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quinta-feira, 1 de março de 2012

Consta que está tudo louco...

No semanário SOL:

"Dois investigadores, um italiano e uma australiana, defendem nas páginas do Journal of Medical Ethics (JME)- uma conceituada publicação da área da medicina - a ideia de aborto pós-parto. De acordo com Alberto Giubilini e Francesca Minerva, do ponto de vista moral, matar um recém-nascido, em nada difere de praticar um aborto.

Os investigadores das universidades de Filosofia de Milão e de Melbourne argumentam no artigo 'After-birth abortion: Why should the baby live?' ('Aborto pós-parto: Porque deve o bebé viver?') que um feto e um recém-nascido são dois seres «moralmente equivalentes», na medida em que ambos estão num estádio em que apenas têm o potencial para se tornarem pessoas. Como nenhum dos dois possui consciência, as mesmas razões que justificam o aborto sustentam o infanticídio.

No resumo da sua exposição explicam que «o aborto pós-parto deveria ser possível em todos os casos em que o aborto o é, e explicitam: «Inclusive quando não há malformações no feto»." 


Só para chatear: 
de facto, um feto é um ser humano tão completo como um recém-nascido.
Pela mesma lógica dos prazos para realização do aborto, se o prazo for alterado para cima ou para baixo, qual a diferença? Um feto é menos pessoa às 10 semanas que às 35?

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Blogosferando - 68



"Isto sim é um Governo de Direita:


"O ministro da Justiça espanhol, Alberto Ruiz-Gallardón, confirmou hoje que a reforma da lei do aborto significa o final do modelo de prazos (actualmente a mulher pode abortar livremente até às 14 semanas de gestação) e o regresso ao sistema anterior, baseado em três pressupostos: violação, malformação do feto ou risco para a saúde da mulher".

Espero que a outra lei fracturante também seja revertida. A bem da humanidade."


O Ionline titula: "Espanha altera lei do aborto e retrocede mais de um quarto de século".
Retrocede? Defender a vida é "retroceder"?

domingo, 18 de outubro de 2009

Como se nada fosse

"Fico feliz por ver que pelo menos em Espanha ainda há quem se oponha ao aborto. Por cá não se pode. Por cá não se pode por causa de textos estúpidos de senhores «jornalistas». Por cá não se pode, porque por cá quem é contra o aborto são os católicos e as velhinhas bigodaças de Bragança. Por cá não se pode porque ser contra o aborto é ser obscurantista. Por cá não se pode porque está completamente fora de moda e a gente não gosta disso. Por cá não se pode, porque os senhores deputados não querem. Por cá não se pode porque não.
Enquanto as modas pegam e despegam, vidas ficam por viver e todos nós, sem um pingo de vergonha ou respeito pelos mais elementares princípios, continuamos a assobiar para o lado, como se nada fosse. Lamaçal pestilento, este."

Tiago Moreira Ramalho, no Corta-fitas

quarta-feira, 15 de julho de 2009

O dia em notícias

1 - Orgia ao estilo de “Eyes wide shut” na zona rural inglesa
"Uma companhia holandesa alugou um hotel situado na zona rural inglesa onde organizou, no passado fim de semana, uma orgia colectiva entre 350 participantes mascarados. O hotel Halswell House, um esplendoroso edifício do século XVII, é alugado para festejar bodas ou fazer reuniões empresariais, normalmente, e é a primeira vez que algo do género ocorreu, para total espanto do pessoal do hotel." (I)
E porque não, hein?


2 -
"O Facebook é a maior rede online? Mas só queríamos miúdas..."
O insucesso com as alunas de Harvard, levou dois cromos informáticos a criar o Facebook"
(I)
Encontraram uma solução, pronto!


3 - "As mulheres que fazem mais do que um aborto deviam começar a pagar pela segunda interrupção, preconizou ao PÚBLICO Luís Graça, director do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital de Santa Maria (HSM).
(...)

No HSM, duas em cada três mulheres não aparecem à consulta de planeamento familiar que, nos termos da lei, deve ocorrer no prazo de um mês após o aborto. "É a negligência pura e simples. Algumas mulheres não fazem anticoncepção e jogam na sorte, o que é muito triste para quem, como eu, se bateu muito por esta lei", lamenta."
(Público)
Quando a irresponsabilidade é ilimitada...


4 - Cavaco Silva celebra hoje 70 anos de vida.
De Boliqueime ao Palácio de Belém, foi um longo percurso, marcado por sucessos académicos e profissionais, primeiro, e depois por grandes sucessos políticos, nunca entretanto ultrapassados, como as duas maiorias que governaram o País de 1987 a 1995.
(DN)
E está bem conservado, quanto a mim.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Sem comentários

Antes, a Igreja brasileira queria impedir a menina de 9 anos, violada e grávida de gémeos, de abortar.
Agora, o arcebispo brasileiro exige a excomunhão de toda a família da menina.

Nem Bento XVI tomaria uma posição fundamentalista, intolerante e idiota destas.

ACTUALIZAÇÃO (07 Março):
«O cardeal Giovanni Battista Re,da Congregação para os Bispos, justificou este sábado a excomunhão da mãe de uma menina brasileira de 9 anos, que foi submetida a um aborto depois de ter sido violada pelo padrasto, afirmando que os gémeos que ela havia concebido "tinham o direito de viver".» (SAPO)

Nas notícias desta noite, a revelação: o arcebispo brasileiro excomungou a menina, a mãe e os médicos que fizeram o aborto. Nem uma palavra sobre o padrasto que violou a menina. Na televisão, concluem que para a Igreja o aborto é mais grave que a violação.

sábado, 12 de abril de 2008

O Marcelo que há em mim…

Nos últimos dias têm vindo a público algumas notícias a que vale a pena dar alguma atenção:

1 – no SAP de Almada, “uma jovem de 19 anos terá abortado na quinta-feira numa casa-de-banho”, e agora ela é suspeita de ter abortado e de infanticídio.
A notícia é tão mirabolante que basta pensar um pouco para se concluir que: nenhuma mulher no seu perfeito juízo iria a um centro de saúde para abortar fora da lei. Ou esta teria a ideia de se auto-denunciar?
Por outro lado, ao longo da notícia, não há uma única linha sobre a forma como decorreu o atendimento da jovem: tempo de espera, acompanhamento…
Outra questão não respondida é… quem chamou a polícia? Com que intenção?
E isto não tem nada a ver com a lei do aborto. A mim parece-me ter a ver mais com o mau atendimento em serviços de saúde. Mas eu não sou médico…

2 – na Austrália, pai e filha mantêm relação incestuosa há oito anos e têm uma filha de nove meses.
«Pai e filha foram condenados por incesto, no mês passado, pelo tribunal de Mount Gambier, no Sul do país. O juiz Steven Millsteed considerou que vivem uma relação "de mútuo consentimento", pelo que podem continuar a ver-se. Mas Millsteed proibiu-os de terem relações sexuais face ao elevado risco que uma criança nascida duma relação incestuosa corre de nascer com malformações e exigiu três anos de "bom comportamento".»
Sem comentários. E com isto não estou a ser nem a favor nem contra. Não sei.

Já tinha lido sobre isto, mas está no caderno P2 do PÚBLICO de ontem.

3 – o caso da ida de Jorge Coelho para a Mota-Engil…
A lei impõe três anos de “período de nojo” entre a saída de funções governativas e a ida para empresas com as quais o ministro teve algum relacionamento. Coelho esteve sete anos. Agora alguns partidos querem o alargamento desse período de afastamento: 5 anos pede o CDS-PP, 10 anos pedem os puros do BE.
Em suma, parece que quem é político tem de ser uma espécie de entidade divina superior, alheia ao mundo, e sem qualquer vontade e/ou ambição de fazer mais alguma coisa na vida para além de política.
Não pode ir para nenhuma empresa com a qual tenha tido relações enquanto político porque há interesses; não pode ir para outra área porque não percebe nada do negócio e só vai para lá por ter sido político. Não pode ir no dia seguinte a deixar de ser político porque está muito próximo; não pode ir passados muitos anos porque tem contactos privilegiados. Enfim…
Com esta lógica fabulosa, a escolha de políticos só pode ser a seguinte:
- pessoas que nunca fizerem mais nada na vida senão política, de preferência originários das juventudes partidárias, e que só chegaram ao topo aparelhisticamente. Normalmente estes cidadãos não têm qualquer noção da realidade do país e são incompetentes, mas isso não interessa nada.
- se forem pessoas reconhecidas fora da política, quando terminarem a sua função devem suicidar-se. É que após terem sido políticas as pessoas não podem fazer mais nada por passarem a ser corruptos e mais não-sei-quê...

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Um mau que até não o é

Em contraponto com a dramática notícia anterior, o PÚBLICO titulava isto:
Antes de mais, vale pena ler os comentários da notícia no site...
De qualquer forma, uma notícia destas só pode significar que:
- a bandeira dos iluminados da esquerda, de que o aborto era uma libertação para a mulher, não tinha conteúdo;
- a liberalização do aborto não terá significado uma passagem dos "vãos de escada" para a rede hospitalar. Embora, obviamente, não haja números da clandestinidade. As idiossincracias de um povo não se mudam por decreto.
- as políticas de planeamento familiar e afins têm sido um sucesso.
Nos últimos meses/anos tenho sabido de casos de gravidezes não programadas. A lógica libertária acima, levaria a crer que se iriam traduzir em abortos. A realidade diz o contrário: a mulher tem decidido avançar com a gravidez.
Po um lado, 6000 abortos em seis meses não deixa de ser dramático. Por outro, um número tão "baixo" é um aspecto positivo.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Novo paradigma

A Conferência Episcopal Portuguesa pronunciou-se hoje sobre o resultado do referendo do aborto do passado fim-de-semana. Tendo em conta que o resultado foi aquele (e relembro que também votei "não"), é necessário mudar de paradigma e ver o que pode - e deve! - ser feito para evitar o aborto. Ou seja, aquilo que todos falam e que nunca foi feito: planeamento familiar, educação sexual, eliminar as causas do aborto (pobreza...), disponiblizar muita formação e informação...
"Há alturas em que se percebe muito bem por que razão a Igreja sobrevive no tempo. A análise que a Conferência Episcopal Portuguesa faz dos resultados do referendo é um excelente exemplo de ponderação e de atenção à realidade e à mudança. Contrariamente ao que faz toda uma escola de ressentidos do "não", muito representada nos blogues "de direita", a Igreja afirma haver significativas mudanças de mentalidade na sociedade portuguesa, identifica essas mudanças pela maior importância dada à autonomia individual (não usa este termo, mas quase), dá importância ao resultado, tenta compreender o "sim" sem anátemas nem minimizações. É por isso que vai continuar a ter um papel decisivo, diferente do passado, mas fundamental."

domingo, 11 de fevereiro de 2007

Referendo abortou?

O referendo abortou. O País fica pendurado da realidade pré-existente.
Com uma abstenção de 55 – 60%, os portugueses deram a entender que esta não era uma questão que os preocupasse particularmente, e que, portanto, é para deixar ficar como está.
E pronto! Não ficando nada alterado, os arautos da tolerância, da democracia e da liberdade vão ter de encontrar outra forma para mudar a lei no sentido que pretendem...

Quanto à dúvida existencial que se irá colocar sobre o instituto do referendo, penso que desta participação não se deve concluir que se deve acabar com ele.
Há eleições com pouca participação (por exemplo, as que elegem o Parlamento Europeu) e ninguém propõe acabar com essas eleições. A questão que se poderá, legitimamente, colocar no referendo, é se faz sentido haver uma percentagem mínima de participação que determine o carácter vinculativo do seu resultado.
1 - o Movimento Pelo Sim faz uma declaração panfletária, a gritar vitória (Absurda! não percebo esta palavra num referendo com esta natureza), e a tentar forçar a alteração da lei a partir da Assembleia da República. O que diriam estes movimentos se, com um resultado inverso (portanto, também não vinculativo e com vantagem do "não"), os movimentos do Não pretendessem mudar a lei na mesma Assembleia?!
2 - o Parlamento - obviamente - se quiser pode legislar no sentido que entender. É a questão da legitimidade política. E essa, tem-na naturalmente. E, embora não vinculativo, pode legislar no sentido que apontam os resultados.
3 - a referência de Louçã aos católicos (que, segundo ele, votaram maioritariamente pelo "sim". Como saberá?) é manifestamente abusiva e demagógica.
4 - o resultado do referendo não premeia ou penaliza nenhum partido ou líder político. Quem fizer essa leitura não percebeu nada.
5 - o Abrupto, de Pacheco Pereira, está a acompanhar minuto a minuto os resultados. Boa ideia! A seguir um comentário de um cidadão, a partir deste blogue:
"As pessoas que celebram a vitória por acaso recordar-se-ão (ou saberão) que a lei actualmente em vigor foi anunciada em 1984 como sendo uma lei que poria fim ao «flagelo do aborto clandestino»?"
6 - a SIC tem, no seu site, uma interessante infografia das leis aplicadas nos vários países europeus sobre esta matérias. A consultar.
7 - ponderada, a intervenção de José Sócrates. E - agora! - fala de um período de acompanhamento e reflexão para a mulher que solicite a IVG.
8 - a estupidez em estado puro, num blogue do "não" citado pelo Abrupto: "Venceu a cultura da morte! 11 de Setembro, 11 de Março, 11 de Fevereiro. Datas manchadas pela morte!"
9 - sociologicamante, é curioso ver os distritos cujos resultados foram mais extremos: Beja, com 83% de"sim"; regiões autónomas (Açores e Madeira), com 67% de "não".
E acabou!
O assunto ficou resolvido!

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

A (ir)responsabilidade do 'sim'

Maria José Nogueira Pinto escreveu hoje no Diário de Notícias:
Responsabilidade é uma das palavras de ordem da campanha do "sim". Votar "sim" - dizem - é ser responsável. Apresentam este "sim" como única solução para a despenalização da prática de aborto, como única forma de pôr um ponto final no aborto clandestino. E repetem - vezes sem conta - que é isto e apenas isto que está em causa no referendo de dia 11.
Mas aquilo que este "sim", que se diz responsável, não esperava era que muitos portugueses percebessem que, afinal, não é só isso que estará em causa no dia 11. Aquilo que este "sim" não esperava é que esta pergunta suscitasse - quando confrontada com as evidências - tantas outras perguntas. Perguntas para as quais este "sim" e a lei que oferece não encontram respostas.
Hoje o "sim" já não utiliza as palavras de ordem de 98. Este conceito de responsabilidade vem substituir a famosa frase "na minha barriga mando eu"; nem vemos mulheres, como vimos em 98, declararem orgulhosamente ter feito um aborto. O "sim" - o mesmo "sim" de 98 - percebeu que não poderia fazer esse tipo de campanha, ou utilizar esse tipo de argumentos. Se o aborto clandestino, sobretudo pelos riscos que lhe são associados, nos choca, o aborto legal - violência irreversível sobre outro - também nos choca. Porque temos hoje ainda mais certezas e estamos mais próximos desse outro. Então este "sim", que se diz responsável, arrancou do seu argumentário a sequer consideração desse outro. Porque não pode negar a sua existência, ele acaba por ser - numa lógica de debate e ponderação de valores - extremamente incómodo.
Será então responsável uma lei que - naquilo que é um conflito de interesses e ponderação de valores - ignora de forma absoluta uma das partes, a mais vulnerável, negando-lhe qualquer condição ou benefício de dúvida?
É uma lei que assenta numa negligência, não podendo pois ser responsável.
Sabemos também que este "sim" oferece como única resposta a liberalização e financiamento do aborto a pedido até às dez semanas. A mãe que quer abortar corre contra o tempo. Contra o prazo estabelecido pela lei. Por isso esta lei não oferece - e muito dificilmente poderia oferecer - aconselhamento, tempo para reflexão e ponderação de outras soluções. É por conseguinte uma lei cega. Uma lei que ignora condições sociais e financeiras. Uma lei que não dá tempo ou espaço para momentos de fragilidade, vulnerabilidade, dúvida ou angústia.
Será então responsável uma lei que - para casos tão distintos, protagonizados por mulheres tão diferentes - a todos responde com o aborto? Resposta rápida, única, legal e higiénica. E será esta a resposta que as mulheres portuguesas querem ouvir? Não esperarão elas mais que isso?
Este "sim" - dizem - acabará com o drama do aborto clandestino, e afirmam, mesmo contra a evidência dos números, que não irá contribuir necessariamente para o aumento do número total de abortos. Sabemos bem que, tal como no Reino Unido, em Espanha, em França ou nos EUA, os números vão aumentar. Porque ao número de abortos que se realizariam na clandestinidade - e agora se realizarão em estabelecimento de saúde autorizado - somar-se-ão os milhares de abortos que serão feitos porque esta prática passou a ser legal, livre e financiada. E para além do aborto legal continuaremos a ter o aborto ilegal: das mulheres que perderam a corrida contra o tempo e abortam depois das dez semanas, das mulheres que - pressionadas por um sentimento de culpa ou embaraço - não se dirigem ao SNS, onde terão de ser identificadas. Das jovens e adolescentes que, sendo menores, continuarão a optar pela clandestinidade a ter de enfrentar os seus pais.
Será responsável uma resposta que - prometendo a diminuição do número de abortos - acabará por contribuir para o seu aumento exponencial?
Este "sim" responsável apresenta-se também - por oposição ao "não" - como aquele que respeita a dignidade das mulheres portuguesas. Este "sim" acusa o "não" de má-fé. O "não", dizem - ao alertar para a evidência comprovada de que o número de abortos, após a liberalização, aumenta - parte do pressuposto de que as mulheres abortarão de "ânimo leve". O aborto não será utilizado como método anticonceptivo, dizem. E neste ponto o "sim" não negligencia, não é cego nem omite. O aborto não será utilizado como método anticonceptivo, exactamente porque se apresenta como solução pós-concepção. É que o "sim" - que se diz responsável - pretende consagrar a maternidade - após ser um facto - como uma opção. E a mulher que - against all odds - decidir ser mãe em condições emocionais, sociais ou financeiras difíceis sê-lo-á por opção. Opção pela qual poderá ser inteiramente responsabilizada. A maternidade - direito e opção - é cada vez mais entendida na segunda perspectiva.
O "não" - o "não" responsável - acredita que a aposta deve ser feita antes. O "não" entende que não se pode baixar os braços: são precisas mais e melhores respostas. Educação sexual, planeamento familiar, verdadeiras políticas de apoio à família. Políticas que existem e funcionam nos países - tantas vezes citados por este "sim" que se diz responsável - e que têm legislações menos restritivas em relação à prática de aborto. Se este "sim", que é responsável, nos aponta outros países como exemplo, que não esconda nem omita os outros exemplos que talvez prefiramos seguir.
O "sim" - que se diz responsável - de que vos falo é o "sim" efectivamente responsável por criar e reforçar, neste momento, outras soluções que não o aborto. De certa forma, ao oferecer-nos esta solução, este é o "sim" responsável que se desresponsabiliza.
PS:
alguns excertos foram por mim destacados.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

O limite dos argumentos

Também tenho dúvidas, também questiono motivos, também aceito outros pontos de vista, desde que abertos e não fundamentalistas.
Nesta lógica, o Pedro Lomba, jornalista e administrador do Vício de Forma, escreveu no DN por que mudou de posição relativamente ao aborto entre 1998 e agora.
Leiam aqui o artigo em causa.

Nenhuma vida é de mais

O Prof. Adriano Moreira, José Ribeiro e Castro e Paulo Portas publicaram hoje, no Jornal de Notícias, um artigo a propósito do próximo referendo sobre o aborto.
Cá fica:
"1. Humanistas, celebramos a vida como o primeiro de todos os direitos humanos. Personalistas, acreditamos numa civilização e numa cultura em que a liberdade de decidir não elimina a liberdade de existir, o direito de ser.
Sabemos que existe vida humana antes do nascimento. Sabemos que cada vida é, já nesse estádio, real e sensível, singular e própria, única e irrepetível. Nunca houve pessoa assim, nunca haverá outra como essa. Cada um é cada um.
Conhecemos os progressos técnicos e científicos que têm vindo a revelar cada vez mais pormenores desta realidade inegável, enriquecendo o conhecimento empírico e tornando-o acessível a todos.
Defendemos esta orientação ética e política com humanidade e compreensão, sem recriminações. Para nós, o aborto é uma questão de valores humanos e de direitos fundamentais, de valores sociais por conseguinte. Um domínio em que a lei deve realizar a sua função mais nobre de defesa dos mais frágeis, dos mais fracos, dos mais vulneráveis. E também uma questão de políticas públicas que, ao mesmo tempo, previnam, a montante, o aborto clandestino e assegurem as indispensáveis informação e acção social junto das situações de risco ou de maior carência.
2. Pretende legalizar-se o aborto em todas e quaisquer circunstâncias até às dez semanas, isto é, até aos dois meses e meio de gravidez. Somos contra esta proposta de liberalização total do aborto.
A actual lei, fazendo uma ponderação jurídica de conflitos de interesses e valores, já despenaliza o aborto em certos casos, especialmente atendíveis, sob indicação médica, como a malformação do feto, a violação ou o risco para a saúde física ou psíquica ou da vida da mãe. Enquanto que a nova proposta em referendo sacrifica a vida ao arbítrio; e de facto deixa de considerar a vida como um valor. A diferença, agora, está em passar a considerar o aborto no quadro da saúde sexual e reprodutiva, equiparando-o a meio contraceptivo.
Diversamente do que outros dizem, de forma enganosa, não se trata de alargar as excepções da lei actual. Trata-se de acabar com todas e quaisquer excepções até às 10 semanas. Trata-se de introduzir na ordem jurídica o direito ao aborto livre até aos dois meses e meio de gestação. É uma proposta sem equilíbrio, nem moderação.
3. Este referendo convoca de novo as responsabilidades do Estado, que, vinculado à protecção da vida pela Constituição, não pode demitir-se dos seus deveres de solidariedade real com as famílias, em geral, e das que passam pelo drama humano e social do aborto. A criança é, desde a concepção, como diria Hannah Arendt, o anúncio de um estrangeiro que vai chegar e que a comunidade tem o dever de acolher e integrar; e, por isso, compete ao Estado garantir o acolhimento sem validar qualquer escusa pública que induza ao desespero maternal e familiar. A resposta está em combater as causas efectivas do aborto clandestino, na protecção da maternidade e da paternidade, no planeamento familiar, na educação, na informação pública, na diminuição e na eliminação da pobreza, na intensificação e na melhoria das políticas familiares, na humanização da Justiça, no apoio determinado a instituições de acção social como os centros de apoio à vida, ou outras obras de apoio à maternidade e à infância em situações de risco ou especial carência.
Neste terreno axial da Ética e do Direito, o Estado não deve emitir os sinais errados à sociedade civil, traindo os imperativos da solidariedade social, desleixando as políticas familiares e fraquejando na acção social directa nas situações de maior vulnerabilidade. E é ainda seu dever o combate contínuo à desinformação e à persistência de níveis anacrónicos de falta de esclarecimento, informando a opinião pública da impressiva realidade da vida humana antes do nascimento, na linha dos avanços da ciência, e democratizando as descobertas e o extenso conhecimento que tornam acessível a todos.
4. Este referendo não é uma opção entre Direita e Esquerda, entre católicos e ateus, entre novos ou velhos, entre mulheres ou homens. Não é partidário, nem é clerical. Não interessa mais a certas categorias de portugueses do que a outras. Este referendo convoca todas as consciências, interrogando-nos e desafiando-nos no plano dos valores essenciais da pessoa humana.
Revemo-nos na atitude cívica, generosa, dos movimentos que se organizaram em defesa da vida e reconhecemos a sua liderança social.
Este referendo provocará um avanço de civilização, se der protecção à vida, ou um retrocesso de civilização, se banalizasse a sua eliminação. Em defesa do direito à vida, votamos não no próximo dia 11 de Fevereiro."