terça-feira, 29 de setembro de 2009

Perigo de derrocada

"Tenho por hobbie observar pessoas e imaginar quem elas levam lá dentro. Imaginar quantas pessoas há para além daquela e muitas das vezes perceber que não existe lá ninguém . Nada. Há pessoas que vivem sem ninguém lá dentro, ouviram? Porque estão vazias ou por as esvaziaram a dado momento e daí não serem habitáveis."

Do improvável Fernando Alvin, no Espero bem que não.

Vale a pena ler o texto completo.

CDS: mensagem entendida

«Não, não e outra vez não. A recusa vem acompanhada de frases igualmente definitivas: "Só se fossemos suicidas"; "Não foi para isso que votaram em nós"; "Seria muito pouco inteligente fazer isso". O "isso", entenda-se, é um acordo do CDS com os socialistas. Os democratas-cristãos até soletram : "N-A-O"» (DN)

A palavra de Cavaco

A declaração de Cavaco Silva, esta noite, é gravíssima. Porque não o fez antes das eleições?!
Percebo que não quisesse falar antes, para não interferir na campanha para as legislativas, mas fê-lo (e de que maneira!) quando demitiu Fernando Lima. Sem uma palavra, fez ruído suficiente.
As dúvidas que deixou são legítimas.
E as declarações que fez esta noite são graves. Acusa um dos contendores das eleições legislativas. Não seria útil para os cidadãos-eleitores saberem disto antes de votarem?
Teria sido mais esclarecedor que o tivesse feito.
Depois desta declaração, como vai Cavaco Silva dar posse a um governo liderado por José Sócrates e tutti quanti?

domingo, 27 de setembro de 2009

É oficial

592.064 eleitores
21 deputados

Resultados finais

(infografia do Público. Carregar na imagem para ampliar)


PS
2005: 45,0% (121 deputados)
2009: 36,6% (96)

PSD:
2005: 28,8% (75)
2009: 29,1% (78)

CDS
2005: 7,2% (12)
2009: 10,5% (21)

PCP
2005: 7,5% (14)
2009: 7,9% (15)

BE
2005: 6,4% (8)
2009: 9,9% (16)

Alguns dados:
- a esquerda só consegue a maioria absoluta se juntar PS + PCP + BE.
- PS + CDS formam maioria absoluta. Espero que o CDS não o faça.

Teve?

José Sócrates;
"O Partido Socialista teve esta noite uma extraordinária vitória eleitoral"

Camparando resultados: 2005 vs 2009

Com base na informação da RTP, é possível comparar os resultados das legislativas entre 2005 e 2009:

A dúvida da noite - 2

Sendo o PS vencedor destas eleições (com bem menos que em 2005: 45,03%), resta saber se se irá juntar a alguém.
E, caso se junte, com quem.

A dúvida da noite

A posição do CDS: 3º ou 4º.

As projecções da TVI dão-no em 3º lugar.
Os resultados oficiais neste momento dão-no também em 3º lugar.

Eu sempre disse que o CDS ia ter um grande resultado nestas eleições.
E este resultado tem um rosto: Paulo Portas.

Uma nota: qualquer que seja o resulta, o CDS não deve coligar-se com o PS. Perderia tudo o que ganhou nos últimos meses em termos de credibilidade e votação.

Vitória de Pirro

Alberto Martins (PS): "o PS teve uma grande vitória"

Vou ali rir e já volto.
Um partido que tinha uma maioria absoluta (absoluta!) passa a ter, no máximo, 40%... Uau!
Isto não é bem uma "grande vitória"...

Sondagens à boca de urna: gosto da da TVI.
Espero que se confirme o CDS como terceira força.

sábado, 26 de setembro de 2009

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Parafraseando - 52


"Quando as pessoas são felizes, não reparam se é Inverno ou Verão."


Anthon Tchekhov

A Falar com Letras deu a chave da caixinha: "O segredo está em olhar para tudo com o mesmo deslumbramento que da primeira vez, como se tudo fosse novo e desconhecido. SEMPRE...!"

Um pré-balanço das eleições

Encerra-se esta noite a campanha eleitoral para as legislativas.
A campanha, tal como muitas outras, foi uma campanha de casos. Com muitos dos assuntos centrais para o país a serem deixados de lado.
As duas semanas de campanha oficial foram feitas a dois tempos. Na primeira parte, o PS atacou Manuela Ferreira Leite pela voz do líder. Na segunda parte, o trabalho sujo ficou para figuras de segunda linha. E Sócrates pôde olhar para a frente.
Manuela Ferreira Leite ficou muito agarrada à crítica ao governo e a Sócrates. Para descolar nesta segunda semana, precisava de olhar para frente. Quanto a mim, é isto que as últimas sondagens demonstram, deixando-a a 8% do PS.

Como está José Gil a afirmar agora na SIC-N, se as eleições tivessem sido em Junho, Sócrates teria perdido. Se a campanha durasse mais uma semana, com esta dinâmica de vitória, o PS repetiria a maioria absoluta.

Domingo é o veredicto real.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Heterónimos

Há dias em que me sinto um Fernando Pessoa pequenino, tantos são os espaços em que deixo um pouco de mim. Tantos são os eus em que me reconheço.

Uma sondagem para domingo

Hoje foi dia de sondagem.
O PS descola do empate técnico que tinha com o PSD a semana passada.
O PSD fica-se.
O BE – felizmente! – cai de 16% para 9%. E mesmo assim é muito voto.
O CDS e a CDU sobem, sendo que o primeiro ascende a quarto partido.

Há coisas boas e coisas más nesta sondagem.
A minha intenção de voto é pública. E acho que o CDS irá ter muitos mais votos doque a sondagem aponta.
Tendo em conta esta sondagem – que espero não se concretize – há algo que gostava de dizer para já: caso o PS seja vencedor, prefiro que o seja com o maior número possível de votos, para não ter de depender do BE.

Falsos alarmismos

Ontem, com direito a anúncio ministerial, esta notícia: "Homem com 41 anos é o primeiro caso de morte com gripe A"
Vamos ler a notícia no PÚBLICO e damos de caras com algumas frases que desmentem a própria notícia:
"Não é líquido, porém, para os médicos, que o vírus da gripe A tenha sido a causa directa da morte."
"O emigrante fez um transplante renal há 14 anos e estava em processo de rejeição do órgão."

Rrrrrr!!!!!
Esta notícia é igual a dizerem: o homem estava constipado e levou um tiro. Logo... morreu devido à constipação.
Bah!!!!
Quando param com estas barbaridades???

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Pai...

... hoje seriam 74.

A mão invisível

Pacheco Pereira tem razão quando afirma isto:

"O Presidente da República tem certamente coisas graves para dizer ao país e entendeu que se as dissesse interferia no acto eleitoral. Muito bem, compreende-se que o faça, embora também se interfira na campanha por omissão. Mas o Presidente rompeu o seu próprio silêncio e "falou" através da demissão do seu assessor de imprensa e, sendo assim, interferiu de facto na campanha eleitoral. Mais valia agora que dissesse tudo para não acordarmos no dia 28 sabendo coisas que mais valia que fossem conhecidas já. Para contarem para a decisão de voto dos portugueses, com cujo resultado final ele já está inevitavelmente comprometido." (Abrupto)

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Cantinho do poeta - 58

Sísifo

Recomeça…
Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro,
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar
E vendo
Acordado,
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças.

Miguel Torga, Diário XIII

O que falta saber

Tenho para mim que esta história das escutas em Belém, das palavras e actos de Cavaco Silva, e todo o folclore associado - potenciado pelo período eleitoral - está longe de estar bem explicada.
Cavaco não costuma perdoar falhas. Aguardamos pelo dia seguinte às eleições legislativas. Ganhe quem ganhe.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Os meus amigos

"Escolho os meus amigos não pela pele ou por outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não me interessam os bons de espírito, nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero o meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e aguentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero-os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.

Escolho os meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta.
Não quero só o ombro ou o colo, quero também a sua maior alegria.
Amigo que não ri connosco não sabe sofrer connosco.
Os meus amigos são todos assim: metade disparate, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade a sua fonte de aprendizagem, mas que lutam para que a fantasia não desapareça.

Não quero amigos adultos, nem chatos.
Quero-os metade de infância e outra metade de velhice.
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.

Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois vendo-os loucos e santos, tolos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que a normalidade é uma ilusão imbecil e estéril."

Oscar Wilde

Sete vidas - 16

Imagem gentilmente cedida pela M. do Estante de Livros

domingo, 20 de setembro de 2009

Para a minha irmã


Um filme brutalmente intenso.

O Cinecartaz faz uma bela resenha do filme:
“Concebida através de métodos de fertilização "in vitro", o nascimento de Anna Fitzgerald (Abigail Breslin) teve um objectivo preciso: salvar a sua irmã Kate (Sofia Vassilieva), com leucemia, através de um transplante de medula óssea.
Depois de onze anos de testes e hospitalizações, e estando Kate a precisar agora, e com urgência, de um transplante renal, Anna decide processar os seus próprios pais (Cameron Diaz e Jason Patric), pedindo emancipação médica de forma a ter total poder sobre o seu próprio corpo e deixar de ser tratada apenas como um meio para atingir um fim. O advogado Alexandre Campbell (Alec Baldwin) decide ajudá-la, "pro bono", neste processo delicado. Mas as razões de Anna são mais profundas do que aparentam...”

Com desempenhos excelentes de todos, sobretudo das duas irmãs, é um filme que nos toca profundamente. Os primeiros minutos, de uma simplicidade notável, e narrados pela Anna, anunciam já o que nos espera ao longo de toda a história.

Tal como me tem acontecido ultimamente nos filmes que vejo, saí com vários pontos de interrogação no lugar da cabeça:
- o que é o amor?
- o que fazemos quando amamos alguém?
- onde vamos buscar forças quando não as temos?
- até onde/quando podemos segurar/agarrar alguém que amamos?
- como é amar quando não sabemos como fazê-lo?
- onde fica o limite do amor que dedicamos a alguém?
- o segredo é libertar.

“Para a minha irmã” (originalmente My sister’s keeper) é um dos grandes filmes deste ano.
E revela-nos uma Cameron Diaz fora dos registos habituais, mas muito consistente.

A outra face do Bloco

Ontem o Expresso fazia capa com aquilo que o BE condena publicamente, mas beneficia em privado.
Esta dualidade é ainda mais grave quando um partido - como o BE faz permanentemente! - apregoa a pureza e a política asséptica (ou outras coisas deste género).

Roubando parte de um post ao Corta-fitas:
"O problema aqui é ético. Quem se dedica à vida pública e à política em particular não pode, de modo algum, apregoar uma coisa e fazer outra. Muitas das coisas que o Bloco defende, e o Daniel sabe-o, interferem com aspectos da vida privada dos cidadãos e, como tal, quem defende estas interferências tem de sofrer consequências. O Bloco condena os especuladores da bolsa, os accionistas, o capitalismo – para facilitar. Ora, ao condenar o capitalismo em público tirando dele os benefícios que traz em privado é simplesmente hipócrita."

Uma das coisas boas desta campanha eleitoral é o facto de finalmente alguém ter começado a olhar para dentro do programa deste partido.
O primeiro foi Sócrates no debate com Louçã. Depois foi Portas.
Infelizmente o programa totalitário deste partido-maravilha não tem sido devidamente esmiuçado. Apenas se olha para a retórica de Louçã. E muitos vão embalados nisso.
Como se viu nesses debates, ou mesmo no Gato Fedorento, Louçã muda de expressão e fica atrapalhado quando confrontado com meia dúzia de medidas que tem no seu programa.
Mas é isso que é preciso fazer: descascar o BE da sua retórica.
A ver se os ingénuos que irão votar no BE continuariam a votar se de facto vissem o que se esconde ali. E os menos ingénuos jovens que votam BE iriam ficar felizes caso este partido chegue ao governo e destrua o seu modelo de vida.

E se há coisa que o Bloco de Esquerda não é, é um partido de centro.
É um partido de esquerda radical.

Podem espreitar uma lista dos disparates propostos no programa do BE aqui.
Quem quiser viver na Albânia, faça favor de votar nestes senhores.

É isto que é preciso ver!

sábado, 19 de setembro de 2009


Sou muito mais do que pareço e menos do que gostaria de ser.


Sete vidas - 15

A caminho do dia 27...

A caminho das eleições legislativas, várias sondagens vão surgindo.
Há uma semana havia um empate técnico entre PS e PSD. Nos inquéritos desta semana, já com os debates concluídos, depois do “escândalo TVI” e com alguns candidatos esmiuçados no Gato Fedorento, o PS surgem com algum destaque face ao PSD. No entanto, ainda bem longe da maioria absoluta.
A indefinição de resultados é uma constante. Ninguém sabe o que se irá passar a 27 de Setembro. E no dia seguinte.
Uma maioria absoluta parece longe de qualquer horizonte.
Se assim for, e dada a previsível fragmentação parlamentar, os próximos dois anos serão dramáticos politicamente. Falo em dois anos porque também me parece que daqui a dois anos teremos novas eleições legislativas.
Para já…
O PSD não descola.
O PS não convence.
Há quem acredite que o BE é um partido de centro. Eles próprios “acreditam” nisso. Isto arrepia-me.
O CDS está a fazer uma boa campanha. Promissora. Até nas sondagens.
O PCP (ou CDU…) mantém-se igual a si mesmo.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Esmiuçar os sufrágios - MFL

Manuela Ferreira Leite foi esmiuçada hoje pelos Gato Fedorento.
Sem comparação possível com Sócrates ontem.
Sócrates estava mais que ensaiado.
Manuela Ferreira Leite foi genuína, natural, irónica, humana, com humor, inteligente.
Sem nada a ver com
a prestação francamente má de Sócrates ontem.
Viu-se que MFL ficava atrapalhada em várias perguntas. Pensava no que ia dizer. Mas as suas respostas surpreendiam. "Entalaram" o Ricardo Araújo Pereira frequentemente.
RAP esteve bem: interventivo, provocador. Como devia ter estado ontem.

Deve ter ganho uma série de votos nos breves minutos que passou no programa da SIC.

Amanhã será a vez de Paulo Portas ser esmiuçado.

Hush Hush

Gosto desta música das The Pussycat Dolls:



E aquela parte final com outra música de que sempre gostei, a "first I was affraid..."
Em grupo, levantar a perna... Cansativo, mas brutal!