Mostrar mensagens com a etiqueta palavras. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta palavras. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

O peso das palavras

A partir do PÚBLICO, terão sido estas as palavras mais usadas por Obama no seu discurso inaugural como presidente americano.
Mal encontre esse discurso em português, virá parar a este humilde blogue.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Palavras impossíveis

"Quando chegar o dia, diferente dos outros, conseguirei em qualquer decurso do teu toque fixar as minhas palavras nos teus olhos.
Impossível não teres reparado em como sou incapaz de te dizer tudo o que escrevo."

Do Corta-fitas, na série "Vamos hoje para a varanda?"

terça-feira, 3 de junho de 2008

Waiting...

"Sou alguém que espera ser aberto por uma palavra"
António Ramos Rosa

Copiado do Life Is A Masterpiece

Também gostei do primeiro comentário: "Tudo começa com um olá"


terça-feira, 22 de abril de 2008

Palavras

Há dias em que as palavras deviam ser quase proibidas. Ou pelo menos ter um sensor que permitisse medir o impacto que têm naqueles a quem se destinam.
Quando as palavras voltam como bumerangues com a força de mísseis, apanham-nos de surpresa... porque se transformaram naquilo que não quiseram dizer. Porquê?!
Hoje duvido dos sentidos das palavras. Quero um novo dicionário!
Hoje calo-me. Não sei.

"Quando tudo parecer perdido... não desespere. Sempre tem o amanhã e com ele novas esperanças"


terça-feira, 18 de setembro de 2007

As palavras

"... Sim Senhor, tudo o que queira, mas são as palavras as que cantam, as que sobem e baixam... Prosterno-me diante delas... Amo-as, uno-me a elas, persigo-as, mordo-as, derreto-as... Amo tanto as palavras... As inesperadas... As que avidamente a gente espera, espreita até que de repente caem... Vocábulos amados... Brilham como pedras coloridas, saltam como peixes de prata, são espuma, fio, metal, orvalho... Persigo algumas palavras... São tão belas que quero colocá-las todas no meu poema... Agarro-as no voo, quando vão zumbindo, e capturo-as, limpo-as, aparo-as, preparo-me diante do prato, sinto-as cristalinas, vibrantes, ebúrneas, vegetais, oleosas, como frutas, como algas, como ágatas, como azeitonas... E então as revolvo, agito-as, bebo-as, sugo-as, trituro-as, adorno-as, liberto-as... Deixo-as como estalactites em meu poema; como pedacinhos de madeira polida, como carvão, como restos de naufrágio, presentes da onda... Tudo está na palavra... Uma ideia inteira muda porque uma palavra mudou de lugar ou porque outra se sentou como uma rainha dentro de uma frase que não a esperava e que a obedeceu... Têm sombra, transparência, peso, plumas, pêlos, têm tudo o que, se lhes foi agregando de tanto vagar pelo rio, de tanto transmigrar de pátria, de tanto ser raízes... São antiquíssimas e recentíssimas. Vivem no féretro escondido e na flor apenas desabrochada... Que bom idioma o meu, que boa língua herdamos dos conquistadores turvos... Estes andavam a passos largos pelas tremendas cordilheiras, pelas Américas encrespadas, buscando batatas, butifarras, feijõezinhos, tabaco negro, ouro, milho, ovos fritos, com aquele apetite voraz que nunca mais se viu no mundo... Tragavam tudo: religiões, pirâmides, tribos, idolatrias iguais às que eles traziam em suas grandes bolsas... Por onde passavam a terra ficava arrasada... Mas caíam das botas dos bárbaros, das barbas, dos elmos, das ferraduras. Como pedrinhas, as palavras luminosas que permaneceram aqui resplandecentes... o idioma. Saímos perdendo... Saímos ganhando... Levaram o ouro e nos deixaram o ouro... Levaram tudo e nos deixaram tudo... Deixaram-nos as palavras. "


Pablo Neruda

terça-feira, 26 de junho de 2007

Sem palavras!

Há coisas absolutamente geniais. Esta é uma delas.
Redacção feita por uma aluna de Letras, que obteve a vitória num concurso interno promovido pelo professor da cadeira de Gramática Portuguesa.

"Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador.
Um substantivo masculino, com aspecto plural e alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. O artigo, era bem definido, feminino, singular. Ela era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal. Era ingénua, silábica, um pouco átona, um pouco ao contrário dele, que era um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanático por leituras e filmes ortográficos.
O substantivo até gostou daquela situação; os dois, sozinhos, naquele lugar sem ninguém a ver nem ouvir. E sem perder a oportunidade, começou a insinuar-se, a perguntar, conversar. O artigo feminino deixou as reticências de lado e permitiu-lhe esse pequeno índice.
De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro.
Óptimo, pensou o substantivo; mais um bom motivo para provocar alguns sinónimos. Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeçou a movimentar-se. Só que em vez de descer, sobe e pára exactamente no andar do substantivo.
Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela no seu aposento. Ligou o fonema e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, suave e relaxante. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela.
Ficaram a conversar, sentados num vocativo, quando ele recomeçou a insinuar-se. Ela foi deixando, ele foi usando o seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo.
Todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo directo.Começaram a aproximar-se, ela tremendo de vocabulário e ele sentindo o seu ditongo crescente. Abraçaram-se, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples, passaria entre os dois.Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula.
Ele não perdeu o ritmo e sugeriu-lhe que ela lhe soletrasse no seu apóstrofo. É claro que ela se deixou levar por essas palavras, pois estava totalmente oxítona às vontades dele e foram para o comum de dois géneros.
Ela, totalmente voz passiva. Ele, completamente voz activa. Entre beijos, carícias, parónimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais.
Ficaram uns minutos nessa próclise e ele, com todo o seu predicativo do objecto, tomava a iniciativa. Estavam assim, na posição de primeira e segunda pessoas do singular.
Ela era um perfeito agente da passiva; ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular.
Nisto a porta abriu-se repentinamente.
Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo e entrou logo a dar conjunções e adjectivos aos dois, os quais se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas.
Mas, ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tónica, ou melhor, subtónica, o verbo auxiliar logo diminuiu os seus advérbios e declarou a sua vontade de se tornar particípio na história. Os dois olharam-se; e viram que isso era preferível, a uma metáfora por todo o edifício.
Que loucura, meu Deus!
Aquilo não era nem comparativo. Era um superlativo absoluto. Foi-se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado aos seus objectos. Foi-se chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo e propondo claramente uma mesóclise-a-trois.
Só que, as condições eram estas:
Enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria no gerúndio do substantivo e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.O substantivo, vendo que poderia transformar-se num artigo indefinido depois dessa situação e pensando no seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história. Agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, atirou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva."
A aluna: Fernanda Braga da Cruz
Descobri esta maravilha na Estrela da Marisa.

sexta-feira, 25 de maio de 2007

Segundas intenções…

Isto de dizermos uma coisa, com a maior das inocências e sem qualquer segunda intenção, e levarmos à queima-roupa com um tiro como se tivéssemos dito uma coisa que nem sequer nos passou pela cabeça é complicado.
A palavra, essa coisa volátil que mal nos escapa deixa de nos pertencer.
E surpreende-nos, fere-nos, deixa-nos sem palavras.
Como reagir? Desmentir uma coisa que não dissemos.

sábado, 12 de maio de 2007

Fala-se e escreve-se com poucas e más palavras

No site da RTP (excertos):
«A tendência para simplificar a fala e a escrita quotidianas espelha o empobrecimento do uso da língua, segundo professores, escritores e tradutores portugueses - mas os linguistas atribuem o fenómeno ao empobrecimento de raciocínio e ao défice cultural dos falantes.
Segundo profissionais das Letras ouvidos pela Agência Lusa, o uso redutor do vocabulário português reflecte-se na escrita quase "telegráfica" das mensagens de telemóvel e correio electrónico, na literatura "leve", nas conversas pouco argumentativas, nos debates televisivos com "frases feitas", na "pressa" das notícias e legendagens dos filmes e no "facilitismo" do ensino.

(...)

"Pensamento pobre não pode gerar uma linguagem rica", sentencia (Maria Lúcia Garcia Marques, investigadora do Centro de Linguística da Universidade de Lisboa), acrescentando que os níveis sócio-cultural e de literacia dos falantes, assim como as suas vivências e condutas sociais e a escolha dos temas que querem tratar explicam a opção pelo uso mais ou menos rico da Língua, desde o calão à poesia.

(...)

De acordo com o especialista (José Victor Adragão, sociolinguista), o fenómeno é visível na banalização da palavra "cena" em substituição de "coisa", na adjectivação "paupérrima" e repetitiva das notícias, na incapacidade de as pessoas manterem uma boa conversa "a três" ou na legendagem de filmes com tradução "à letra".

(...)

Para o uso redutor do vocabulário, que "também ocorre noutras Línguas, como o Inglês e o Francês", a docente (Maria Lúcia Lepecki, professora do Departamento de Literaturas Românicas da Faculdade de Letras de Lisboa) encontra dois motivos: a falta da leitura atenta, que permite registar palavras desconhecidas ou esquecidas, e a "perda progressiva da arte da conversa argumentativa".

"Todo o pensamento minimamente consistente pede precisão de vocabulário: se conversarmos de verdade, precisaremos de tirar palavras da prateleira e, até, de inventar novas", advoga, acrescentando que há "um crescente desprestígio relacionado com o requinte da linguagem".
"Quanto mais restrito for o vocabulário, menor é a capacidade de pensar, menor a do exercício da crítica", reforça, por sua vez, o escritor Mário de Carvalho, salientando que isso é desencadeado sobretudo pela televisão.

E é na televisão que o tradutor e professor universitário Pedro Braga Falcão, de 25 anos, detecta mais maus-tratos linguísticos: o uso de "clichés, frases feitas, pré-formatadas e estereotipadas".
"Basta ouvir um discurso do primeiro-ministro ou um daqueles malfadados programas opinativos, onde há um mestre-opinião, um jornalista-opinião e o público-opinião, todos alegremente opinando, para perceber que não há o mínimo gosto em encontrar a forma mais bonita, sentida, correcta de se veicular uma mensagem", sustenta.»