensivas para quem recebe por mês duas ou três centenas de euros a título de pensões. 
São ainda uma falta de respeito para quem trabalha e cujo vencimento mensal anda bem abaixo dos famigerados 1.000€.

Parece que os segundos mandatos fazem mal aos presidentes: os disparates aumentam exponencialmente.

Uma monarquia era capaz de ser mais ponderada e de demonstrar melhor bom senso.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Blogosferando - 67



"Ouvi hoje no rádio, ainda meio a dormir. Podia ter percebido mal por isso, mas é demasiado verosímil para não ser verdade. Dos dois feriados civis que se aventava que o Governo iria eliminar, por contraponto a dois religiosos, um seria o 5 de Outubro. Seria, mas ao que parece não será. O 1º de Dezembro, sim, pode suprimir-se, porque, suponho, já não será vivo nenhum dos conjurados de 1640. Sou republicano (relutante, acrescenta o João Távora). Mas não aceito que na escala de valores destes deslumbrados de esquerda e direita que nos governam, a libertação da ocupação estrangeira seja menos relevante e digna de celebração que a «libertação» de um monarquia constitucional, leia-se, democrática, logo substituída por um regime protoditatorial sanguinário e ruinoso para o País. A fractura não é hoje entre esquerda e direita. É entre patriotas e vendidos. Ou entre cultos e ignaros. Entre gente com espinha e oportunistas plebiscitados."

Absolutamente de acordo!

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Incompreendida metáfora

Há alguns dias andou para aí uma polémica devido ao ministro Álvaro Santos Pereira ter sugerido que se exportassem pastéis de nata.

Excluindo a escandaleira das virgens púdicas e das oposições, e uma vez que Portugal não tem foguetões nem energia nuclear para exportar, o que é que o país vai vender lá para fora? Ora bem, deve vender o que tem.
Santos Pereira disse isto: "Temos falhado na internacionalização dos nossos produtos. Nos dias de hoje, em que assistimos à maior crise das últimas décadas, é preciso encontrar caminhos para ultrapassar esta situação, e um dos caminhos passa pela aposta nos nossos produtos."
A este comentário meridiano, que qualquer português com dois dedos de testa deveria compreender e incentivar, acrescentou, com sorriso metafórico, que tínhamos os pastéis de nata e o frango do churrasco do Nando's.

Ao mesmo tempo que andam para aí ofendidos com esta metáfora do ministro, a economia paralela já representa 25% do PIB. Um quarto da nossa riqueza!
Na notícia que vi na televisão sobre esta barbaridade, os responsáveis do estudo referiam que se isto fosse devidamente declarado o défice em 2010 teria ficado ligeiramente abaixo dos 3%, e não nos quase 9%.
Uma parte da responsabilidade pela situação em que o país está é obviamente da nossa sociedade. Não são só "eles" que roubam...

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Novo e luminoso

"Sê quem és, hoje. Pode não conferir com o teu passado. Não faz mal. Estamos na era da mudança. Até um dia em que acordes, olhes ao espelho e vejas o ser absolutamente luminoso em que te tornaste."

Alexandra Solnado

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Alimentação poupadinha

Depois do que escrevi ontem sobre alimentação, hoje temos esta novidade: o subsídio de refeição cujo valor diário seja superior a 5,12€ passa a estar sujeito a IRS e segurança social.
Se até 2012 era possível ter um subsídio de refeição mensal de 141,02€ (6,41€ x 22 dias) isento de tributação, agora o limite desce para 112,64€ (5,12€ x 22 dias). Ou seja, a parcela de valor superior aos 5,12€/dia paga.

Subsídio de Refeição
2011
2012
Valor Base
4.27€
4.27€
Valor Limite
6.41€
5.12€
Valor Limite com Vale de Refeição
7.26€
6.83€


A liquidez salarial dos trabalhadores agradece. São menos uns euros a irem para casa no fim do mês.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Aumentos

No restaurante-tasca onde costumo almoçar, até ao ano passado, conseguia os seguintes valores:
- sopa: 1,10€
- mini-prato: 3,90€.
Com 5€ ficava satisfeito. 
Num ou noutro dia, raro, ainda ia uma sobremesa, também a 1,10€. O café, se me apetecesse, ficava nos 0,55€.

Chegados a 2012, com a mudança da taxa de IVA na restauração de 13% para 23%, um almoço passa a custar:
- sopa: 1,29€
- mini-prato: 4,29€.
Ou seja, para comer a mesma coisa tenho de pagar mais 0,58€.
Trocado em miúdos, um simpático aumento de 11%. Com o preciosismo (truque?) dos valores ficarem nos 9 cêntimos...

Claro que os restaurantes não podem suportar os aumentos de impostos. Tal como as empresas. Tal como todos os que conseguem repercutir os seus custos no consumidor final.
O consumidor final, por sinal o elo mais fraco da cadeia, é que paga tudo. Porque ele pode. Os outros é que não.

Só para chatear: um concerto, uma peça de teatro ou outra actividade cultural, como são cultura, pagam 13% de IVA (em vez da alteração inicialmente prevista de 6% para 23%). A alimentação, como é desnecessária e sumptuária, paga 23%.
A lógica é uma batata.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Está mal!

Depois da pouca vergonha que foi o consulado de Sócrates com a ligação directa entre política e economia, o actual governo, cujos partidos criticaram duramente a prática rosa, fazem o mesmo.
Mas que pouca vergonha é esta?!

Eduardo Catroga, Celeste Cardona, Paulo Teixeira Pinto, Rocha Vieira, Braga de Macedo e Ilídio Pinho são alguns dos nomes propostos à Assembleia Geral de Accionistas para integrar o Conselho de Supervisão da EDP.


Votei nestes senhores para porem ordem na balbúrdia reinante e acabarem com o compadrio político e empresarial. Depois do episódio com Nogueira Leite para a CGD e desta cena para a EDP, falta o quê? 
Já agora, se venderam mais uma parcela da EDP aos chineses, como é que metem lá um "conselho de supervisão"?
Com os sacrifícios que é necessário fazer devido ao estado calamitoso em que o país está (graças ao particular empenho do governo Sócrates), a autoridade e o respeito de um governo ganha-se em cada decisão. Ninguém tolerará jeitinhos quando se pedem sacrifícios permanentes a quem trabalha e paga impostos.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Sentenças - 25

«O credo no mercado é que fez isto. Colocaram o preço das coisas e esqueceram-se de acrescentar sabedoria à sociedade de informação. Houve modificações que substituíram os valores estruturantes das sociedades civis ocidentais (…) O Estado Social está em perigo e anda a ser substituído pela responsabilidade social das empresas».

ADRIANO MOREIRA, antigo ministro de Salazar, ex-líder do CDS, professor e investigador, actual presidente da Academia das Ciências, à Visão.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Novidade na blogosfera

Está aí O Ouriço.


O blogue que pica. 
Ou que faz cócegas.

Jerónimo Martins - a falsa questão

A decisão da Jerónimo Martins está a gerar polémica e andam a discutir-se questões laterais. 
A SIC Notícias, às 22h, debateu a questão com um fiscalista e Pedro Santos Guerreiro, director do Jornal de Negócios.
Para ajudar a esclarecer, temos hoje este editorial do Jornal de Negócios:

"Estamos saturados de manhosos, desconfiados de moralistas, estamos sem ídolos, sem heróis, estamos encandeados pelos faróis dos que saltam para o lado do bem para escapar à turba contra o mal. Quando apanhamos, abocanhamos. Estraçalhamos. Somos uma multidão furiosa. Às vezes, erramos. A família Soares dos Santos não está a fugir aos impostos. Mesmo se vai fugir ao País. 



Só há um antídoto contra a especulação: a informação. É assustador ver tanta opinião instantânea sobre o que se desconhece. A sede de vingança tomou o lugar da fome de justiça. O problema não está na rua, nas redes sociais, nas esquinas dos desempregados. Está em quem tem a obrigação de saber do que fala. Do Parlamento, de Ana Gomes, de António Capucho, dos que pedem boicotes ao Pingo Doce(para comprar onde, já agora? No Continente da Sonae que tem praças na Holanda? No Lidl, que as tem na Alemanha?).

A decisão da família Soares dos Santos pode ser criticada mas não pelas razões que ontem se ouviu. A Jerónimo Martins não vai pagar menos impostos. E a família que a controla também não - até porque já pagava poucos.

Uma empresa tem lucro e paga IRC; depois distribui lucro pelos accionistas, que pagam IRC (se forem empresas) ou IRS (se forem particulares). Neste caso, a Jerónimo continua a pagar o mesmo IRC em Portugal (e na Polónia); o seu accionista de controlo, a "holding" da família Soares dos Santos, transferiu-se para a Holanda. Por ter mais de 10% da Jerónimo, essa "holding" não pagava cá imposto sobre os dividendos e continuará a não pagar lá. Já quando essa "holding" paga aos membros da família, cada um pagaria 25% de IRS cá - e pagará 25% lá. Com uma diferença: 10% são para a Holanda, 15% para Portugal.

Porque tomou a família uma decisão que, sendo neutra para si, prejudica o Estado português? Pela estabilidade e eficácia fiscal de lá, que bate a portuguesa. Pelo acesso a financiamento, impossível cá. E porque a família tem planos de crescimento que não incluem Portugal. 

Aqueles que se escandalizaram ontem deviam ter-se comovido também quando, há um par de meses (como aqui foi escrito), a Jerónimo anunciou como iria investir 800 milhões de euros em 2012: 400 milhões da Colômbia, 300 na Polónia... e 100 milhões em Portugal. Isto sim, é sair de Portugal. E quando a Jerónimo investir na Colômbia, provavelmente vai fazê-lo também através da Holanda, onde se paga menos. Estes são problemas diferentes dos que ontem foram enunciados: a falta de atracção de investimento de Portugal; e a instabilidade fiscal, que muda leis como quem muda de camisa, afastando o capital.

A família Espírito Santo tem sede no Luxemburgo. Belmiro lançou a OPA à PT a partir do Holanda. O investimento estrangeiro é feito de fora. Isabel dos Santos investe na Zon a partir de Malta. Queiroz Pereira tem os activos estrangeiros separados de Portugal. António Mota desabafa há dias que pode ter de criar uma sede fora de Portugal só para que a banca lhe empreste dinheiro. E a família Soares dos Santos tem um plano que não nos contou mas que ainda nos vai surpreender - feito com bancos estrangeiros e a partir da Holanda, que é uma plataforma fiscal mais favorável à internacionalização para fora do espaço europeu, uma vez que não há dupla tributação da Holanda para e do resto do mundo.

O que custa a engolir não é que Soares dos Santos tenha cortado o passado com Portugal, esse mantém-no e continua a pagar impostos. É que tenha cortado o futuro. É que tenha decidido investir fora daqui porque aqui não tem por onde crescer, para procurar lucros fora de Portugal, criar postos de trabalho fora de Portugal e, então sim, pagar impostos desse futuro fora de Portugal. Pensando bem, esse é um grande problema e é um problema nosso. Mas investir fora do País não é traição. É apenas desistir dele. E a Jerónimo já partiu para a Polónia há muitos, muitos anos - ou ninguém reparou?"

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Pormenores

Basta alterar alguns pormenores em casa, mudar algumas coisas de sítio, retirar outras, colocar ainda algo novo, para ter uma sensação de novidade só de olhar.

Blogosferando - 66



"Parece que anda tudo um bocado preocupado com o que se passa com a Hungria. Claro está que a preocupação decorre porque em Budapeste há um governo de direita, conservador, que ao abrigo dos 2/3 que dispõe no Parlamento, mudou a Constituição e impôs algumas regras novas.

Percebo que ,para os paladinos do politicamente correcto, que normalmente são de esquerda, algumas destas novas medidas possam fazer confusão. Mas o que de tão grave o Governo o do partido Fidesz fez: mudou a designação de “República da Hungria” para “Hungria”; inscreveu na Lei Fundamental a frase “Deus abençoe os húngaros”; quer criminalizar os socialistas (herdeiros do antigo Partido Comunista Húngaro) e fazer uma investigação aos crimes cometidos durante as décadas de socialismo; excluiu a qualquer possibilidade de reconhecimento de casamentos homossexuais e a Constituição passa a consignar a defesa da vida humana desde o embrião, impedindo a legalização do aborto.

A União Europeia já mostrou a sua preocupação, os EUA também e já se fala em perseguições aos jornalistas e aos media e, helás, a nomeação de pessoas de confiança do primeiro-ministro húngaro Viktor Orban, para altos cargos do Estado. Mas não é suposto um Governo fazer isso? Escolher pessoas da sua confiança?

Quem critica neste momento as autoridades de Budapeste são os mesmos que se calaram quando alguns países da Europa legalizaram o aborto e as uniões homossexuais, quando a Espanha – que teve uma transição quase serena da ditadura para a democracia – desenterrou o fantasma dos crimes do franquismo. Ironicamente são também os mesmos que encaram com uma enorme naturalidade que a religião e as referências a Deus estejam presente nos discursos dos candidatos presidenciais norte-americanos e omnipresente na Casa Branca sem que isso se traduza no surgimento de um qualquer IV Reich para os lados de Washington.

Vou condescender e dizer que até pode haver algumas razões para preocupação e que a tentação totalitária poderá fazer o seu caminho entre as autoridades de Budapeste. Mas onde estavam e onde estão estas mesmas pessoas e instituições quando a Venezuela e a Rússia, apenas para citar dois exemplos mais mediáticos, começaram paulatinamente a suprimir a democracia? Onde está esta gente que, sistematicamente, fecha os olhos às particularidades chinesas e ao abuso sucessivo e sistemático deste regime aos Direitos Humanos fundamentais e básicos?

Onde estão os democratas de pacotilha que durante décadas, negociaram com a Líbia e o Iraque? Com Angola?

Onde estão os paladinos da liberdade quando as autoridades dos seus países negoceiam e mantém relações estreitas com a Arábia Saudita e, imagine-se, Israel, onde os atropelos aos Palestinianos são uma constante?

E estão agora a chatear a Hungria? Tenham lá paciência e, já agora, alguma vergonha na cara. Nas próximas eleições, se a oposição húngara ganhar as eleições e tiver 2/3 dos votos até pode mudar tudo outra vez. Até lá, as coisas são como são. Graças a Deus."


Com excepção da parte relativa a Israel e Palestina, subscrevo.
Gostava de ver esta mesma intolerância com governos de esquerda e as suas políticas fracturantes e afins... 
Lembram-se certamente, na Áustria, quando um pequeno partido de direita chegou ao poder e a UE equacionou (não me recordo se passou a vias de facto) sanções ao país.
Mas não consta que a UE tivesse sido tão diligente quando Massimo D'Alema, vindo do PC italiano, chegou a primeiro-ministro de Itália.
Sobre duplicidades estamos conversados.
Agora resta aguardar que a intolerância apareça numa qualquer esquina à espreita que o governo de Rajoy, em Espanha, altere a legislação de meia dúzia de coisas fracturantes feitas por Zapatero. E, como tal, politicamente correctas.

Inspiração para 2012?