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sexta-feira, 11 de maio de 2012

Uma questão de cultura

"O primeiro-ministro apelou hoje aos portugueses para que adoptem uma “cultura de risco” e considerou que o desemprego não tem de ser encarado como negativo e pode ser “uma oportunidade para mudar de vida”. 
Durante a tomada de posse do Conselho para o Empreendedorismo e a Inovação, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, Pedro Passos Coelho lamentou que “a cultura média” em Portugal seja a “da aversão ao risco” e que os jovens licenciados portugueses prefiram, na sua maioria, “ser trabalhadores por conta de outrem do que empreendedores”.
Numa intervenção de cerca de vinte minutos, o primeiro-ministro defendeu que “essa cultura tem de ser alterada” e substituída por “um maior dinamismo e uma cultura de risco e de maior responsabilidade, seja nos jovens, seja na população em geral”.
Passos Coelho referiu-se em especial aos portugueses que estão sem emprego: “Estar desempregado não pode ser, para muita gente, como é ainda hoje em Portugal, um sinal negativo. Despedir-se ou ser despedido não tem de ser um estigma, tem de representar também uma oportunidade para mudar de vida, tem de representar uma livre escolha também, uma mobilidade da própria sociedade”.

E contra mim também falo. 
A sociedade portuguesa tem um problema cultural que coarcta, que tolhe, que inibe a iniciativa, o espírito empreendedor, o olhar em frente, o ser positivo, o ver oportunidades.
Nos EUA faz-se um negócio com uma cartolina pendurada ao pescoço. Em Portugal tal é impossível. Aqui somos doutores, lá são empreendedores. É o problema de sermos um país pequeno, uma sociedade fechada.

domingo, 17 de julho de 2011

Álvaro

Hoje encontrei Álvaro Santos Pereira, Ministro da Economia e Emprego, num centro comercial. Ia sorridente, com a filhota ao colo, esta a dizer qualquer coisa em inglês. Descontraído, parecia um português qualquer, não um ministro com a carga de trabalhos que sobre ele pendem.
Pela (não) reacção das pessoas circundantes, o Álvaro ainda passa despercebido. O que não deixa de ser positivo para um homem que vem de fora, com ideias frescas, sem manias de doutorices, e que ser conhecido apenas por Álvaro e não por "sr. ministro".
Hoje era um cidadão normal, com polo por fora das calças, num centro comercial a passear com os filhos.

Episódio pessoal: há umas semanas ligou um senhor que pretendia falar com a minha direcção. Fui eu que atendi. Depois da breve conversa, para deixar recado, comentei em jeito de pergunta qual o nome, para anotar. O senhor, emproado, respondeu em tom de afronta que "fala o Dr. XY". 
Há pais que dão nomes estranhos aos filhos...

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Que portugueses, estes...

Num destes dias falava com uma colega sobre o novo governo.
Às tantas, ela disse eram um bando de idiotas sem experiência nenhuma.

Respondi...
Essa do “bando de idiotas sem experiência nenhuma” é um argumento bonito….
Quando são políticos profissionais, não servem porque nunca fizeram mais nada na vida e só querem tacho.
Quando são pessoas de fora da política, pessoas com carreira privada, não servem porque não têm experiência nenhuma.

Querem o quê? Marcianos?

Os políticos em Portugal são mal pagos. Sim, isso mesmo.
Têm a vida devassada nos jornais. São acusados de tudo e mais alguma coisa.
(Ainda estou para perceber o que fez muitos dos actuais ministros aceitarem os cargos, pois estavam bem fora da política, sem chatices, e bem pagos...).
Tal como em todas as outras profissões, há bons e maus, sérios e pouco sérios.

Por outro lado, não tem lógica acusarem os políticos de todo o mal que acontece no país, e depois irem bater-lhes à porta para pedir dinheiro por tudo (seja chuva, sol, vento, o vizinho do lado...).

terça-feira, 24 de maio de 2011

Definindo-nos

"Há três espécies de Portugal, dentro do mesmo Portugal; ou, se se preferir, há três espécies de português. Um começou com a nacionalidade: é o português típico, que forma o fundo da nação e o da sua expansão numérica, trabalhando obscura e modestamente em Portugal e por toda a parte de todas as partes do Mundo. Este português encontra-se, desde 1578, divorciado de todos os governos e abandonado por todos. Existe porque existe, e é por isso que a nação existe também.

Outro é o português que o não é. Começou com a invasão mental estrangeira, que data, com verdade possível, do tempo do Marquês de Pombal. Esta invasão agravou-se com o Constitucionalismo, e tornou-se completa com a República. Este português (que é o que forma grande parte das classes médias superiores, certa parte do povo, e quase toda a gente das classes dirigentes) é o que governa o país. Está completamente divorciado do país que governa. É, por sua vontade, parisiense e moderno. Contra sua vontade, é estúpido.

Há um terceiro português, que começou a existir quando Portugal, por alturas de El-Rei D. Dinis, começou, de Nação, a esboçar-se Império. Esse português fez as Descobertas, criou a civilização transoceânica moderna, e depois foi-se embora. Foi-se embora em Alcácer Quibir, mas deixou alguns parentes, que têm estado sempre, e continuam estando, à espera dele. Como o último verdadeiro Rei de Portugal foi aquele D. Sebastião que caiu em Alcácer Quibir, e presumivelmente ali morreu, é no símbolo do regresso de El-Rei D. Sebastião que os portugueses da saudade imperial projectam a sua fé de que a famí1ia se não extinguisse.

Estes três tipos do português têm uma mentalidade comum, pois são todos portugueses mas o uso que fazem dessa mentalidade diferencia-os entre si. O português, no seu fundo psíquico, define-se, com razoável aproximação, por três característicos: (1) o predomínio da imaginação sobre a inteligência; (2) o predomínio da emoção sobre a paixão; (3) a adaptabilidade instintiva. Pelo primeiro característico distingue-se, por contraste, do ego antigo, com quem se parece muito na rapidez da adaptação e na consequente inconstância e mobilidade. Pelo segundo característico distingue-se, por contraste, do espanhol médio, com quem se parece na intensidade e tipo do sentimento. Pelo terceiro distingue-se do alemão médio; parece-se com ele na adaptabilidade, mas a do alemão é racional e firme, a do português instintiva e instável."

Fernando Pessoa

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Apesar da crise...

"A crise não parece afectar as principais agências de viagens e cadeias hoteleiras, que confirmam um número de reservas para as férias da Páscoa superior ao do ano passado.
Os portugueses estão a preparar-se para fugir de Portugal enquanto o FMI está a entrar. Antes de conhecer mais um pacote de medidas de austeridade, os portugueses decidiram gastar os últimos cartuxos nas férias de Páscoa, preferencialmente para um país tropical com sol e praia. Em Portugal, o Algarve está praticamente esgotado. Para as agências de viagens e cadeias hoteleiras, o negócio da Páscoa está "ligeiramente acima do ano passado", admitem as empresas contactadas pelo Diário Económico.
Cabo Verde, Brasil e Caraíbas mantêm-se os destinos preferidos pelos portugueses para uma semana de férias na Páscoa e foram os primeiros a esgotar." (Diário Económico)

domingo, 3 de abril de 2011

10 unidades de cidadania

Basta um episódio corriqueiro como este para se perceber por que não havemos de ser um país desenvolvido e civilizado nas próximas décadas:
No Pingo Doce, uma senhora de meia idade, com uma filha de uns 4 anos, leva um cesto de compras cheio. Até aqui nada de estranho.
Começa a colocar os artigos no tapete da caixa. Um mais um mais um mais um... E eis o problema: por cima da caixa, num cartaz de um metro quadrado, um aviso bem visível: caixa até 10 unidades.
A senhora irá alegar que não tinha reparado. O costume. Mas o seu comportamento denuncia-a. Separa os artigos: 2/3 para ela, 1/3 para outra pessoa... presumo que a filha de 4 anos. 
Quando saio da minha caixa, mesmo ao lado, os artigos da senhora já vão em 16. E ainda falta passar uma boa meia dúzia.
A funcionária da caixa nem disse nada. Devia tê-lo feito, mas não disse. 
Se dissesse, a senhora poria a mão na anca. Tinha ar disso. 

São atitudes e comportamentos como estes que bloqueiam o nosso país. 
É a chico-espertice. É a ideia do "faço e não me acontece nada", a impunidade.
É este tipo de pessoas que há em excesso em Portugal.
São estes que conduzem mal, mas dizem que conduzem sempre bem. Os outros é que não sabem conduzir.
São pessoas como estas que tiram cursos superiores aos domingos.
São pessoas como estas que gostam de ser enganadas por pantomineiros descarados.
São pessoas como estas que votam em autarcas condenados pela justiça. Por que "rouba mas tem obra feita".
São pessoas como estas que também não votam e passam o tempo a queixar-se dos políticos que lá estão.
São pessoas como estas que deitam lixo na rua, a dois passo de um caixote de lixo.
São pessoas como estas que cortam as unhas nos transportes públicos.
São pessoas como estas que, no Metro, querem entrar antes de deixar as pessoas sair.
São pessoas como estas que apagam a luz e ligam a água de rega quando a equipa com quem acabaram de jogar está a festejar a conquista de um campeonato.
São pessoas como estas que batem no carro do outro e fogem.

Enquanto este tipo de mentalidade prevalecer, enquanto a educação destas pessoas não aumentar, enquanto estas pessoas não tiverem dois dedos de bom senso, não há lei ou regras que valham, e não vamos sair da cepa torta.
Esta chico-espertice não existe em países que identificamos como desenvolvidos, nomeadamente os do norte da Europa. 
Vamos lá pensar um bocadinho sobre o motivo de tais sociedades serem mais desenvolvidas e ricas...
Por terem respeito uns pelos outros, por cumprirem as regras, por serem sérios, por não se armarem em chicos espertos, por serem cidadãos responsáveis.

domingo, 6 de junho de 2010

Sem comentários...

No jornal da TVI deu uma notícia sobre as coimas que passarão a ser aplicadas aos banhistas que se deitam debaixo de arribas inseguras.
E, agora, pasme-se!
Os banhistas entrevistados concordam com as coimas e acham bem. No entanto... deitam-se debaixo das arribas.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Sentenças - 12

"A criança portuguesa é excessivamente viva, inteligente e imaginativa. Em geral, nós outros, os Portugueses, só começamos a ser idiotas - quando chegamos à idade da razão. Em pequenos temos todos uma pontinha de génio".

Eça de Queirós, in "Cartas de Inglaterra"

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Desconfianças

"Os portugueses são o povo mais desconfiado da Europa Ocidental e ocupam a 25ª posição entre 26 países num estudo da OCDE destinado a medir a amplitude da desconfiança e falta de civismo dos diferentes povos recenseados" (noticia aqui)

Uma sociedade cujos cidadãos têm tais níveis de desconfiança só significa uma coisa: as pessoas que a constituem não são de confiança!

E sem essa revolução cultural feita não há modernização e choques tecnológicos que lhe valham.
As míticas sociedades dos países do norte da Europa não são desenvolvidas e ricas por acaso. São fruto de uma atitude mental e de maturidade social.