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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Uma questão de fé...

A 31 de Julho de 1928, o Conselho de Ministros aprovou o primeiro Orçamento de Estado do ministro das Finanças Oliveira Salazar. Este falou ao povo: "Aconselhamos optimismo? Pessimismo? Apenas: fé!"

Fonte: revista Sábado nº 301 (4 a 10 Fevereiro 2010)

domingo, 1 de abril de 2007

Portugal: crise existencial

Pacheco Pereira escreve sobre as crises existenciais que abalaram o stablishment português, no Abrupto:
«Os eventos dos últimos dias revelaram a força de duas atitudes populares a que chamarei, por conveniência classificativa, a do "salazarismo difuso" e a do "politicamente correcto". Na realidade, embora pareçam distintas, elas são uma e a mesma atitude, com dois tempos históricos e genealogia diferentes, uma gerada à direita e outra à esquerda, mas ambas muito semelhantes nos seus efeitos sociais. A diferença entre um "salazarista difuso" e um "politicamente correcto" está no estilo e nos temas onde se exerce a sua acção, quase nada mais.

(…)

Quer o "salazarismo difuso", quer o "politicamente correcto" são atitudes contra a liberdade, contra aquilo que é vital numa democracia: um espaço público crítico, dividido, contraditório, competitivo e árduo, sem censura e sem os salamaleques a substituírem o falar livremente, de que tanta falta temos como abominamos. Sem esse espaço, a pasmaceira respeitosa, o sebastianismo preguiçoso, a boa consciência contente são os melhores ingredientes para a mediocridade a que infelizmente estamos tão habituados na nossa casinha portuguesa, pobre, mas honrada, onde não há racistas nem xenófobos e todos queremos o bem dos outros, a unidade, o consenso, em vez de andarem às turras uns com os outros sem cuidar do país. Ámen.»

segunda-feira, 26 de março de 2007

Salazar, esse grande português...

Triste país este, que em 10 séculos de história só tem um ditador como figura de referência, e que escolhe como o seu “maior”.
Ainda para mais um país que já foi potência mundial, império, tem grandes feitos na sua história, e que se reduz identificando-se com uma personagem de um século pouco notável na nossa vida colectiva. sim, o séc. XX português é de um constrangimento enorme!

Salazar e Cunhal são duas faces da mesma moeda. E foram escolhidos como a primeira e segunda personalidades de referência. Um ditador, outro que – felizmente! – não teve o poder para o ser.

O resultado deste programa da RTP é a prova de que a revolução de mentalidades está longe. E urge ser feita.

Salazar nunca se submeteu a eleições. Ironicamente, é ele o escolhido na votação de um programa-concurso televisivo.

O resultado oficial, de acordo com a RTP, é o seguinte:

1º António de Oliveira Salazar - 41,0%
2º Álvaro Cunhal - 19,1%
3º Aristides de Sousa Mendes - 13,0%
4º D. Afonso Henriques - 12,4%
5º Luís de Camões - 4,0%
6º D. João II - 3,0%
7º Infante D. Henrique - 2,7%
8º Fernando Pessoa - 2,4%
9º Marquês de Pombal - 1,7%
10º Vasco da Gama - 0,7%

Nº total de votos válidos recebidos: 159.245
Nº total de chamadas recebidas: 214.972

No início, aquando da primeira polémica pela ausência de Salazar na lista de sugestões de grandes portugueses, defendi – e mantenho – que este devia constar. A democracia pressupõe essa liberdade. Tal como não me choca o museu que querem fazer em Santa Comba Dão, terra do senhor. Desde que não seja uma lavagem da memória!

O que me incomoda é que passados 40 anos após a sua morte, e pouco mais de 30 sobre a queda do seu regime – portanto, com cidadãos que viveram sob a sua ditadura! – haja quem vote nele para “grande português”.

Tanto português notável nesta curta lista de 10 finalistas, e os dois primeiros lugares são ocupados pelas piores personagens…. Que comparação fazer com nomes realmente grandes como Churchill, De Gaulle, Reagan…?
Vale a pena pensar nisto!

Notícias deste momento televisivo no Público e no SOL.