domingo, 11 de março de 2012
Pessoa - plural como o universo
terça-feira, 24 de maio de 2011
Definindo-nos
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Cantinho do poeta - 68
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Parafraseando - 72
Fernando Pessoa, in "Heróstato"
Raquel, obrigado pelo texto.
sábado, 31 de janeiro de 2009
Cantinho do poeta - 49
"Eu sou uma antologia,
Escrevo tão diversamente
Que pouca ou muita a valia
Dos poemas, ninguém diria
Que o poeta é um somente."
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
E 2009 abre a porta...
E eis que 2008 fecha a porta daqui a poucas horas…
Será hora de balanço, e hora de perspectivar os próximos 365 dias que espreitam.
2008 trouxe algumas mudanças, talvez menos que as desejadas há um ano. Mas significativas e que espero sejam esteira para mais algumas em 2009.
O ano que agora se despede, se pudesse ser encerrado em apenas uma palavra, seria “intimista”. Porque conhecer novas pessoas – ou algumas já conhecidas de forma diferente e mais profunda – é como abrir novas janelas. E foi isto o mais importante.
Depois haverá alguns desapontamentos, o que não conseguimos realizar. E aqui reside o ponto que irá requerer mais empenho em 2009. Mais ambição. Mais espírito positivo. Mais abertura ao inesperado. Mais. Mais. Mais.
Ao jeito do último filme do Jim Carrey: “Sim!” Apenas uma palavra para abrir muitas portas.
Como canta o Jorge Palma, “enquanto houver estrada para andar/a gente não vai parar”. O importante é o step by step…
E uma nova porta se abre: 2009… que seja um ano de mudança e de mudanças.
"Persegue um sonho, mas não o deixes viver sozinho!Deixa-te levar pelas vontades, mas não enlouqueças por elas!
Acelera os teus pensamentos, mas não permitas que eles te consumam!
Procura os teus caminhos, mas não magoes ninguém nessa procura.
Arrepende-te, volta atrás, pede perdão!
Não te acostumes com o que não te faz feliz,
Revolta-te quando julgares necessário.
Alaga o teu coração de esperanças, mas não deixes que ele se afogue nelas.
Se achares que precisas voltar, volta!
Se perceberes que precisas seguir, segue!
Se estiver tudo errado, começa de novo.
Se estiver tudo certo, continua.
Se sentires saudades, mata-as.
Se perderes um amor, não te percas!
Se o achares, segura-o!"
(Fernando Pessoa)
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
Cantinho do poeta - 43
Pela mão de Fernando Pessoa*, o regresso:
No limiar que não é meu
Sento-me e deixo o irreflectido olhar
Encher-se, sem eu ver, de campo e céu.
Se é tarde ou cedo, deixo de notar,
Nada me diz de si qualquer cousa que eu
Possa gozar.
Pelos campos sem fim
Sinto correr, porque na face o sinto,
Um vago vento, estranho todo a mim.
Não sei se penso, ou em que dor consinto
Que seja minha ou desespero sem ter fim,
Ou se minto.
* Poesia I (1902-1929)
sexta-feira, 13 de junho de 2008
Parafraseando - 16
Caeiro em Pessoa

Caeiro
Gosto do céu porque não creio que ele seja infinito.
Que pode ter comigo o que não começa nem acaba?
Não creio no infinito, não creio na eternidade.
Creio que o espaço começa numa parte e numa parte acaba
E que agora e antes disso há absolutamente nada.
Creio que o tempo tem um princípio e tem um fim,
E que antes e depois disso não havia tempo.
Porque há-de ser isto falso? Falso é falar de infinitos
Como se soubéssemos o que são de os podermos entender.
Não: tudo é uma quantidade de coisas.
Tudo é definido, tudo é limitado, tudo é coisas.
Hoje no jornal PÚBLICO.
segunda-feira, 2 de junho de 2008
Cantinho do poeta - 41
Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...
Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!
Grande é a poeisa, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.
O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...
16-03-1935
In "Poesia - III (1934 - 1935)", Europa-América
quarta-feira, 28 de maio de 2008
Cantinho do poeta - 40
E é só uma papoula
Sozinha, com esse ar de "queres?"
Veludo da natureza tola.
Coitada!
Por ela
Saí da marcha pela estrada.
Não a ponho na lapela.
Oscila ao leve vento, muito
Encarnada a arroxear.
Deixei no chão o meu intuito.
Caminharei sem regressar.
In "Poesia - II (1930 - 1933)", Europa-América.
segunda-feira, 26 de maio de 2008
Pessoa ao longe
"Uma parte significativa do espólio de Fernando Pessoa que ainda se encontra na posse de familiares do poeta vai ser leiloada em Outubro, em Lisboa, pela P4 Photography. Um dos documentos que pode atingir somas consideráveis é o chamado dossier Pessoa-Crowley, que reúne todos os papéis relativos ao encontro do poeta português com ocultista inglês Aleister Crowley, em 1930."
O Estado ainda está a pensar se pode comprar...
Fosse num país anglo-saxónico ou do norte da Europa, e o Estado não se poupava a esforços para manter tão importantes registo no país.
Trata-se apenas de registos daquele que deve ser o maior vulto da cultura portuguesa dos últimos cem anos. E não apenas pela poesia, mas por todo o seu pensamento.
quarta-feira, 9 de abril de 2008
Cantinho do poeta - 38
Quando o vento cresce e parece que chove mais.
Alberto Caeiro/ Fernando Pessoa
quarta-feira, 26 de março de 2008
Cantinho do poeta - 35
Persegue um sonho, mas não o deixes viver sozinho!
Deixa-te levar pelas vontades, mas não enlouqueças por elas!
Acelera os teus pensamentos, mas não permitas que eles te consumam!
Procura os teus caminhos, mas não magoes ninguém nessa procura.
Arrepende-te, volta atrás, pede perdão!
Não te acostumes com o que não te faz feliz,
Revolta-te quando julgares necessário.
Alaga o teu coração de esperanças, mas não deixes que ele se afogue nelas.
Se achares que precisas voltar, volta!
Se perceberes que precisas seguir, segue!
Se estiver tudo errado, começa de novo.
Se estiver tudo certo, continua.
Se sentires saudades, mata-as.
Se perderes um amor, não te percas!
Se o achares, segura-o!
Fernando Pessoa
sexta-feira, 21 de março de 2008
Cantinho do poeta - 32
Poema do Menino Jesus
Num meio-dia de fim de Primavera
Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe.
Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
No céu tudo era falso, tudo em desacordo
Com flores e árvores e pedras.
No céu tinha que estar sempre sério
E de vez em quando de se tornar outra vez homem
E subir para a cruz, e estar sempre a morrer
Com uma coroa toda à roda de espinhos
E os pés espetados por um prego com cabeça,
E até com um trapo à roda da cintura
Como os pretos nas ilustrações.
Nem sequer o deixavam ter pai e mãe
Como as outras crianças.
O seu pai era duas pessoas -
Um velho chamado José, que era carpinteiro,
E que não era pai dele;
E o outro pai era uma pomba estúpida,
A única pomba feia do mundo
Porque nem era do mundo nem era pomba.
E a sua mãe não tinha amado antes de o ter.
Não era mulher: era uma mala
Em que ele tinha vindo do céu.
E queriam que ele, que só nascera da mãe,
E que nunca tivera pai para amar com respeito,
Pregasse a bondade e a justiça!
Um dia que Deus estava a dormir
E o Espírito Santo andava a voar,
Ele foi à caixa dos milagres e roubou três.
Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido.
Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.
Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz
E deixou-o pregado na cruz que há no céu
E serve de modelo às outras.
Depois fugiu para o Sol
E desceu no primeiro raio que apanhou.
Hoje vive na minha aldeia comigo.
É uma criança bonita de riso e natural.
Limpa o nariz ao braço direito,
Chapinha nas poças de água,
Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.
Atira pedras aos burros,
Rouba a fruta dos pomares
E foge a chorar e a gritar dos cães.
E, porque sabe que elas não gostam
E que toda a gente acha graça,
Corre atrás das raparigas
Que vão em ranchos pelas estradas
Com as bilhas às cabeças
E levanta-lhes as saias.
A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as coisas.
Aponta-me todas as coisas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas.
Diz-me muito mal de Deus.
Diz que ele é um velho estúpido e doente,
Sempre a escarrar para o chão
E a dizer indecências.
A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia.
E o Espírito Santo coça-se com o bico
E empoleira-se nas cadeiras e suja-as.
Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica.
Diz-me que Deus não percebe nada
Das coisas que criou -
"Se é que ele as criou, do que duvido." -
"Ele diz por exemplo, que os seres cantam a sua glória,
Mas os seres não cantam nada.
Se cantassem seriam cantores.
Os seres existem e mais nada,
E por isso se chamam seres."
E depois, cansado de dizer mal de Deus,
O Menino Jesus adormece nos meus braços
E eu levo-o ao colo para casa.
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.
Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.
Ele é o humano que é natural.
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E por isso é que eu sei com toda a certeza
Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.
E a criança tão humana que é divina
É esta minha quotidiana vida de poeta,
E é por que ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre.
E que o meu mínimo olhar
Me enche de sensação,
E o mais pequeno som, seja do que for,
Parece falar comigo.
A Criança Nova que habita onde vivo
Dá-me uma mão a mim
E outra a tudo que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver,
Saltando e cantando e rindo
E gozando o nosso segredo comum
Que é saber por toda a parte
Que não há mistério no mundo
E que tudo vale a pena.
A Criança Eterna acompanha-me sempre.
A direcção do meu olhar é o seu dedo apontado.
O meu ouvido atento alegremente a todos os sons
São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas.
Damo-nos tão bem um com o outro
Na companhia de tudo
Que nunca pensamos um no outro,
Mas vivemos juntos e dois
Com um acordo íntimo
Como a mão direita e a esquerda.
Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas
No degrau da porta de casa,
Graves como convém a um deus e a um poeta,
E como se cada pedra
Fosse todo o universo
E fosse por isso um grande perigo para ela
Deixá-la cair no chão.
Depois eu conto-lhe histórias das coisas só dos homens
E ele sorri porque tudo é incrível.
Ri dos reis e dos que não são reis,
E tem pena de ouvir falar das guerras,
E dos comércios, e dos navios
Que ficam fumo no ar dos altos mares.
Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade
Que uma flor tem ao florescer
E que anda com a luz do Sol
A variar os montes e os vales
E a fazer doer aos olhos dos muros caiados.
Depois ele adormece e eu deito-o.
Levo-o ao colo para dentro de casa
E deito-o, despindo-o lentamente
E como seguindo um ritual muito limpo
E todo materno até ele estar nu.
Ele dorme dentro da minha alma
E às vezes acorda de noite
E brinca com os meus sonhos.
Vira uns de pernas para o ar,
Põe uns em cima dos outros
E bate palmas sozinho
Sorrindo para o meu sono.
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu ao colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é.
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
Esta é a história do meu Menino Jesus.
Por que razão que se perceba
Não há-de ser ela mais verdadeira
Que tudo quanto os filósofos pensam
E tudo quanto as religiões ensinam ?
sábado, 1 de março de 2008
Provincianismo
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
Sentimento ridículo...?
Ridículas.
Nao seriam cartas de amor se nao fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas).
Álvaro de Campos/Fernando Pessoa
domingo, 8 de julho de 2007
Cruzando a fronteira... 3
Não há nada mais simples
Tem só duas datas – a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra coisa todos os dias são meus.
Alberto Caeiro/Fernando Pessoa


