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terça-feira, 23 de julho de 2013

O regresso da política

A remodelação desvendada hoje configura um regresso da política.
É certo que a política (na versão politiquice e floreado) terá pouco espaço para vingar em tempos de restrição financeira, mas, sendo uma ciência social, tem de ajudar a fazer a viragem e a dar esperança num futuro melhor para o país. A psicologia é um factor importante em política, e que não pode ser esquecido.

Feita a remodelação e reorganização do governo, é tempo deste voltar a ter asas e conseguir levar a cabo as reformas que se impõem no país. 
O sucesso deste governo será o sucesso de Portugal nos próximos anos.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

O murro na mesa

Esta noite, Cavaco Silva deu um murro na mesa e pediu aos três partidos do arco da governação, e que subscreveram o Memorando de Entendimento, que se entendam em nome do interessa nacional e deixem a politiquice de lado.
A seguir, excerto do seu discurso (sublinhados meus):

"Tendo exposto ao País o que penso da atual situação e as razões pelas quais considero ser indesejável a realização imediata de eleições legislativas, quero apresentar agora o meu entendimento sobre a solução que melhor serve o interesse nacional.

No contexto das restrições de financiamento que enfrentamos, a recente crise política mostrou, à vista de todos, que o País necessita urgentemente de um acordo de médio prazo entre os partidos que subscreveram o Memorando de Entendimento com a União Europeia e com o Fundo Monetário Internacional, PSD, PS e CDS.

É esse o caminho que deveremos percorrer em conjunto. Darei o meu firme apoio a esse acordo, que, na atual conjuntura de emergência, representa verdadeiramente um compromisso de salvação nacional. Repito: trata-se de um compromisso de salvação nacional.

O Presidente da República não pode impô-lo aos partidos, até porque um acordo desta natureza e deste alcance só terá consistência e solidez se contar com a adesão voluntária, firme e responsável das forças políticas envolvidas.

Terão de ser os partidos a chegar a um entendimento e a concluir que esta é a solução que melhor serve o interesse dos Portugueses, agora e no futuro.

Com a máxima clareza e com toda a transparência, afirmo que esse compromisso deve assentar em três pilares fundamentais.

Primeiro, o acordo terá de estabelecer o calendário mais adequado para a realização de eleições antecipadas. A abertura do processo conducente à realização de eleições deve coincidir com o final do Programa de Assistência Financeira, em junho do próximo ano.

Em segundo lugar, o compromisso de salvação nacional deve envolver os três partidos que subscreveram o Memorando de Entendimento, garantindo o apoio à tomada das medidas necessárias para que Portugal possa regressar aos mercados logo no início de 2014 e para que se complete com sucesso o Programa de Ajustamento a que nos comprometemos perante os nossos credores.

A posição negocial de Portugal sairia reforçada, evitando novos e mais duros sacrifícios aos Portugueses.

Em terceiro lugar, deverá tratar-se de um acordo de médio prazo, que assegure, desde já, que o Governo que resulte das próximas eleições poderá contar com um compromisso entre os três partidos que assegure a governabilidade do País, a sustentabilidade da dívida pública, o controlo das contas externas, a melhoria da competitividade da nossa economia e a criação de emprego.

É essencial afastarmos do horizonte o risco de regresso a uma situação como aquela que atualmente vivemos."

quinta-feira, 1 de março de 2012

O renascer do Estado-nação

Um artigo muito interessante de Dani Rodrik, professor de Harvard, no Público:

"Um dos mitos basilares da nossa era é o de que a globalização condenou o Estado-nação à irrelevância. Ouvimos dizer que a revolução nos transportes e comunicações fez desaparecer fronteiras e encolheu o mundo. Os novos modos de governação que vão das redes transnacionais de reguladores até às organizações internacionais da sociedade civil e às instituições multilaterais estão a transcender e a suplantar os legisladores nacionais. Diz-se que os responsáveis políticos internos se sentem bastante impotentes perante os mercados globais.

A crise financeira mundial abalou este mito. Quem socorreu os bancos, injectou liquidez, promoveu incentivos fiscais e estabeleceu as redes de segurança para os desempregados, para impedir uma catástrofe crescente? Quem está a reescrever as regras de fiscalização e a regulamentação do mercado financeiro para evitar outro incidente? Quem recebe a maior parte da culpa por tudo o que corre mal? A resposta é sempre a mesma: os governos nacionais. O G-20, o Fundo Monetário Internacional e o Comité de Basileia de Supervisão Bancária têm sido, em grande parte, elementos marginais.

Mesmo na Europa, onde as instituições regionais são relativamente fortes, o interesse nacional e os políticos nacionais, em grande parte, na pessoa da chanceler alemã, Angela Merkel, têm dominado a definição de políticas. Se a chanceler Merkel se tivesse mostrado menos apaixonada pela austeridade para os países endividados da Europa e se tivesse conseguido convencer os seus eleitores da necessidade de uma abordagem diferente, a crise da zona do euro teria tido contornos bastante diferentes. 

No entanto, mesmo com a sobrevivência do Estado-nação, a sua reputação está a ruir. O assalto intelectual ao Estado-nação assume duas formas. Na primeira, há a crítica de economistas que consideram que os governos são um impedimento à livre circulação de mercadorias, capitais e pessoas por todo o mundo. Impeça-se a intervenção dos responsáveis políticos nacionais com os seus regulamentos e barreiras, dizem eles, e os mercados globais cuidarão de si próprios no processo de criação de uma economia mundial mais integrada e eficiente.

Mas quem vai ditar as regras e a regulamentação do mercado, se não os Estados-nação? O laissez-faire é receita para mais crises financeiras e para um maior retrocesso político. Além disso, seria necessário confiar a política económica a tecnocratas internacionais, isolados como estão dos incentivos e desincentivos da política – uma posição que circunscreve seriamente a democracia e responsabilidade política.

Em suma, o laissez-faire e a tecnocracia internacional não fornecem uma alternativa plausível ao Estado-nação. Na verdade, a erosão do Estado-nação, em última análise, é pouco benéfica para os mercados globais enquanto não existirem mecanismos viáveis de governança global.

Na segunda forma existem especialistas em ética cosmopolita que condenam a artificialidade das fronteiras nacionais. Como afirmou o filósofo Peter Singer, a revolução das comunicações gerou uma "audiência global" que cria a base para uma "ética global". Se nos identificamos com a nação, a nossa moral permanecerá nacional. Mas, se cada vez mais nos associarmos ao mundo em geral, as nossas lealdades irão igualmente expandir-se. Da mesma forma, o Nobel da Economia, Amartya Sen, fala das nossas "múltiplas identidades" – étnicas, religiosas, nacionais, locais, profissionais e políticas, muitas das quais atravessam fronteiras nacionais.

Não está claro que uma parte disto tenha por base um optimismo exacerbado e que outra parte seja baseada em mudanças reais de identidades e ligações. As pesquisas mostram evidências de que a ligação ao Estado-nação continua a ser bastante forte.

Há alguns anos, a associação World Values Survey inquiriu os entrevistados em dezenas de países sobre a sua ligação às comunidades locais, às nações e ao mundo em geral. Não é de admirar que aqueles que se viam a si mesmos como cidadãos nacionais ultrapassavam em muito aqueles que se consideravam cidadãos do mundo. Mas, surpreendentemente, a identidade nacional ensombrava até a identidade local nos Estados Unidos, Europa, Índia, China e na maioria das outras regiões.

As mesmas pesquisas indicam que as pessoas mais jovens, as que têm qualificações mais elevadas, as que se identificam a si mesmas como classe superior, têm mais tendência a associar-se com o mundo. No entanto, é difícil identificar qualquer segmento demográfico cuja ligação à comunidade global supere a ligação ao país.Por muito grande que tenha sido o decréscimo nos custos das comunicações e transportes, não apagou a geografia. A actividade económica, social e política continua a agrupar-se com base em preferências, necessidades e trajectórias históricas que variam em redor do globo.

A distância geográfica é um determinante de intercâmbio económico tão forte como era há 50 anos. Afinal, nem mesmo a Internet é tão desprovida de fronteiras quanto parece: um estudo descobriu que os americanos têm muito mais tendência a visitar sites de países que estão fisicamente próximos do que de países que estão longe, mesmo após as medidas de controlo de linguagem, rendimentos e muitos outros factores.

O problema é que ainda estamos sob o domínio do mito do declínio do Estado-nação. Os líderes políticos alegam impotência, os intelectuais sonham com esquemas implausíveis de governança global e os perdedores culpam cada vez mais os imigrantes ou as importações. Quando se fala sobre a reabilitação do Estado-nação, as pessoas respeitáveis correm a esconder-se, como se estivéssemos a propor reavivar a peste.

Para ser mais preciso, a geografia de ligações e identidades não é fixa, na verdade, tem mudado ao longo da história. Isso significa que não devemos descartar totalmente a possibilidade de que uma verdadeira consciência global se venha a desenvolver no futuro, em conjunto com comunidades políticas transnacionais.

Mas os desafios actuais não podem encontrar respostas em instituições que (ainda) não existem. Por enquanto as pessoas ainda têm de procurar soluções nos seus governos nacionais, que permanecem a melhor esperança para a acção colectiva. O Estado-nação pode ser uma relíquia que nos foi legada pela Revolução Francesa, mas é tudo o que temos."

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Mundos perfeitos

Na Sábado desta semana (nº 277), na secção Sobe & Desce, Hugo Chávez aparece a subir, numa deliciosa ironia.
Escreve a revista:
"O Presidente da Venezuela quer usar o Magalhães para "a criação da mulher nova, do homem novo, da sociedade socialista". Merece um prémio, por ser mais visionário que Sócrates. Se fosse português, seria líder do PS."

Estas utopias de "homens novos" nunca deram nada de bom na História. Todas desembocaram numa coisa: totalitarismo.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Blogosferando - 19

No Mar Salgado:

"Os portugueses não acreditam que as coisas possam piorar dramaticamente. Isto deve-se à naturalização que fazemos do pessimismo. O nosso pessimismo é sobretudo conformista e por isso é tão pouco adaptável às novas circunstâncias. O governo funciona como uma Empresa de Eventos S.A, com muitos protocolos, lágrimas ao canto do olho e miragens ferroviárias. Não nos muda e isso é o que queremos. Claro que não se esquece de distribuir dinheiro pelas autarquias socialistas (esta semana foi pelas escolas) e isso ajuda. Faz parte do jogo, mas não é o essencial.
MFL aposta na memória do bom senso: dizer a verdade e receitar prudência. Os portugueses ouvem-na, ao contrário do que fez crer a Empresa de Eventos S.A. (MFL referia-se ao conjunto PS-governo). O problema é que o nosso conformismo, a nossa indolência, faz com que a ouçamos como um estroina ouve um pai: ainda não é tempo de seguir os conselhos.
As águas estão cada vez mais claras porque MFL conseguiu contrapor ao brilho e à superfície o que está debaixo: o fundo. Resta saber se o nosso conformismo, atópico e permanente, suporta a visão. Não me parece."

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Virar à esquerda

Depois de o congresso do PS ter estado cheio de um discurso claro de esquerda, iniciado pelo próprio Sócrates, a aposta para cabeça de lista nas eleições europeias é alguém vindo desse lado, e até do PCP: Vital Moreira (escreve no Causa Nossa).

Quanto a mim, e tendo em conta o discurso esquerdizante do congresso, o nome de Freitas do Amaral não faria qualquer sentido. Apesar de este ter feito parte do governo de Sócrates.
Também nunca acreditei que Sócrates quisesse remodelar o governo a poucos meses de eleições, lançando Luís Amado, MNE e um dos ministros centrais do governo, na corrida para o Parlamento Europeu.

Nesta lógica, só podia ser uma personalidade conotadamente de esquerda. Assim, Sócrates tenta também trazer para junto do PS, tanto nas europeias como nas legislativas, os eleitores mais de esquerda e, também, procura esvaziar a força do Bloco de Esquerda e do PCP. Portanto, do ponto de vista do PS é uma excelente escolha.

Por outro lado, esta escolha tem esta leitura: o PS e Sócrates acham que ganham virando-se completamente para a esquerda, e alienando o eleitorado mais ao centro. Ou seja, esquecendo o eleitorado do PSD. Pode ser que o tiro lhes saia pela culatra.
Esta é uma oportunidade política de ouro para o PSD. Basta apresentar um candidato forte, que marque terreno e que lhe dê fôlego para as legislativas. Oxalá!

Agora estou cheio de curiosidade por saber quais serão os cabeças de lista do lado direito do espectro partidário, ou seja, PSD e CDS.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Mundo à esquerda

O PS e Sócrates avançam com a regionalização e com os casamentos homossexuais.

Quanto à primeira, tal como aconteceu com o referendo ao aborto, é submetido ao voto popular até obter o resultado desejado. É assim a democracia…

Sócrates propõe como mapa para as futuras regiões as actuais CCDRs: Alentejo, Algarve, Centro, Lisboa, Norte.


Parece-me o mais apropriado. No entanto, há uma questão que deveria ser discutida previamente à configuração territorial: que funções e respectivas verbas passam do Estado central para as novas regiões? Sem isto respondido, voltarei a votar contra a regionalização.

Quanto aos casamentos entre pessoas do mesmo sexo, é uma inevitabilidade social. Seja agora, ou daqui a alguns anos.



Também pela esquerda, aconteceu, durante este fim-de-semana, mais uma Convenção do Bloco de Esquerda. Pondo de lado os disparates estatistas que defendem, não há novidades. Só ouvi uma proposta que não me chocou: impedir que as empresas que recebem benefícios do Estado devido à crise distribuam dividendos pelos accionistas.

Com quase dez anos, é um excelente exemplo de como juntar três inexistências políticas (PSR, UDP e Política XXI) transformando-as numa eficaz máquina política e de marketing.



À esquerda é disto.

À direita não se vê grande coisa.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Vigilância institucional

A notícia do dia é o facto de Cavaco Silva ir questionar o Orçamento de Estado para 2009, por considerá-lo uma ficção (SOL).
O PS/Governo pensava que o seu caminho até às eleições iria ser uma passadeira vermelha, mas o Presidente da República não está pelos ajustes e não embarca em demasiada areia para os olhos dos eleitores.
Foi para isto que votei em Cavaco para PR.

domingo, 1 de junho de 2008

A hora de Manuela

Ontem Manuela Ferreira Leite foi escolhida para líder do PSD, por bem menos do que as sondagens diziam.
Não terá vida fácil. Passos Coelho irá colaborar com a nova líder "em nome de Portugal", Santana Lopes apresentou mais um capítulo do "vou andar por aí".
Como nota o Corta-Fitas aqui e aqui, curioso o facto de, há sete meses, Menezes ter ganho o partido com 56% e não ter tido um minuto de paz, enquanto Manuela Ferreira Leite vence agora com apenas 38% e é encarada como a salvação da pátria.
Vamos ver o que se irá seguir.
Uma vez que é a candidata do PSD a chefe de governo, convinha apresentar algumas propostas para além da "credibilidade" e da "responsabilidade". Estas são importantes, mas não resolvem os problemas de Portugal.

domingo, 18 de maio de 2008

Blogosferando por ai - 12

1 - Pacheco Pereira toca na ferida: a irrelevância tomou conta da vida.
"A cultura da irrelevância está impante como nunca, espectáculo e pathos brilham no sítio que anteriormente ainda era frequentado, de vez em quando, pela razão, pelo bom senso, pela virtude. Esta é, obviamente, a melhor comunicação social, a melhor televisão para os governos, e o actual cuida bem que não lhe falte dinheiro para as suas quinhentas horas de futebol. Compreende-se: a bola não pensa, é para ser chutada."

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Dúvida laranja


A Constituição determina que "os Deputados representam todo o país e não os círculos por que são eleitos" (Artº 152, nº 2)...

Então Marques Mendes, cabeça de lista do PSD por Aveiro (se não me engano), abandona o lugar para o qual foi eleito só porque não conseguiu continuar na liderança do partido?

Ele representa quem: os eleitores de Aveiro que o elegeram ou ele próprio?

Depois queixam-se do desprestígio dos políticos....
Luis Filipe Menezes, com a figura mediática que tem, com boas ideias, e bem assessorado, é capaz de incomodar mais o governo-maravilha de José Sócrates... não é esse o objectivo do PSD (qualquer que seja o seu lider)? Opôr-se ao governo...

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Aplausos a Santana Lopes

"Como resposta à decisão da SIC de interromper a entrevista para umas imagens fugazes do carro de Mourinho e umas inanidades do jornalista para encher o vácuo, PSL teve uma postura de rara elevação e dignidade e deixou a estação televisiva a falar sozinha. Bravo!" (Corta-Fitas)
Não sou fã de Pedro Santana Lopes, mas desta vez o homem esteve à altura. E pôs a televisão e respectivos programadores no sítio.
Sem usar a palavra, mandou-os à merda!
O vídeo da entrevista....
Actualização:
Dando uma breve vista de olhos pela blogosfera, da esquerda à direita, o aplauso à atitude de Santana Lopes é geral.
E nesta entrevista ele até estava a defender algo de elementar bom senso: o adiamento das eleições internas do PSD, por forma a clarificar aquele carnaval. E, digo eu, discutirem algumas IDEIAS.
O espanto vem ao ver uma rebuscada explicação num blogue: Santana Lopes fez aquilo porque iria tornar-se o centro das atenções, qual menino mimado. Uma estupidez!
Gostava de ver o que fará um próximo entrevistado perante uma situação semelhante...
É com atitudes como esta de Santana Lopes que se põe um pouco de bom senso nos "fazedores de notícias".
Nota de rodapé: depois de ouvir esta manhã a patética explicação de Ricardo Costa (Director da SIC Notícias) para o sucedido, gostava de saber o que teve de importante/relevante aquele directo para a chegada de José Mourinho... sim? estou à espera....

domingo, 8 de abril de 2007

Le Penadas

Le Pen, líder da Frente Nacional, opôs-se ontem à distribuição de preservativos nos liceus, dizendo que as mulheres têm uma maneira fácil de evitar uma gravidez indesejada: a masturbação.
Vive la France!
Lembro-me também que há alguns anos, quando Bush chegou à Casa Branca, o modelo de castidade que ele defendia era uma menina bonita, de seu nome Britney Spears...

quinta-feira, 5 de abril de 2007

Digamos que sou contra!

PNR: resposta à altura

«Com as mesmas dimensões do seu vizinho, o outdoor dos Gato Fedorento ostenta os rostos dos quatro humoristas, com bigode, pêra e "olhos esbugalhados", notou um elemento da produção. As frases inscritas no cartaz têm a assinatura inconfundível do colectivo: "Mais Imigração. A melhor maneira de chatear os estrangeiros é viver em Portugal. Com os portugueses não vamos lá".»


Daniel Oliveira, no Arrastão:

"Só se espanta quem julga que o PNR é apenas um partido com ideias estranhas que deve apenas ser ignorado e quem acha graça fazer comparações descabidas. As ameaças a Ricardo Araújo Pereira e à sua família, no fórum destes animais, já começaram. Algum dia alguém vai ter de demonstrar que neste país os partidos políticos têm de seguir a lei e não podem ser um albergue para esconder actividades criminosas. E que a liberdade de expressão não depende da vontade de uns lunáticos. De mim, como é evidente, o Ricardo recebe toda a solidariedade."

Subscrevo!

sábado, 31 de março de 2007

O Caimão


O Caimão é o último filme de Nanni Moretti, que regressa com esta crítica à Italiazinha, como diz uma das personagens do filme.


"O último filme de Nanni Moretti, uma metáfora sobre a Itália contemporânea, tornou-se num êxito de bilheteira no país, tendo estreado dias antes das eleições que afastaram do poder Berlusconi. É a história de um produtor em falência profissional e sentimental, Bruno Bonomo, que tem um passado de produtor de filmes de série Z com títulos inspiradores como "Os Mocassins Assassinos" ou "Maciste vs. Freud". Mas agora não consegue arranjar financiamento para o seu próximo projecto, "O Regresso de Cristóvão Colombo". Estrangulado pelas dívidas e fraquezas, com o casamento em risco e os filhos perdidos, Bruno perde o norte. É aí que o seu caminho se cruza com o de uma jovem realizadora que lhe entrega um guião, "O Caimão". A princípio Bruno pensa que é um "thriller" musculado, mas apercebe-se numa segunda leitura mais atenta - se bem que um pouco tardia - que se trata de um filme sobre o Presidente Silvio Berlusconi. Bruno já não pode recuar e vê-se obrigado a cumprir o planeado, encontrar o actor principal, enquanto tenta recolar as peças da sua vida conjugal. No entanto, em todo este novelo de erros e dificuldades, começa a nascer um novo entusiasmo em Bruno Bonomo: o da afirmação da sua dignidade. Este homem para quem tudo estava acabado encontra em si a energia para levar até ao fim um projecto que começou por acaso, mas que também ele acredita agora necessário tornar realidade."

O elenco conta com Silvio Orlando, Margherita Buy, Jasmine Trinca, Michele Placido, Giuliano Montaldo, Antonio Luigi Grimaldi, Paolo Sorrentino e Elio De Capitani. E o próprio Moreti, mais no fim.

A certa altura, uma personagem diz qualquer coisa como: "Mas que necessidade há de fazer um filme sobre Berlusconi? Tudo o que há a saber sobre Berlusconi sabe-se. Quem quer saber sabe, quem não quer saber não sabe".

Um filme dentro do filme. O retrato de um projecto político com um único objectivo: defender-se da lei, alterando-a por medida.
Deliciosas as cenas do tribunal: como a personagem Berlusconi-Nanni Moretti enfrenta o julgamento. Ele, por ter sido eleito pelo povo italiano, considera-se acima da lei.
Leva 4 estrelas.
Tem momentos magníficos. Como quando estão a preparar os cenários em que irá ser filmado O Caimão: a música claramente árabe, aliada à coreografia dos pintores... Delicioso!
E, após a consumação do divórcio de Bruno Bonomo, o despique automóvel entre o ex-casal, com a notável música de Damien Rice "Blowers Daugther" (que se ouve quase na totalidade).
Antes de “O Caimão” é exibida a curta-metragem “História Trágica com Final Feliz”. Banda desenhada, a preto e branco, apenas a lápis. Graficamente muito agradável. Uma menina cujo coração bate mais rapidamente que aos outros humanos. E cujo batimento incomoda a vizinhança, porque bate alto. Como os pássaros.

Perdonite

Esta semana, Tony Blair pediu perdão pelo papel britânico na escravatura. Uma estupidez!
Tal como quando João Paulo II pediu perdão em 2000 pelos erros da Igreja ao longo da História.

Será que daqui a 200 ou 500 anos, os líderes políticos da altura irão pedir perdão por actualmente se usar o automóvel? ou os aviões? ou outra coisa qualquer que hoje é tão normal que nem damos pela sua existência?

Os valores (ou seja lá o que for) de há 200 anos incluía escravatura e tráfico de escravos a partir de África... Faz sentido pedir desculpa por um modo de vida? Por uma certa organização da sociedade que vigorou no passado? Eu acho que não!
O problema é só um: o Ocidente - nós! - interiorizou que a culpa do actual estado de miséria em que meio mundo (sobretudo África) vive é nossa. E os líderes desses países fazem questão de lembrar isso a toda a hora.
E se S. Exas ditadores africanos tivessem feito alguma coisa para desenvolver os seus países? É que guerras, corrupção, plutocracia e afins não ajudam muito...
Ainda bem que Mugabe e compagnons de route têm desenvolvido a Nigéria (por exemplo)...



«Tony Blair marca presença numa cerimónia que lembrou a abolição da escravatura no Reino Unido, a 25 de Março de 1807: «it is an opportunity for the United Kingdom to express our deep sorrow and regret for our nation's role in the slave trade and for the unbearable suffering, individually and collectively, it caused».

Não sou grande adepto deste tipo de pedidos de desculpa em retrospectiva. Para além do óbvio politicamente correcto, há neste exercício uma dose de anacronismo que não é despicienda.»

Mostrar os idiotas

Ainda sobre o famigerado cartaz do PNR no Marquês de Pombal, Pedro Lomba escreve hoje no DN:
"Cada vez que o PNR insultar os imigrantes, mostremos que a imigração é útil e necessária a Portugal; cada vez que o PNR exaltar os direitos dos portugueses sobre os estrangeiros, expliquemos que isso é tão legítimo quanto em França os direitos dos franceses estarem acima dos nossos emigrantes ; cada vez que o PNR demonizar as minorias, expliquemos que os membros do PNR são também uma minoria e com grande benevolência nós respeitamos que eles existam. Não façamos desta gente mártires da liberdade de expressão."
Nem mais!

quinta-feira, 29 de março de 2007

Ignorância feita política

A notícia apareceu com grandes parangonas esta manhã. As rádios, as televisões, os blogues (até este, agora… Penitencio-me!), os jornais (especialmente a desproporcionada capa do Diário de Notícias…) deram destaque ao cartaz que apareceu no Marquês de Pombal.
Destaque excessivo (penitencio-me por este post), tendo em conta o que o PNR representa em votos (menos de 0,5% nas legislativas).
E o argumento utilizado por estes senhores é intolerante e estúpido. E os milhões de portugueses que tiveram de emigrar (portanto, são IMIGRANTES noutros países…)? Seriam todos repatriados? O PNR dar-lhes-ia condições de vida (trabalho, casa…)?

Segundo ouvi hoje na rádio, basta apenas uma queixa na polícia para tirarem o cartaz. E talvez ilegalizarem um partido que perfilha ideologias inconstitucionais. Mas isso dá muito trabalho, e nem as próprias autoridades que se agastaram a comentar o cartaz se deram (ou darão) ao trabalho de o fazer.
Estes senhores aproveitaram a suposta onda saudosista gerada pelo resultado de "Os Grandes Portugueses"… e conseguiram direito de antena à borla. Só tiveram mesmo de desembolsar os 1750€ para o cartaz.

Curiosidades:
O que pensarão estes senhores dos descobrimentos? Da colonização? Da escravatura do passado? Da globalização iniciada pelos portugueses? Os militantes, simpatizantes e afins do PNR não têm familiares emigrantes? Não têm necessidade de empregados estrangeiros (sejam empregadas dosméticas, professores, médicos...)?
O modelo deles deve ser a Albânia…
Enfim, a ignorância feita política...

quarta-feira, 28 de março de 2007

Uma perda

Uma perda. Uma pena.


A verticalidade:
"Não devo, não posso e não desejo no momento em que já ponderei e decidir desfiliar-me, constituir-me como alegada e hipotética força de bloqueio a qualquer decisão dos órgãos do partido. Isso seria absurdo", frisou ainda Nogueira Pinto.

Perde o partido. Perde a Câmara. Perde Lisboa. Perde a direita.

Não acredito que a política fique a perder, pois Maria José Nogueira Pinto sempre foi independente. Só esteve vinculada ao CDS-PP nesta última década. Ela, tal como a família (Jaime Nogueira Pinto, Maria João Avillez...), sempre respirou e transpirou política.
Nunca precisou da política para o seu desempenho. Reconhecido por todos, por exemplo, na Santa Casa da Misericórdia, na Maternidade Alfredo da Costa, e mesmo neste ano que esteve na Câmara de Lisboa, e onde lançou um programa para a reabilitação da baixa da cidade (ideia que será consumida pela politiquice, e não servirá para nada...)