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terça-feira, 29 de março de 2011

A culpa

Bagão Félix, no DE, num texto carregado de ironia que nem todos entendem:

"A culpa de não haver PEC 4 é do PSD e do CDS. A culpa de haver portagens nas Scuts é do PSD que viabilizou o PEC 3. A culpa do PEC 3 é do PEC 2. Que, por sua vez, tem culpa do PEC 1.
Chegados a este, a culpa é da situação internacional. E da Grécia e da Irlanda. E antes destas culpas todas, a culpa continua a ser dos Governos PSD/CDS. Aliás, nos últimos 16 anos, a culpa é apenas dos 3 anos de governação não socialista.
A culpa é do Presidente da República. A culpa é da Chanceler. A culpa é de Trichet. A culpa é da Madeira. A culpa é do FMI. A culpa é do euro.
A culpa é dos mercados. Excepto do "mercado" Magalhães. A culpa é do ‘rating'. A culpa é dos especuladores que nos emprestam dinheiro. A culpa até chegou a ser das receitas extraordinárias. À falta de outra culpa, a culpa é de os Orçamentos e PEC serem obrigatórios.
A culpa é da agricultura. A culpa é do nemátodo do pinho. A culpa é dos professores. A culpa é dos pais. A culpa é dos exames. A culpa é dos submarinos. A culpa é do TGV espanhol. A culpa é da conjuntura. A culpa é da estrutura.
A culpa é do computador que entupiu. A culpa é da ‘pen'. A culpa é do funcionário do Powerpoint. A culpa é do Director-Geral. A culpa é da errata, porque nunca há errata na culpa. A culpa é das estatísticas. Umas vezes, a culpa é do INE, outras do Eurostat, outras ainda do FMI. A culpa é de uma qualquer independente universidade. E, agora em versão pós Constâncio, a culpa também já é do Banco de Portugal. A culpa é dos jornalistas que fazem perguntas. A culpa é dos deputados que questionam. A culpa é das Comissões parlamentares que investigam. A culpa é dos que estudam os assuntos.
A culpa é do excesso de pensionistas. A culpa é dos desempregados. A culpa é dos doentes. A culpa é dos contribuintes. A culpa é dos pobres.
A culpa é das empresas, excepto as ungidas pelo regime. A culpa é da meteorologia. A culpa é do petróleo que sobe. A culpa é do petróleo que desce.
A culpa é da insensibilidade. Dos outros. A culpa é da arrogância. Dos outros. A culpa é da incompreensão. Dos outros. A culpa é da vertigem do poder. Dos outros. A culpa é da demagogia. Dos outros. A culpa é do pessimismo. Dos outros.
A culpa é do passado. A culpa é do futuro. A culpa é da verdade. A culpa é da realidade. A culpa é das notícias. A culpa é da esquerda. A culpa é da direita. A culpa é da rua. A culpa é do complexo de culpa. A culpa é da ética.
Há sempre "novas oportunidades" para as culpas (dos outros). Imagine-se, até que, há tempos, o atraso para assistir a uma ópera, foi culpa do PM de Cabo-Verde.
No fim, a culpa é dos eleitores, que não deram a maioria absoluta ao imaculado. A culpa é da democracia. A culpa é de Portugal. De todos. Só ele (e seus pajens) não têm culpa. Povo ingrato! Basta! Na passada quarta-feira, a culpa... já foi."

quarta-feira, 21 de março de 2007

Botânica, envelhecer, primavera... e outros

Excelentes e interessantíssimas duas reportagens que a SIC apresentou no Jornal da Noite. Uma sobre “saber envelhecer”, outra no Jardim Botânico, a propósito do início da primavera, tendo como guia Bagão Félix.
Na primeira, abordaram as questões que se põe aos “velhotes”, para se manterem ocupados, para terem interesses, terem relações sociais, terem momentos de lazer…. e não ficarem em casa à espera do fim.
Um técnico qualquer lembrou que ir para o jardim jogar às cartas não é solução. Pois as pessoas ficam entretidas, mas não têm nem desenvolvem verdadeiras relações afectivas e sociais. As conversas andam sempre à volta do jogo e nada mais.
E mostraram também os casos das universidades da terceira idade. Em que, ao mesmo tempo que estão ocupados, os reformados aguçam a curiosidade, aprendem coisas diferentes. Exercitam a cabeça.

E aqui faço a passagem para a conversa com Bagão Félix, no Jardim Botânico. Este diz q ler e aprender tanta coisa sobre as plantas, os seus nomes, características, e outros, são uma forma de exercitar o cérebro. Coisa muito importante na sua idade.
É magnífica a forma como Bagão Félix disserta sobre botânica, com à-vontade, ligando natureza e realidade social e política.


Dando mais um salto… esta juventude de espírito põe-me a pensar no passar dos anos. Isto deve ter a ver com a crise dos pré-trintas… Sim, está quase… e o tempo não pára.
Há alguns dias a Nocas escreveu sobre essa barreira psicológica. E deixou-me aliviado. Será mais um dia como outro qualquer. E uma amiga minha disse, há algumas semanas, que nós homens não devemos ligar a essa idade: a nossa fronteira são os 40. Portanto, ainda tenho 10 anitos de jovialidade pela frente. Os 30 só contam para as mulheres.
Mas como não sou propriamente o génio das relações sociais, tenho um bocado de receio da solidão. E esse é uma característica que, dizem, se acentua com a velhice.
Se nesse tempo ainda houver blogues, faço mais alguns. E aproveito para desenvolver uns heterónimos ou pseudónimos, ao melhor estilo de Fernando Pessoa.