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quarta-feira, 4 de abril de 2007

Nada como a força...

Hoje, o presidente iraniano anunciou a libertação dos 15 militares britânicos que tinham capturado há já duas semanas.
Ontem, a mensagem de Tony Blair foi clara: "Durante este processo temos tido dois princípios: um é tentar resolver o assunto através de negociações pacíficas e tranquilas. O outro é tornar claro que, se isso não for possível, teremos de assumir uma posição cada vez mais dura".
Traduzindo: ou vocês libertam e devolvem os nossos militares, ou não temos problema nenhum em pôr umas bombas aí encima.
Realmente, há coisas que só se resolvem com a diplomacia das armas. Goste-se ou não, é assim. Real politic... Costuma funcionar.

domingo, 1 de abril de 2007

Portugal: crise existencial

Pacheco Pereira escreve sobre as crises existenciais que abalaram o stablishment português, no Abrupto:
«Os eventos dos últimos dias revelaram a força de duas atitudes populares a que chamarei, por conveniência classificativa, a do "salazarismo difuso" e a do "politicamente correcto". Na realidade, embora pareçam distintas, elas são uma e a mesma atitude, com dois tempos históricos e genealogia diferentes, uma gerada à direita e outra à esquerda, mas ambas muito semelhantes nos seus efeitos sociais. A diferença entre um "salazarista difuso" e um "politicamente correcto" está no estilo e nos temas onde se exerce a sua acção, quase nada mais.

(…)

Quer o "salazarismo difuso", quer o "politicamente correcto" são atitudes contra a liberdade, contra aquilo que é vital numa democracia: um espaço público crítico, dividido, contraditório, competitivo e árduo, sem censura e sem os salamaleques a substituírem o falar livremente, de que tanta falta temos como abominamos. Sem esse espaço, a pasmaceira respeitosa, o sebastianismo preguiçoso, a boa consciência contente são os melhores ingredientes para a mediocridade a que infelizmente estamos tão habituados na nossa casinha portuguesa, pobre, mas honrada, onde não há racistas nem xenófobos e todos queremos o bem dos outros, a unidade, o consenso, em vez de andarem às turras uns com os outros sem cuidar do país. Ámen.»