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terça-feira, 24 de março de 2009

Luva branca

Terminou hoje a viagem de Bento XVI a África, nomeadamente aos Camarões e a Angola.
Em terras lusas, só se deu importância a uma declaração sobre o preservativo. Certamente desajeita e desenquadrada da realidade.
Mas... era suposto a Igreja dizer outra coisa? Não foi isto que sempre disse? Qual a diferença desta declaração de Bento XVI de outras de João Paulo II?
Vamos ao que interessa: por que não foi dado tanto relevo noticioso a chamadas de atenção que o Papa fez sobre a corrupção, pobreza, diferenças sociais...? Foi o único a ter coragem para denunciar estas situações. E não precisa de andar com as elites corruptas desses países ao colo. Foi uma bofetada de luva branca. Sem silêncios prudentes ou envergonhados.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Que Europa?

Esperemos que a ideia aqui avançada de que Sarkozy, enquanto a França preside à UE, pretende a criação de um “bunker europeu” seja apenas uma forma descuidada de colocar a questão.

A UE não se pode constituir como um castelo inalcançável para o qual olham os miseráveis à volta, sobretudo a sul do Mediterrâneo.

E isto por vários motivos:

- enquanto humanidade comum, o mal-estar de alguns é o mal-estar de todos (este é o wishful thinking)

- um dia os miseráveis à volta podem juntar-se e saltar as muralhas do castelo;

- se os povos à volta forem mais desenvolvidos, ajudam ao bem-estar europeu: não vêm todos para cá, vivem melhor e têm poder de comprar para adquirir os nossos produtos. Foi esta ideia que Zapatero, com notável clarividência, defendeu ainda há alguns meses num cimeira UE-África que houve por terras de Portugal. Claro que isto implica deixar os paninhos quentes com a corrupção e cleptocracia das elites de muitos países africanos.

domingo, 9 de dezembro de 2007

Cimeira UE - África


A Cimeira UE-África chegou ao fim.
Quase todos os noticiários centraram as suas “notícias” em baboseiras laterais como o trânsito, uns ensaios de manifestações nas imediações da FIL, as refeições e as tendas. E centraram o circo nas personalidades de Mugabe e de Kadhafi.
O que se discutia de concreto dentro da FIL? Pouco se sabe.
Basta ler esta notícia sobre uma declaração do chefe de Governo espanhol, Zapatero. O título da notícia é uma baboseira. O relevante está no meio: "A imigração ilegal é um grande fracasso colectivo. Foi proposto um grande acordo entre a União Europeia e África para combater a imigração irregular". E nesta declaração explicou que desenvolvendo África evita-se a imigração ilegal (“Imigração irregular” é o quê?). Em vez de se centrar no fundamental, noticia o acessório.

Esta manhã, na rádio, ouvi que tinha sido proposto uma abertura mútua de fronteiras entre UE a África, facilitando assim trocas comerciais. A bondade europeia é tocante. Entram matérias-primas africanas, e os países europeus vendem os produtos. É uma imposição da Organização Mundial do Comércio… mas a liberalização não funciona igualmente para os dois lados. Lembro-me os famosos “14 pontos de Wilson”, no início do séc. XX… Como esta questão comercial foi polémica, a Comissão europeia, atráves da presidência, disponibilizou-se para continuar as negociações ao mais alto nível nos próximos anos, por forma a desbloquear a situação.

As declarações de Sócrates na sessão de encerramento são de uma vacuidade absoluta.
A entrevista do José Manuel Mestre, na SIC Notícias, a Durão Barroso, no fim da cimeira, esclareceu mais que vários dias de pseudo-notícias.

Mas, após ter lido “Portugal – o pioneiro da globalização”, não podemos deixar de sorrir ao ouvir tanta declaração bem intencionada dos vários líderes presentes na cimeira. Tendo presente alguma análise histórica, estes eventos só podem ser vistos em perspectiva.
Claro que a Parceria Estratégica EU-África é importante. Claro que os entendimentos alcançados são importantes (Durão Abrroso disse: "Desta cimeira sai um plano de acção para os próximos três anos, contemplando as áreas das migrações, da energia, dos direitos humanos, das alterações climáticas e da investigação científica"). Mas uma perspectiva histórica relativiza tudo isto.
No ABRUPTO:
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