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domingo, 22 de novembro de 2009

O estado disto

"Enquanto o país brama contra a justiça e a corrupção, no centro do regime, o PSD apodrece."

É nestes termos que Vasco Pulido Valente escreve hoje no Público sobre o estado do principal partido da oposição.


Ontem, no mesmo jornal, escrevia isto sobre o estado do Estado:
"O Estado absorve mais de 50 por cento do PIB. O Estado autoriza e proíbe, compra, vende, contrata. E com essa intervenção beneficia quem protege e paga fielmente a quem o protegeu. O que sempre sucedeu e continua a suceder. O dr. Soares não se enganou: o problema da Face Oculta é fácil de compreender, simples, trivial e caseiro"

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Governar macacos

Alberto Gonçalves, sociólogo e cronista da Sábado, e que mora algures no norte, e deve irritar muita gente, escreveu esta semana sobre a arte de "governar macacos".
Leiam a seguir:

(clicar na imagem para aumentar)

domingo, 23 de agosto de 2009

O 'silêncio' de Cavaco

Recebido por mail há uns dias:

"Cavaco Silva não fala sobre o caso das escutas. Faz mal, dizem os sábios, que esperavam do Presidente dois caminhos possíveis: demitir o primeiro-ministro, caso acreditasse no crime; ou demitir o assessor que falou com o ‘Público’, desmentindo-o.

Com a devia vénia, discordo. Se demitisse o primeiro-ministro, Cavaco punha a cabeça no cepo ao oferecer ao PS o trunfo da vitimização e a possibilidade de vitória em Setembro. Se demitisse o assessor, daria mostras de balbúrdia na sua própria Casa Civil. Qualquer dos caminhos seria uma derrota para Cavaco. Só o silêncio lhe convém e, mais, é a resposta lógica a um PS que, do Estatuto dos Açores às ‘roubalheiras’ do BPN, sempre o tratou com espantosa hostilidade. Agora, em vésperas de eleições, ele devolve a gentileza. O ‘silêncio’ de Cavaco, obviamente ensurdecedor, só diz uma coisa: não confiem mais neste engenheiro."

João Pereira Coutinho, colunista

quarta-feira, 1 de julho de 2009

O fim de festa rosa

Manuel Carvalho, no editorial do Público no passado domingo:

"O que está acontecer ao sistema de poder construído por José Sócrates na legislatura? O que explica os sinais de descontrolo, descoordenação e desnorte do Governo mais homogéneo do pós-25 de Abril, no qual eram raras as fugas de informação, impensáveis as divergências factuais entre ministros, raras as dissensões internas e as remodelações? Quem por acaso se tivesse ausentado do país por seis meses e comparasse o antes e o depois das eleições europeias teria facilmente constatado que algo mudou, que o princípio basilar da governação construído em torno da liderança incontestada de José Sócrates está a ruir rapidamente.
(...)
O que a última semana do Governo deixou a nu é o clima de dissolvência, de final de festa, que começa a instalar-se na cúpula do poder socialista. Incapaz de recuperar num curto espaço de tempo o protagonismo político, acossado por uma lidrança do PSD que lenta mas paulatinamente se vai afirmando como alternativa, minado pelo desgaste de ministros que há meses (ou anos) deveriam ter sido remodelados, incapaz de produzir ideias novas, o Governo arrasta-se, confunde-se, desordena-se e perde terreno para a oposição."


Fernando Sobral, no seu O Pulo do Gato, do Jornal de Negócios, ontem:

"José Sócrates ilude-se com facilidade. E acredita que os portugueses o contratarão com facilidade para continuar a ser ilusionista nos próximos quatro anos.
(...)
Pensa que a tecnologia é o substituto natural das ideias e, portanto, crê que o Twitter e o Facebook serão o seu "simplex" eleitoral. A má qualidade da democracia corresponde à má qualidade dos políticos. Mas Sócrates acredita que tudo é uma questão tecnológica e não ideológica. Engana-se.
Para existir uma democracia participativa através das redes sociais é preciso ouvir e debater. E ouvir não é o mesmo que escutar "focus groups" ou agências de comunicação. É preciso escutar, replicar e tirar ilações. Não é só ouvir, para colocar nos programas o que as pessoas querem ler.
Mas Sócrates não quer escutar questões. Não é por acaso que uma das mais importantes acções pedagógicas deste Governo na educação foi o estrangulamento da Filosofia, a disciplina que traz mais perguntas que respostas."

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Porto de honra

Ferreira Fernandes, no DN, faz este "elogio ao grande FCPorto":

"O FC Porto não é o melhor clube português no futebol internacional. É o único. É o único que, antes de um jogo contra o Manchester United, podemos esperar que jogue entre iguais. Não esperar de esperança beata - porque, essa, qualquer presidente aldrabão no universo crente que é o futebol pode prometer.
Falo de esperança legítima num clube que vai em mais de duas décadas de carreira como o melhor português e, sobretudo, atingindo aquela constância de qualidade que leva o FC Porto a ser tratado entre os maiores como um dos seus. É necessário que isso seja saudado para além do futebol. Porque, em Portugal, no campeonato dos factos contra a retórica, ganha quase sempre a conversa barata. Ontem, um dos nossos raros campeões de factos (e não de lábia) voltou a cumprir. Quem manda no restante futebol nacional que aprenda com quem foi buscar os, então, desconhecidos Hulk, Fernando e Cissokho... E o que há para aprender é isto: há quem saiba fazer e há quem não. Estes últimos deviam dedicar-se ao curling, desiludiriam menos portugueses."

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Horror ao vazio

Mais um artigo de Mário Crespo:

"Depois de em Outubro ter morto o casamento gay no parlamento, José Sócrates, secretário-geral do Partido Socialista, assume-se como porta-estandarte de uma parada de costumes onde quer arregimentar todo o partido.
Almeida Santos, o presidente do PS, coloca-se ao seu lado e propõe que se discuta ao mesmo tempo a eutanásia. Duas propostas que em comum têm a ausência de vida. A união desejada por Sócrates, por muitas voltas que se lhe dê, é biologicamente estéril. A eutanásia preconizada por Almeida Santos é uma proposta de morte. No meio das ideias dos mais altos responsáveis do Partido Socialista fica o vazio absoluto, fica "a morte do sentido de tudo" dos Niilistas de Nitezsche.
A discussão entre uma unidade matrimonial que não contempla a continuidade da vida e uma prática de morte, é um enunciar de vários nadas descritos entre um casamento amputado da sua consequência natural e o fim opcional da vida legalmente encomendado. Sócrates e Santos não querem discutir meios de cuidar da vida (que era o que se impunha nesta crise). Propõem a ausência de vida num lado e processos de acabar com ela noutro. Assustador, este Mundo politicamente correcto, mas vazio de existência, que o presidente e o secretário-geral do Partido Socialista querem pôr à consideração de Portugal. Um sombrio universo em que se destrói a identidade específica do único mecanismo na sociedade organizada que protege a procriação, e se institui a legalidade da destruição da vida.
O resultado das duas dinâmicas, um "casamento" nunca reprodutivo e o facilitismo da morte-na-hora, é o fim absoluto que começa por negar a possibilidade de existência e acaba recusando a continuação da existência. Que soturno pesadelo este com que Almeida Santos e José Sócrates sonham onde não se nasce e se legisla para morrer.
Já escrevi nesta coluna que a ampliação do casamento às uniões homossexuais é um conceito que se vai anulando à medida que se discute porque cai nas suas incongruências e paradoxos. O casamento é o mais milenar dos institutos, concebido e defendido em todas as sociedades para ter os dois géneros da espécie em presença (até Francisco Louçã na sua bucólica metáfora congressional falou do "casal" de coelhinhos como a entidade capaz de se reproduzir). E saiu-lhe isso (contrariando a retórica partidária) porque é um facto insofismável que o casamento é o mecanismo continuador das sociedades e só pode ser encarado como tal com a presença dos dois géneros da espécie. Sem isso não faz sentido. Tudo o mais pode ser devidamente contratualizado para dar todos os garantismos necessários e justos a outros tipos de uniões que não podem ser um "casamento" porque não são o "acasalamento" tão apropriadamente descrito por Louçã.
E claro que há ainda o gritante oportunismo político destas opções pelo "liberalismo moral" como lhe chamou Medina Carreira no seu Dever da Verdade. São, como ele disse, a escapatória tradicional quando se constata o "fracasso político-económico" do regime. O regime que Sócrates e Almeida Santos protagonizam chegou a essa fase. Discutem a morte e a ausência da vida por serem incapazes de cuidar dos vivos."

(no Jornal de Notícias)

domingo, 25 de janeiro de 2009

Portugal tem saída?

No Estrago da Nação:
«...começam a suceder-se demasiados casos no passado de José Sócrates que lhe começam a pesar politicamente. De cor, recordo-me do processo de licenciatura, das ligações também perigosas à construção da estação de compostagem da Cova de Beira, dos seus antigos projectos de arquitectura na zona da Covilhã e agora este caso. Não me recordo de um primeiro-ministro com uma casa que parece ter tanta telha de vidro».

A isto resta acrescentar um trecho do artigo de opinião de Vasco Pulido Valente, no Público, no passado dia 18 de Janeiro:
"Começa agora a surgir por aí um argumento, que se aproxima da chantagem e que é bom perceber e recusar: o argumento de que o país não sobrevive sem a maioria absoluta do PS. Ou seja, o argumento de que sem autoridade de Sócrates cairíamos rapidamente no caos. (...) há aqui a extraordinária ideia de que mais vale um primeiro-ministro incompetente e cego a uma solução qualquer que, embora frágil ou efémera, evite a persistência no erro. (...) Uma dose de Sócrates levou ao que levou. Quem sabe ao que levará a segunda?"

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Obama e os EUA de sempre

Ferreira Fernandes, no DN de hoje, sob o título "É oficial: Obama é americano!" escreve isto:

"Na noite das presidenciais, o humorista Steve Colbert virou-se para um antigo professor, em Harvard, de Barack Obama e perguntou-lhe: "Então, como vai ser o socialismo?" Colbert é humorista, pode fingir ingenuidades tolas. Mais a sério, mas menos avisado, houve por cá um espanto por Obama ter escolhido, para a segurança e política externa, uma equipa musculada. Hillary Clinton, na Secretaria de Estado, Robert Gates, que passa do governo de Bush para o mesmo posto na Defesa, e o general Jim Jones, que foi comandante supremo da OTAN, para conselheiro principal de Segurança... Colbert perguntaria: "Então, não era o Dalai Lama para a Segurança? E o Michael Moore não ia ser promovido a general, para filmar a retirada das tropas do Iraque? E o Bono?..." Mas não, é oficial: o Presidente eleito vai tentar a todo o custo defender a América. Que coisa mais surpreendente! Querem ver que quando Obama dizia que queria matar (ele disse: matar) o Ben Laden era mesmo a sério?! Olha, esta era uma piada de outro humorista, Jon Stewart, na noite das presidenciais. Os humoristas americanos estão várias semanas à frente de alguns comentadores portugueses."

sábado, 10 de maio de 2008

Hipermercados - 2

Do editorial da Sábado nº 210, de 8 a 14 Maio 2008…

"Alguma direita quer que o mundo pare ao domingo por causa das missas, o Bloco de Esquerda quer que o mundo pare ao domingo por causa do emprego no comércio tradicional, o PCP quer que o mundo pare ao domingo porque não gosta da “liberalização”, o PSD quer que o mundo pare ao domingo se os presidentes da Câmara decidirem que sim, o PS não sabe bem o que fazer do mundo ao domingo e o CDS garante que sabe mas não diz. Estamos em Maio de 2008 e os partidos ainda estão a discutir – e vão continuar a discutir durante os próximos dois meses, no Parlamento – o que é que devem permitir, ou não permitir, que os portugueses façam ao domingo: podem, ou não, fazer compras nas grandes superfícies durante as horas que deviam, no mundo ideal, dedicar à Igreja ou à leitura das obras completas de Marx?"

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Blogosferando por aí - 6


1 - N'Os Canhões de Navarone, uma análise certeira sobre as posições de certa esquerda perante Chávez, esse modelo de democrata...
2- O 31 da Armada e o sistema que beneficia sempre o Porto. Quem é bom, é bom!

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Para onde vamos?

Nos jornais gratuitos de hoje li dois artigos de opinião que me apetecia transcrever integralmente. Não sendo possível, deixo apenas algumas referências.

1-
No Meia Hora, Luciano Amaral comenta uma nova lei italiana feita propositadamente após um romeno ter violentado e assassinado a mulher de um alto oficial da marinha. Vai daí, o governo de Romano Prodi (novamente primeiro-ministro de Itália, após ter sido presidente da Comissão Europeia), “perante o horror público, decidiu que o problema era dos ciganos romenos em geral, pelo que fez passar no parlamento uma lei permitindo a deportação de estrangeiros “suspeitos” de perturbar a “segurança pública”. Num estado de direito todos são inocentes até prova em contrário. A lei inverte a lógica: os estrangeiros (ciganos romenos) são suspeitos sem sequer conseguirem provar o contrário. É típico da esquerda: vive tão convencida da sua razão que quando toma medidas não pára um segundo”.
Mais à frente acrescenta:
“O que levanta um problema, não apenas sobre a Itália mas sobre a Europa em geral. Tem-se expandido pelo continente um estranho consenso no ódio ao “estrangeiro”. A mais bem intencionada pessoa de esquerda está, num instante, a verberar a xenofobia e, no seguinte, a explicar quão horríveis são “os chineses”. O primeiro-ministro italiano Prodi, que tanto lutou pela liberdade de circulação na Europa quando Presidente da Comissão Europeia, no outro dia explicava que “ninguém previu o afluxo maciço de romenos a Itália””
Enfim….

2-
O outro texto era de Jaime Antunes, publicado no OJE, e, a propósito da polémica das Estradas de Portugal, versava assim: “Os contribuintes pagam os seus impostos para o Estado fazer face `s suas despesas, entre as quais se encontram os investimentos em infraestruturas. As estradas vão ser pagas com a nova taxa/imposto; na saúde cada vez mais se impõe e bem o princípio do utilizador pagador; no ensino superior vigoram as propinas e o básico e secundário é cada vez mais uma responsabilidade das câmaras; com a factura da electricidade pagamos a RTP. O Estado não paga nada. As receitas dos impostos servem para quê?”
3-
Ainda nos jornais diários, desta vez no Diário de Notícias, Pedro Lomba escreve sobre os recentes acontecimentos na Cimeira Ibero-americana protagonizados por Hugo Chávez e pelo rei Juan Carlos. Sob o título "O dia em que fomos monárquicos", acaba por afirmar que, não sendo monárquico (eu já tive mais alergia à monarquia...), "quando Juan Carlos saiu da mesa acho que me tornei num carlista. Quero um Rei destes. Até pode ser absoluto." Eu também!
* os destaques são meus.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

As públicas virtudes

Miguel Sousa Tavares, esse cidadão que ou se ama ou se odeia, escreveu no Expresso desta semana um texto que pôs muitos pontos nos is. A ler, sob o título de "As públicas virtudes".
Escreve sobre o abandono de uma entrevista da CBS por parte de Sarkozy (que posteriormente terá dito "Fui eleito pelos franceses para resolver os seus problemas e não para me explicar sobre a minha vida privada" ) , e sobre o encerramento ao trânsito do Terreiro do Paço aos domingos.

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Contra o medo, liberdade

O homem a quem ninguém cala escreveu hoje um sonante artigo de opinião no PÚBLICO. Com direito a destacada chamada na capa do jornal.
Apenas alguns excertos:
Nasci e cresci num Portugal onde vigorava o medo. Contra eles lutei a vida inteira. Não posso ficar calado perante alguns casos ultimamente vindos a público. Casos pontuais, dir-se-á.

Mas que têm em comum a delação e a confusão entre lealdade e subserviência. Casos pontuais que, entretanto, começam a repetir-se. Não por acaso ou coincidência. Mas porque há um clima propício a comportamentos com raízes profundas na nossa história, desde os esbirros do Santo Ofício até aos bufos da PIDE. Casos pontuais em si mesmos inquietantes. E em que é tão condenável a denúncia como a conivência perante ela.

Não vivemos em ditadura, nem sequer é legítimo falar de deriva autoritária. As instituições democráticas funcionam. Então porquê a sensação de que nem sempre convém dizer o que se pensa? Porquê o medo? De quem e de quê? Talvez os fantasmas estejam na própria sociedade e sejam fruto da inexistência de uma cultura de liberdade individual.

Sottomayor Cardia escreveu, ainda estudante, que "só é livre o homem que liberta". Quem se cala perante a delação e o abuso está a inculcar o medo. Está a mutilar a sua liberdade e a ameaçar a liberdade dos outros. Ora isso é o que nunca pode acontecer em democracia. E muito menos num partido como o PS, que sempre foi um partido de homens e mulheres livres, "o partido sem medo", como era designado em 1975. Um partido que nasceu na luta contra a ditadura e que, depois do 25 de Abril, não permitiu que os perseguidos se transformassem em perseguidores, mostrando ao mundo que era possível passar de uma ditadura para a democracia sem cair noutra ditadura de sinal contrário.
(...)

António Sérgio, que é uma das fontes do socialismo português, prezava o seu "querido talvez" por oposição ao espírito dogmático. E Antero de Quental chamava-nos a atenção para estarmos sempre alerta em relação a nós próprios, porque "mesmo quando nos julgamos muito progressistas, trazemos dentro de nós um fanático e um beato". Temo que actualmente pouco ou nada se saiba destas e doutras referências.
(...)

Por isso, como em tempo de outros temores escreveu Mário Cesariny: "Entre nós e as palavras, o nosso dever falar." Agora e sempre contra o medo, pela liberdade.

Não quero acreditar que este governo, apesar da maioria absoluta, se vá embrenhar por estes caminhos.
O que é preocupante, como refere o próprio Manuel Alegre, é a proliferação de indivíduos mais papistas que o Papa, e que ancorados numa confusão entre lealdade e subserviência recorrem à delação. E assim vão implantando o medo numa sociedade já de si receosa. E por isso menos livre.