Mostrar mensagens com a etiqueta Vasco Pulido Valente. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Vasco Pulido Valente. Mostrar todas as mensagens

sábado, 26 de março de 2011

Socratismo

"(...) Em dois séculos de governo representativo em Portugal, um único político conseguiu suscitar a profunda aversão que hoje suscita o primeiro-ministro: António Bernardo Costa Cabral, que deu o seu nome ao “cabralismo”. É interessante pensar no que (em resumo) um dia lhe disse Fontes Pereira de Melo: “A sua presença (no governo) não ajuda o país, porque o senhor é o problema.” Manuela Ferreira Leite, com outros cuidados verbais, não ficou longe de Fontes, quando explicou o voto do PSD. E, se calhar, não se enganou. A remoção definitiva de Cabral trouxe a Portugal um certo sossego. A remoção definitiva de Sócrates talvez também acalmasse as coisas. Mas, para nossa desgraça, Sócrates continua, e continuará, secretário-geral do PS e não tenciona, nem de longe, ficar quieto. Esta história ainda não chegou ao fim. "

Vasco Pulido Valente no Público

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Blogosferando - 39


"Primeiro veio a campanha de Alegre, uma jornada sentimental absurda, que previsivelmente acabou num vexame. E, depois, quinta-feira, foi o melodrama da moção de censura, que a direita, se não endoideceu (o que não é garantido), rejeitará; e que o próprio Louçã declarara na véspera "sem utilidade prática". Não vale a pena discutir os meandros tácticos desta fantochada. Vale a pena constatar que o Bloco de Esquerda não hesita em comprometer a vida ao país, com o fim faccioso e estúpido de embaraçar o PC, até quando o exercício manifestamente beneficia e fortalece Sócrates. Raras vezes se viu na política portuguesa um espectáculo tão triste." 

Vasco Pulido Valente, via Portugal dos Pequeninos.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Sentenças - 14

"O drama português não é a crise financeira: é a absoluta nulidade da elite que governa o sítio. Que é deficitária culturalmente e em termos de pensamento estratégico"  
Fernando Sobral, Jornal de Negócios, 13Dez2010.

"Ao contrário do que julgam os políticos desta democracia em que vivemos, um país não é rico porque é educado, é educado porque é rico. E se fosse necessária uma prova irrecusável desse melancólico facto, bastava olhar para as taxas de "abandono" e de "repetência" e para o número crescente de infelizes que tiraram uma licenciatura, um mestrado ou até um doutoramento para transitar imediatamente para o desemprego." 
Vasco Publico Valente, Público, 12Dez2010

domingo, 22 de novembro de 2009

O estado disto

"Enquanto o país brama contra a justiça e a corrupção, no centro do regime, o PSD apodrece."

É nestes termos que Vasco Pulido Valente escreve hoje no Público sobre o estado do principal partido da oposição.


Ontem, no mesmo jornal, escrevia isto sobre o estado do Estado:
"O Estado absorve mais de 50 por cento do PIB. O Estado autoriza e proíbe, compra, vende, contrata. E com essa intervenção beneficia quem protege e paga fielmente a quem o protegeu. O que sempre sucedeu e continua a suceder. O dr. Soares não se enganou: o problema da Face Oculta é fácil de compreender, simples, trivial e caseiro"

sábado, 24 de outubro de 2009

A farsa, por VPV

Vasco Pulido Valente escreveu sobre a polémica gerada por Saramago:

"O problema com o furor que provocaram os comentários de Saramago sobre a Bíblia (mais precisamente sobre o Antigo Testamento) é que não devia ter existido furor algum. Saramago não disse mais do que se dizia nas folhas anticlericais do século XIX ou nas tabernas republicanas no tempo de Afonso Costa. São ideias de trolha ou de tipógrafo semianalfabeto, zangado com os padres por razões de política e de inveja. Já não vêm a propósito. Claro que Saramago tem 80 e tal anos, coisa que não costuma acompanhar uma cabeça clara, e que, ainda por cima, não estudou o que devia estudar, muito provavelmente contra a vontade dele. Mas, se há desculpa para Saramago, não há desculpa para o país, que se resolveu escandalizar inutilmente com meia dúzia de patetices.

Claro que Saramago ganhou o Prémio Nobel, como vários "camaradas" que não valiam nada, e vendeu milhões de livros, como muita gente acéfala e feliz que não sabia, ou sabe, distinguir a mão esquerda da mão direita. E claro que o saloiice portuguesa delirou com a façanha. Só que daí não se segue que seja obrigatório levar a criatura a sério. Não assiste a Saramago a mais remota autoridade para dar a sua opinião sobre a Bíblia ou sobre qualquer outro assunto, excepto sobre os produtos que ele fabrica, à maneira latino-americana, de acordo com o tradição epigonal indígena. Depois do que fez no PREC, Saramago está mesmo entre as pessoas que nenhum indivíduo inteligente em princípio ouve.

O regime de liberdade, aliás relativa, em que vivemos permite ao primeiro transeunte evacuar o espírito de toda a espécie de tralha. É um privilégio que devemos intransigentemente defender. O Estado autoriza Saramago a contribuir para o dislate nacional, mas não encomendou a ninguém? principalmente a dignatários da Igreja como o bispo do Porto - a tarefa de honrar o dislate com a sua preocupação e a sua crítica. Nem por caridade cristã. D. Manuel Clemente conhece com certeza a dificuldade de explicar a mediocridade a um medíocre e a impossibilidade prática de suprir, sobre o tarde, certos dotes de nascença e de educação. O que, finalmente, espanta neste ridículo episódio não é Saramago, de quem - suponho - não se esperava melhor. É a extraordinária importância que lhe deram criaturas com bom senso e a escolaridade obrigatória"

Duríssimo. Como já nos habituou.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Portugal tem saída?

No Estrago da Nação:
«...começam a suceder-se demasiados casos no passado de José Sócrates que lhe começam a pesar politicamente. De cor, recordo-me do processo de licenciatura, das ligações também perigosas à construção da estação de compostagem da Cova de Beira, dos seus antigos projectos de arquitectura na zona da Covilhã e agora este caso. Não me recordo de um primeiro-ministro com uma casa que parece ter tanta telha de vidro».

A isto resta acrescentar um trecho do artigo de opinião de Vasco Pulido Valente, no Público, no passado dia 18 de Janeiro:
"Começa agora a surgir por aí um argumento, que se aproxima da chantagem e que é bom perceber e recusar: o argumento de que o país não sobrevive sem a maioria absoluta do PS. Ou seja, o argumento de que sem autoridade de Sócrates cairíamos rapidamente no caos. (...) há aqui a extraordinária ideia de que mais vale um primeiro-ministro incompetente e cego a uma solução qualquer que, embora frágil ou efémera, evite a persistência no erro. (...) Uma dose de Sócrates levou ao que levou. Quem sabe ao que levará a segunda?"

domingo, 20 de julho de 2008

Desigualdades

Vasco Pulido Valente, no PÚBLICO de 18 de Julho:

"[...]Numa sociedade miserável, o que se redistribui é sempre a miséria. Em 30 anos, Portugal chegou até onde a realidade e a “Europa” lhe permitiram chegar. Embora com erros, com desperdício, com ineficácia, a Segurança Social, o Serviço de Saúde e mesmo o “sistema educativo” redistribuem mais do que nunca se redistribuiu em toda a nossa história. Se a desigualdade continua é porque os 20 por cento de pobres não ganham o que deviam ganhar e não porque os 20 por cento de portugueses mais ricos paguem ao Estado menos do que deviam pagar. A desigualdade continua porque o país não produz, não exporta, não investe e não poupa; porque se endivida; e porque o Estado o desorganiza, corrompe e abafa. Isto é a evidência. Infelizmente, de quando em quando, convém repetir a evidência."

domingo, 25 de novembro de 2007

Politicamente correcto

"Vivemos sobre um despotismo 'iluminado' que não aceita a irregularidade, a dissidência, o direito de cada um à sua própria vida e ao uso irrestrito da sua própria cabeça."

Vasco Pulido Valente, no PÚBLICO de 25-11-2007

domingo, 25 de fevereiro de 2007

A direita e Paulo Portas

Hoje, Vasco Pulido Valente escreveu, no Público, sobre o pré-anunciado regresso de Paulo Portas:

"Dizem que Paulo Portas vai voltar à política na próxima semana. Paulo Portas não vai voltar à política. Não se volta à política quando se é deputado. O que Paulo Portas vai fazer, ou tentar fazer, é tomar conta do CDS. Escolheu bem a altura. Há um sentimento geral de que a direita está impotente perante Sócrates. Marques Mendes não conseguiu ainda arrumar o PSD e cometeu erros sem desculpa. O CDS para efeitos práticos não existe, embora meia dúzia de “notáveis” gozem agora de uma falsa importância e proeminência, que não querem com certeza perder. Paulo Portas tem o caminho aberto e, esperemos, mais tranquilidade e mais dúvidas. Passou a época da aprendizagem. Desta vez, depois do partido e depois do governo, os riscos que se prepara para correr só lhe valem a pena, se unir ou dominar a direita. Sofrer a animosidade que sempre provocou, e provoca, para tornar a ser parceiro minoritário numa coligação com o PSD não é, para ele, nem uma opção, nem, sobretudo, um destino digno.
A direita precisa de um programa. Mas Paulo Portas não se pode deixar convencer pelo liberalismo diletante e teórico, que por aí anda, a diminuir ou a enfraquecer a Segurança Social e o Sistema de Saúde. Quem tocar ou quiser tocar neste fundamento do regime (uma loucura a que nem a Sra. Tatcher se atreveu), fica para lá do pálio e nunca mais ninguém lhe tocará. Da educação às leis do trabalho e da administração do Estado (central e local) a dezenas de empresas públicas falidas, não falta á direita oportunidade para desregular, privatizar e, principalmente, eliminar o enorme desperdício acumulado por trinta anos de “centrão”. Desobstruído o país de parte do seu parasitismo histórico, o resto depende da política fiscal.
Fora isto, Paulo Portas não deve cair em duas tentações. Primeiro, na tentação de “moralizar” os costumes, que resvala necessariamente para a inconsequência ou para o ridículo: não cabe à presuntiva direita indígena mudar ou resistir á civilização do Ocidente. E, segundo, na tentação do nacionalismo, a que um pequeno país, que vive da “Europa”, é no fundo indiferente. Os velhos vícios portugueses não se curam com exortações. Se por acaso são curáveis, são curáveis com uma boa dose de liberdade e responsabilidade, duas coisas que, do PSD ao Bloco, horrorizam o regime estabelecido. Se o futuro CDS de Paulo portas for subversivo, sem ser populista, talvez nos tire um dia desta vil tristeza."

Subscrevo inteiramente Vasco Pulido Valente. Paulo Portas tem o que falta em muitos políticos nacionais: perspicácia, rapidez na acção, eficácia, força mediática, inteligência, sentido de Estado.
E, para além destas linhas de acção quanto ao que deve ser o Estado, o CDS devia agarrar na questão ambiental e trazê-la – sem populismos ou demagogias – para o centro da política. O ambiente é, cada vez mais, um tema central na nossa sociedade, e só era positivo um partido de direita abraçar esta causa. Já assim é no Reino Unido.

sábado, 24 de fevereiro de 2007

Obviamente!

"Jardim perdeu a esperança em Lisboa e precisa de uma legitimidade esmagadora para uma operação de outro calibre: a de renegociar os termos da autonomia. Não prepara uma manobra táctica, prepara um terramoto."
Vasco Pulido Valente, PÚBLICO, 23-02-2007

sábado, 10 de fevereiro de 2007

Disse, está dito!

"O mal dos portugueses não está no atraso, na pobreza, na iliteracia ou em qualquer falha remediável e normal. O mal dos portugueses está em que manifestamente não regulam bem da cabeça. E contra isso não há nada a fazer."

Vasco Pulido Valente, PÚBLICO, 10-2-2007