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quarta-feira, 18 de julho de 2012

Combate à evasão fiscal

Num país decente, com cidadãos e Estado de boa-fé, responsáveis e cumpridores, não seria necessária nenhuma medida deste género: um prémio sob a forma de dedução fiscal para quem pede factura nalguns serviços.
É apenas uma questão de cidadania.
Mas ainda há minutos, num noticiário qualquer, um rapaz proprietário de um café dizia que com esta medida teria de aumentar os preços. 
Touché! Agora é mais um dos que foge ao fisco. 
É também graças a este chico-espertismo que estamos na situação em que estamos. Não é devido à Angela Merkel.

Além deste desleixo - chamemos-lhe assim - dos cidadãos, temos a acção irresponsável do Estado, que o Má Despesas Pública regista.

Ah... e convém esclarecer: estamos a falar de evasão fiscal
Não disto (há pouco na SIC-N):



O Expresso, por sua vez, apresenta a notícia assim: "Nova medida do governo implica gastar 2280€ por mês".
O objectivo da medida é combater a evasão fiscal. Não é dar 250€ a cada família!

domingo, 15 de abril de 2012

Blogosferando - 71



"Claro que a medida anunciada de proibir o fumo dentro dos automóveis, quando transportam crianças, é uma medida aparentemente sensata. Digo aparentemente, porque a uma pessoa suficientemente informada (já nem digo educada) no actual século XXI, não era preciso impor uma medida destas. É do mais elementar bom senso evitar fumar em frente de crianças em qualquer espaço fechado. Sou um moderado fumador, apenas fumo 2 vezes por dia, depois das refeições, e para mim, que nunca fumei mesmo sozinho dentro de uma viatura, a medida não me contraria. Mas é preciso pensarmos um pouco neste Estado que temos, cada vez mais proibicionista e totalitário. Ao imiscuir-se na vida privada de um cidadão, e hoje infelizmente, a sua viatura é um lugar especial de liberdade que quer preservar, o Estado está a limitar seriamente as liberdades individuais, desculpando-se com um bem maior, que seria o bem estar dos que se não podem defender. Mas este caminho é uma capitulação do Estado, contra o que considera comportamentos criticáveis. Este combate deve ser travado nas escolas, nas Universidades, nos empregos, dando formação e educação adequadas a todos. Esse é o dever do Estado, não é apenas proibir e policiar! Toda a gente sabe que comer sal a mais ou abusar do álcool, prejudica seriamente a saúde. Então que fazer? Continuar a ensinar nas Escolas que devemos evitar excessos, ou proibir simplesmente o consumo de sal ou de álcool? De proibição em proibição, esses fundamentalistas também poderiam proibir as relações sexuais. Basta pensar nas mortes súbitas que podem causar aos que possuem alguma doença cardíaca sem saber. Eduquem as pessoas primeiro e depois verão que os comportamentos mudam para melhor."

quinta-feira, 1 de março de 2012

O renascer do Estado-nação

Um artigo muito interessante de Dani Rodrik, professor de Harvard, no Público:

"Um dos mitos basilares da nossa era é o de que a globalização condenou o Estado-nação à irrelevância. Ouvimos dizer que a revolução nos transportes e comunicações fez desaparecer fronteiras e encolheu o mundo. Os novos modos de governação que vão das redes transnacionais de reguladores até às organizações internacionais da sociedade civil e às instituições multilaterais estão a transcender e a suplantar os legisladores nacionais. Diz-se que os responsáveis políticos internos se sentem bastante impotentes perante os mercados globais.

A crise financeira mundial abalou este mito. Quem socorreu os bancos, injectou liquidez, promoveu incentivos fiscais e estabeleceu as redes de segurança para os desempregados, para impedir uma catástrofe crescente? Quem está a reescrever as regras de fiscalização e a regulamentação do mercado financeiro para evitar outro incidente? Quem recebe a maior parte da culpa por tudo o que corre mal? A resposta é sempre a mesma: os governos nacionais. O G-20, o Fundo Monetário Internacional e o Comité de Basileia de Supervisão Bancária têm sido, em grande parte, elementos marginais.

Mesmo na Europa, onde as instituições regionais são relativamente fortes, o interesse nacional e os políticos nacionais, em grande parte, na pessoa da chanceler alemã, Angela Merkel, têm dominado a definição de políticas. Se a chanceler Merkel se tivesse mostrado menos apaixonada pela austeridade para os países endividados da Europa e se tivesse conseguido convencer os seus eleitores da necessidade de uma abordagem diferente, a crise da zona do euro teria tido contornos bastante diferentes. 

No entanto, mesmo com a sobrevivência do Estado-nação, a sua reputação está a ruir. O assalto intelectual ao Estado-nação assume duas formas. Na primeira, há a crítica de economistas que consideram que os governos são um impedimento à livre circulação de mercadorias, capitais e pessoas por todo o mundo. Impeça-se a intervenção dos responsáveis políticos nacionais com os seus regulamentos e barreiras, dizem eles, e os mercados globais cuidarão de si próprios no processo de criação de uma economia mundial mais integrada e eficiente.

Mas quem vai ditar as regras e a regulamentação do mercado, se não os Estados-nação? O laissez-faire é receita para mais crises financeiras e para um maior retrocesso político. Além disso, seria necessário confiar a política económica a tecnocratas internacionais, isolados como estão dos incentivos e desincentivos da política – uma posição que circunscreve seriamente a democracia e responsabilidade política.

Em suma, o laissez-faire e a tecnocracia internacional não fornecem uma alternativa plausível ao Estado-nação. Na verdade, a erosão do Estado-nação, em última análise, é pouco benéfica para os mercados globais enquanto não existirem mecanismos viáveis de governança global.

Na segunda forma existem especialistas em ética cosmopolita que condenam a artificialidade das fronteiras nacionais. Como afirmou o filósofo Peter Singer, a revolução das comunicações gerou uma "audiência global" que cria a base para uma "ética global". Se nos identificamos com a nação, a nossa moral permanecerá nacional. Mas, se cada vez mais nos associarmos ao mundo em geral, as nossas lealdades irão igualmente expandir-se. Da mesma forma, o Nobel da Economia, Amartya Sen, fala das nossas "múltiplas identidades" – étnicas, religiosas, nacionais, locais, profissionais e políticas, muitas das quais atravessam fronteiras nacionais.

Não está claro que uma parte disto tenha por base um optimismo exacerbado e que outra parte seja baseada em mudanças reais de identidades e ligações. As pesquisas mostram evidências de que a ligação ao Estado-nação continua a ser bastante forte.

Há alguns anos, a associação World Values Survey inquiriu os entrevistados em dezenas de países sobre a sua ligação às comunidades locais, às nações e ao mundo em geral. Não é de admirar que aqueles que se viam a si mesmos como cidadãos nacionais ultrapassavam em muito aqueles que se consideravam cidadãos do mundo. Mas, surpreendentemente, a identidade nacional ensombrava até a identidade local nos Estados Unidos, Europa, Índia, China e na maioria das outras regiões.

As mesmas pesquisas indicam que as pessoas mais jovens, as que têm qualificações mais elevadas, as que se identificam a si mesmas como classe superior, têm mais tendência a associar-se com o mundo. No entanto, é difícil identificar qualquer segmento demográfico cuja ligação à comunidade global supere a ligação ao país.Por muito grande que tenha sido o decréscimo nos custos das comunicações e transportes, não apagou a geografia. A actividade económica, social e política continua a agrupar-se com base em preferências, necessidades e trajectórias históricas que variam em redor do globo.

A distância geográfica é um determinante de intercâmbio económico tão forte como era há 50 anos. Afinal, nem mesmo a Internet é tão desprovida de fronteiras quanto parece: um estudo descobriu que os americanos têm muito mais tendência a visitar sites de países que estão fisicamente próximos do que de países que estão longe, mesmo após as medidas de controlo de linguagem, rendimentos e muitos outros factores.

O problema é que ainda estamos sob o domínio do mito do declínio do Estado-nação. Os líderes políticos alegam impotência, os intelectuais sonham com esquemas implausíveis de governança global e os perdedores culpam cada vez mais os imigrantes ou as importações. Quando se fala sobre a reabilitação do Estado-nação, as pessoas respeitáveis correm a esconder-se, como se estivéssemos a propor reavivar a peste.

Para ser mais preciso, a geografia de ligações e identidades não é fixa, na verdade, tem mudado ao longo da história. Isso significa que não devemos descartar totalmente a possibilidade de que uma verdadeira consciência global se venha a desenvolver no futuro, em conjunto com comunidades políticas transnacionais.

Mas os desafios actuais não podem encontrar respostas em instituições que (ainda) não existem. Por enquanto as pessoas ainda têm de procurar soluções nos seus governos nacionais, que permanecem a melhor esperança para a acção colectiva. O Estado-nação pode ser uma relíquia que nos foi legada pela Revolução Francesa, mas é tudo o que temos."

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

As contas de 2012

O Ministro das Finanças foi hoje entrevistado na RTP1, com umas olheiras que assustavam e um cansaço notório.
Quanto a mim, explicou bem o motivo da diferenciação de tratamento entre os funcionários públicos e os trabalhadores privados. Basicamente, os primeiros são despesas pública e Estado, que é necessário reduzir (mesmo que seja a martelo), e os segundos são receita. E, nesta linha, o Estado tem de diminuir despesas sem aumentar receitas (que seria gerada por mais uma sobretaxa). 
Faltou explicar o buraco e a sua dimensão. Só aflorou a questão.

É que é preciso meter isto nos eixos. E fazer muitas contas, cortes e aumentos. O ano de 2012 não vai ser nada simpático.


Em versão simplificada pelo Público, temos este resumo do OE para o próximo ano:










quarta-feira, 27 de julho de 2011

A economia da coisa

O meu passe aumentou 5,40€.Isto, em percentagem, é 14,81%.
Bem abaixo da fortuna que vão aumentar os passes para a malta rica da linha de Sintra.
(E Passos Coelho já avisou que o acordo com o FMI/BCE impõe um aumento de 20%).

Se isto é simpático? Não, não é.
Se tem de ser feito porque as transportadoras estão falidas e não tem de ser o Estado a pagar? Tem.

Concordo tanto com isto como com o fim da oferta das portagens na Ponte 25 de Abril durante o mês de Agosto.
Eu não tenho carro, como tal não tenho de pagar, como contribuinte, as portagens de quem atravessa a ponte. Tal como não pode ser um contribuinte que nunca vai atravessar a ponte, seja de Trás-os-Montes ou dos arquipélagos, a pagar essas portagens através dos seus impostos.

O Estado tem de ficar mais pequeno.
O país não tem economia para sustentar um Estado que suga quase 50% da riqueza produzida. E mesmo que tivesse economia para tal, a economia não é para alimentar o Estado (que presta um mau serviço em muitos sectores). A economia serve para criar cidadãos livres, e para proporcionar-lhes bem-estar.
Os portugueses têm de se habituar a menos Estado. A serem livres de subsídios, sinecuras, favorzinhos e afins pagos por todos nós.
Cidadãos livres do Estado são pessoas mais livres na sua vida.
O Estado tem é de fazer as regras, ser o árbitro, e deixar funcionar a economia. 
Se isto é ser liberal, pois seja.

quinta-feira, 10 de março de 2011

E se deitassem a comida fora?


Só neste Portugal em que o Estado tem de sacar tudo a todos é que uma coisa destas é possível.
Entretanto, as pessoas que morram à fome.

Se deitassem a comida fora também tinham de pagar IVA?
O que é que o Estado tem a ver com o destino final da comida que não é consumida?

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

A sorte de haver quem pague...

A sorte do Estado português é haver quem pague todos os descalabros financeiros. 
Graças a isso, os governos podem fazer números como os de hoje ao anunciar a Síntese da Execução Orçamental:

"De acordo com os dados da Direcção-Geral do Orçamento (DGO), hoje divulgados, a receita efectiva cresceu 4,6 por cento, acima dos 3,3 por cento que estavam previstos no Orçamento de Estado (OE) de 2010. A receita fiscal também subiu bem mais do que se previa inicialmente. Em vez dos 1,2 por cento previstos no OE do ano passado, disparou 5,5 por cento.

Do lado da despesa, os números da execução orçamental mostram um aumento. Em vez dos 2,7 por cento previstos no OE 2010, a despesa efectiva cresceu 3,7 por cento, enquanto a despesa primária aumentou 4,2 por cento face aos 1,9 inicialmente previstos."

Apesar disto, o facto de o défice de 2010 poder ficar abaixo dos 7,3% é uma boa notícia.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Para quando as senhas?

Notícia no Ionline:
"Os trabalhadores por conta de outrem vão descontar mais dinheiro para a Segurança Social, já a partir do próximo mês de Janeiro, data da entrada em vigor do novo Código Contributivo, informa o Correio da Manhã. Esta medida vai fazer, então, com que os trabalhadores recebam salários mais baixos do que os actuais.
De acordo como Ministério do Trabalho, os visados vão estar sujeitos ao pagamento da taxa de 11% para a Segurança Social 33% do valor mensal das depesas de representação; ajudas de custo; abonos de viagem, instalação e para falhas; gastos da entidade empregadora coma utilização pessoal de viatura automóvel; despesas de transporte das empresas com deslocações em benefício dos trabalhadores.
Em declarações ao jornal, o Ministério do Trabalho, afirmou que o aumento dos descontos "depende das componentes de remuneração que eram ou não base de incidência contributiva até agora e de as novas componentes de remuneração do trabalho serem pagas até aos limites de IRS".
No entanto, o ministério garante um aumento da protecção social se houver um aumento dos descontos."

O Estado, na sua ânsia de dinheiro (reparem que não digo "de reduzir o défice"...), tributa tudo.
Já esteve mais longe serem os trabalhadores a pagar às empresas e ao Estado...
E aquela misericordiosa frase "o ministério garante um aumento da protecção social se houver um aumento dos descontos"... Garante?! Uma treta!
Todas as semanas são anunciados cortes nas "garantias". A própria garantia de reforma não existe. O Estado, que devia ser uma entidade confiável, todos os anos altera as regras de pagamento das reformas. Uma pessoa de bem, quando cria as regras, cumpre-as até ao fim. Se precisa alterar, altera para os novos beneficiários, não retroactivamente. 
E se eu não quiser contribuir para a segurança social e quiser ter um sistema próprio para mim? Não posso porque o Estado bla bla bla... mas garantias? Nada.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

A moda de pagar para trabalhar...

Com esta medida, o Estado junta-se às muitas empresas que exigem trabalho e não pagam um cêntimo. Seja em horas extra, seja em trabalho feito em casa. 
E há até situações em que são os trabalhadores a suportar despesas da empresa. E.. ou são reembolsados tarde e a más horas, ou pura e simplesmente não são reembolsados.
Uma palavra: exploração.

"Os professores do ensino secundário vão passar a corrigir mais exames nacionais, mas deixam de receber o suplemento de cinco euros por cada prova analisada. A nova regra é para ser aplicada já este ano lectivo a todos os docentes que forem seleccionados para integrar a bolsa de classificadores. Até agora, cada docente podia corrigir no máximo 100 provas - 50 em cada fase -, mas a partir de Junho, o número de testes poderá subir até 120 nas duas fases, no casos dos docentes que não estiverem a dar aulas; ou então diminuir para 50 exames (25 provas em cada chamada) para os que exercerem funções lectivas durante a época de exames. O único benefício é que os correctores de provas passam a estar dispensados de todas as tarefas que não envolvam dar aulas durante o tempo em trabalham na correcção das provas.
A diferença não é muita, mas a grande mudança vai pesar sobretudo no bolso dos professores já que a tarefa deixa de ser remunerada e as despesas com as deslocações para levantar os exames assumidas pelo próprio professor. Para os docentes, o novo regime pode representar no limite menos 600 euros que receberiam por corrigir as 120 provas no prazo de sete dias; para o Estado significará uma poupança de cerca de 1,2 milhões de euros anuais, tendo em conta que no último ano lectivo foram realizadas 250 mil provas no ensino secundário."

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Quando passamos às senhas?


"Lista de produtos que passam a pagar IVA de 23%

Produtos que pertenciam à taxa reduzida (6%):

- Leites achocolatados, aromatizados, vitaminados e enriquecidos
- Bebidas e sobremesas lácteas
- Refrigerantes, sumos e néctares de fruto ou de produtos hortícolas, incluindo xaropes de sumos, as bebidas concentradas de sumos e os produtos concentrados de sumos
- Utensílios e outros equipamentos exclusivamente ou principalmente destinados ao combate e detecção de incêndios

Produtos que pertenciam à taxa intermédia (13%)

- Conservas de carne e miudezas comestíveis
- Conservas de moluscos, com excepção das ostras
- Conservas de frutas ou frutos, designadamente em molhos, salmoura ou calda e suas compotas, geleias, marmeladas ou pastas
- Conservas de produtos hortícolas, designadamente em molhos, vinagre ou salmoura e suas compotas
- Óleos directamente comestíveis e suas misturas (óleos alimentares);
- Margarinas de origem animal e vegetal
- Aperitivos à base de produtos hortícolas e sementes
- Aperitivos ou snacks à base de estrudidos de milho e trigo, à base de milho moído e frito ou de fécula de batata, em embalagens individuais
- Flores de corte, folhagem para ornamentação e composições florais decorativas. Exceptuam-se as flores e folhagens secas e as secas tingidas
- Plantas ornamentais"

Juntamente com estas medidas, vai haver alterações nas deduções fiscais (portanto, aumento encapotado dos impostos).
Estas maravilhosas medidas são primeiramente apresentadas à comunicação social, e não ao Parlamento, como aconteceria num país civilizado e em que as instituições fossem respeitadas (e se dessem ao respeito).
Na lógica de que qualquer cidadão que ganhe pouco acima do salário mínimo (475,00€) é rico, o Estado vai sacar tudo a todos. Perdão, aos mais fracos. Porque não se vê maneira de reduzir despesas supérfluas e elefantes brancos.

Repito: enquanto se continuar a achar (o Estado e a sociedade) que quem ganha 2000€ ou 3000€ (ou bem menos!) é rico, este país não deixará de promover o empobrecimento e a miséria. E enquanto muitos continuarem a achar que tem de ser o Estado a fazer tudo, a garantir os mitos da saúde e educação gratuitas, e outras baboseiras que tais, não vamos sair da cepa torta.
Já estivemos mais longe das senhas entregues pelo Estado...

sábado, 9 de outubro de 2010

Exemplos de contenção

Ao mesmo tempo que o Estado põe todos (muito quase...) a pagar mais para os seus cofres, faz questão de não se poupar a esforços para esbanjar dinheiro.
Há pouco, na TVI, meia dúzia de MAUS exemplos: um aniversário das Finanças, uma coisa qualquer da ANACOM, medalhas para não sei o quê... Tudo pago às dezenas (e centenas) de milhares de euros.
Eu, que ando distraído, aponto estes exemplos: os cartazes que a CML fez para encher a cidade a dizer "Viva a República", ou uns folhetos que pôs a circular com jornais gratuitos para propagandear as obras em várias escolas do concelho.

Esta malta é estúpida ou acha que nós somos a árvore das patacas?!

domingo, 29 de agosto de 2010

A causa das coisas

Há notícias engraçadas:

1 - 
«Mais de dois milhões de portugueses, beneficiários do abono de família, Rendimento Social de Inserção (RSI) e subsídio social de desemprego, devem "obrigatoriamente" prestar provas de rendimentos através do site da Segurança Social. Esta ordem consta da carta que os beneficiários já começaram a receber, depois de, em Junho passado, ter sido publicado em Diário da República o decreto-lei que estabelece as novas regras para o reconhecimento e manutenção do direito a estas prestações sociais.
"As provas são, obrigatoriamente, efectuadas no sítio da Internet da Segurança Social, em www.seg-social.pt, no Serviço Segurança Social Directa, para o que deve ler, com atenção, as instruções que seguem nas folhas em anexo ", pode ler-se nas missivas. E mais à frente, reincide-se na obrigatoriedade: "Tenha em atenção que, mesmo que receba mais do que um ofício, deverá efectuar a prova de condição de recursos uma única vez, através do canal da Segurança Social Directa (SSD)."» (Público)

A estas sumidades nem passou pela cabeça que as pessoas não tenham computador e internet, que sejam idosos que não sabem ler nem escrever... Enfim, o país a 3D é fantástico.
Esta novidade parece aquelas medidas de combate à pobreza em África através da entrega de computadores portáteis: os beneficiários não precisam de portáteis, não sabem trabalhar com eles, nem sabem rabiscar uma letra que seja... mas, para os civilizados, a solução é dar tecnologia.


2 -
José Sá Fernandes quer impedir a abertura dos hipermercados em Lisboa aos domingos e feriados à tarde. "Ainda não há decisão mas vou-me bater na câmara para que continue tudo como está: hipermercados fechados aos domingos e tardes de feriado", afirmou ao i o vereador da Câmara Municipal de Lisboa. Sá Fernandes - responsável pelo Ambiente Urbano, Espaço Público, Espaços Verdes e Abastecimentos - defende que o alargamento do horário dos hipermercados pode pôr em causa a sobrevivência do pequeno comércio e sustenta que "são dias para olhar para o céu e não para dentro de grandes superfícies".(Ionline)

Se a causa do definhamento do pequeno comércio é o alargamento do horários dos hipermercados, como se explica que agora, sem esse alargamento, esse mesmo pequeno comércio esteja fechado? Ninguém os obriga a estar fechados aos fins-de-semana, que eu saiba.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Simplex aos bocadinhos


Não resisto a ser cínico: o Estado deixa fazer e depois vai multar por não ter sido  feito como devia ser.

A propósito desta pré-medida, um canal qualquer foi questionar um proprietário de restaurante para os lados de Belém. Ficámos a saber que para o dito restaurante ter um cartaz com o menu, paga; para pôr uns chapéus, paga; para embelezar o espaço com umas floreiras, paga...
O simplex não podia acabar com este tipo de idiotices e cingir-se ao fundamental?

sexta-feira, 9 de julho de 2010

O cartão maravilha

Com o BI a dar as últimas, fui tratar dessa maravilha do Estado chamado cartão do cidadão, na Av. Defensores de Chaves (graças a um comentário ouvido na fila de entrada para o concerto de tributo aos Queen...).
Rapidez extrema! Carreguei na máquina para tirar a senha, ainda não a tinha na mão, e já me estavam a chamar!
A parte boa do cartão do cidadão: liberta espaço nos bolsos e carteira, juntando vários cartões num único de tamanho MB.
Parte abuso: o Estado, numa única base de dados, junta várias informações do cidadão. E mais: ainda pedem o número de telemóvel e de mail.

domingo, 22 de novembro de 2009

O estado disto

"Enquanto o país brama contra a justiça e a corrupção, no centro do regime, o PSD apodrece."

É nestes termos que Vasco Pulido Valente escreve hoje no Público sobre o estado do principal partido da oposição.


Ontem, no mesmo jornal, escrevia isto sobre o estado do Estado:
"O Estado absorve mais de 50 por cento do PIB. O Estado autoriza e proíbe, compra, vende, contrata. E com essa intervenção beneficia quem protege e paga fielmente a quem o protegeu. O que sempre sucedeu e continua a suceder. O dr. Soares não se enganou: o problema da Face Oculta é fácil de compreender, simples, trivial e caseiro"

domingo, 8 de março de 2009

Será que o Estado já é Deus?

De acordo com o Jornal de Notícias, a emissão do Cartão de Cidadão está a alterar alguns nomes para retomarem a grafia utilizada no ano de nascimento, disse, esta manhã, fonte ligada à emissão do novo documento.
Quando os cidadãos recebem o novo cartão com um nome que nunca tiveram, se quiserem o nome correcto, têm de solicitar um novo averbamento do nome, e solicitar um novo Cartão do Cidadão. E - claro! - pagar novamente o Cartão do Cidadão.

É de mim, ou estes senhores, embrulhados de simplex, andam a abusar?!

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Pessoa ao longe

Hoje no PÚBLICO, logo destacado em primeira página, vem a possibilidade de um importante espólio de Fernando Pessoa sair de Portugal em Outubro.

"Uma parte significativa do espólio de Fernando Pessoa que ainda se encontra na posse de familiares do poeta vai ser leiloada em Outubro, em Lisboa, pela P4 Photography. Um dos documentos que pode atingir somas consideráveis é o chamado dossier Pessoa-Crowley, que reúne todos os papéis relativos ao encontro do poeta português com ocultista inglês Aleister Crowley, em 1930."

O Estado ainda está a pensar se pode comprar...
Fosse num país anglo-saxónico ou do norte da Europa, e o Estado não se poupava a esforços para manter tão importantes registo no país.

Trata-se apenas de registos daquele que deve ser o maior vulto da cultura portuguesa dos últimos cem anos. E não apenas pela poesia, mas por todo o seu pensamento.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Regular a vida

Na Irlanda do Norte foi apresentado um projecto-lei segundo o qual os maridos que não ajudamem casa podem ser processados.

Daqui a pouco tempo temos o Estado dentro de casa a decidir coisas como:

- de que lado deitar na cama;

- dispor a louça na pia, ou a roupa na máquina;

- arrumar sapatos;

- arrumar a escova de dentes;

- …

Todos agradecemos tamanha preocupação com os cidadãos, mas preocupem-se com coisas que digam de facto respeito ao Estado, e não com medidas cujo único objectivo é a intromissão na esfera de liberdade dos cidadãos. Por mais embrulhadas em politicamente correcto que seja.
Será que nos dias que correm as coisas só acontecem se forem reguladas, pondo de lado o mínimo de bom senso por parte das pessoas? Ou o bom senso tem de tem de ser imposto através da lei?