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terça-feira, 8 de maio de 2012

Ventos franceses

Ainda nem tomou posse e François Hollande já anunciou uma medida disparatada: bloquear o preço dos combustíveis.
Quem usa carro (aparentemente) não paga. Mas pagam todos através do Estado.
Socialistas no seu melhor.

Esta é um must:
"E o PS português também vai ser mais activo depois da vitória de Hollande?
Sem dúvida. O líder do Partido Socialista, António José Seguro, acompanhou François Hollande no último comício. Isso é significativo. Ele arriscou estar ali ao lado do líder que podia ganhar ou perder. Os franceses isso não vão esquecer."

E continua a pensar em Portugal em primeiro lugar:
"Eleições a curto prazo?
Não diria eleições a curto prazo. As eleições estão marcadas para 2015, mas não creio que isto possa subsistir tanto tempo, embora o Partido Socialista só tenha vantagem em ficar de fora nos tempos mais próximos."

E mais à frente:
"O sr. dr. está a dizer que o PS já não tem que se sentir obrigado a ser fiel ao acordo da troika?
Exactamente. Tudo evoluiu: o acordo da troika, a troika e o país.
Portanto, o correcto é agora o PS dizer “já não nos sentimos identificados com o acordo da troika”…
Foi o que já disseram. “Sigam o seu caminho” – foi o que disse Seguro e eu concordei com essa expressão.
Isso significa ruptura, significa que o acordo da troika pode ir ao ar?
Pode ir ao ar. Senão for pelo PS, poderá ser pela própria troika que vai ao ar.
A troika pode, ela própria, implodir?
Claro que sim. A troika entrou aqui como se Portugal fosse um protectorado. Mas não é! Isso foi um erro terrível. O primeiro-ministro, com a sua mentalidade neoliberal, disse que era preciso ir além da troika, e isso não faz nenhum sentido, no meu entender. E cada vez faz menos, à medida que a receita se vai desfazendo."

É quem nem à estalada!

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Diz que a Democracia é assim




Convém lembrar a estas excelências que o "actual poder político" foi legitimado pelo voto de 50% dos eleitores portugueses há menos de um ano. 
Com isto não quero dizer que o actual poder político tem sempre razão - e já o critiquei várias vezes - mas que está a seguir a linha política que prometeu e que foi acolhida pela maioria dos eleitores. 
Estão a fazer coisas que não terão prometido? Talvez. 
Já terão dado alguns tiros nos pés desnecessariamente? Sim.
Estão a pôr em causa a democracia? Não.
Estão mais a pô-la em causa estes senhores que se consideram donos da verdade absoluta sobre o 25 de Abril , que acham que a única vida possível é debaixo do tecto do socialismo, e que são de uma intolerância sem nome para tudo o que não tem o seu cunho político.

Além destes pormenores de um ex-presidente da República que agora é radical, e de uma associação proprietária da liberdade, gostava de saber qual a relevância de Manuel Alegre não ir à cerimónia oficial do 25 de Abril na Assembleia da República: porventura o poeta é deputado? Ou o facto de tê-lo sido confere-lhe algum direito especial?

sábado, 2 de julho de 2011

Mas ainda bem que não evitou


Mas ainda bem que não evitou. 
Senão íamos continuar na aldrabice reiterada do PS-Sócrates. O maravilhoso défice de 7,7% no primeiro trimestre (falta saber o fabuloso legado do segundo trimestre...) seria fantástico e caminharíamos alegremente, juntamente com o Estado Social rosa, para o abismo absoluto. Para acompanhar a Grécia.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

25 de Abril: 37 anos, 4 presidentes



Mais um aniversário do 25 de Abril.
Com a crise, a comemoração foi diferente. Com a Assembleia da República dissolvida, a cerimónia decorreu no Palácio de Belém. E o actual inquilino, Cavaco Silva, convidou os antecessores no cargo, transmitindo uma mensagem de unidade. 
E todos os discursos foram nesse sentido: unidade, entendimento, responsabilidade, verdade.
Do que ouvi dos discursos de Ramalho Eanes, de Mário Soares e de Jorge Sampaio, foi este que teve o melhor discurso. Um discurso claro - sem ser em sampaiês - que mostra caminhos. Sem lamúrias (palavra tão cara para ele), e olhando em frente.
Até me pareceu melhor discurso que o de Cavaco Silva.

Realço esta passagem da intervenção de Jorge Sampaio:

"A experiência que temos diz-nos ainda que a coragem a pôr na superação das dificuldades ganha afirmação e nitidez quando nos projectamos num horizonte mais largo evitando ficarmos confinados aos limites de um tempo curto. Temos de olhar em frente com desassombro e determinação. Olhar em frente, não para não vermos as dificuldades, mas para equacionar a sua solução numa perspectiva de sustentabilidade e de durabilidade. Por muito urgente que seja - e é! - resolver os problemas imediatos e prementes, não nos podemos deixar esgotar neles, porque isso nos diminui a capacidade de actuação. Um das razões por que chegámos à situação em que estamos foi a falta de sustentabilidade e a ausência de uma visão de longo prazo com que muitas vezes se decidiu e escolheu, comprometendo o futuro.

Sabemo-lo todos: Portugal enfrenta graves dificuldades e não vai ser fácil ultrapassá-las. Encarar a situação de frente é indispensável para conseguirmos fazer o que tem de ser feito. Contudo, mais grave do que os nossos problemas actuais é a sua longa persistência. E é a sua repetição cíclica, fazendo disso uma constante histórica. É o seu arrastamento e a sua degeneração em problemas cada vez mais graves. Reconhecer isto é a primeira condição de uma análise eficaz e de um agir consequente.

Este é o tempo de mudarmos todos radicalmente de atitude. Há que iniciar uma nova fase da nossa relação com o país, com a Europa e com o mundo. Necessitamos de mais perspectiva e de menos miragem, de mais exigência e de menos facilitismo, de mais rigor e de menos desperdício, de mais vontade e de menos voluntarismo. Precisamos de quebrar o ciclo vicioso de bipolaridade em que, depois de sermos os maiores, passamos a ser os piores, após o que voltamos a ser os maiores outra vez. Como ensinou Eduardo Lourenço, temos, colectivamente, de ajustar melhor o que somos com o que pensamos ser; a realidade com a nossa imagem dela."

E mais adiante:

"Fernando Pessoa escreveu um dia: “Uma nação que habitualmente pense mal de si mesma acabará por merecer o conceito de si que anteformou. Envenena-se mentalmente. O primeiro passo para uma regeneração, económica ou outra, de Portugal é criarmos um estado de espírito de confiança — mais, de certeza — nessa regeneração”."

Todos os discursos estão disponíveis no site da Presidência:

quarta-feira, 23 de março de 2011

Um apelo angustiado: saia!

Mário Soares, ex-presidente da República, escreveu um artigo de opinião no DN, "um apelo angustiado".

Então... Sócrates, o Governo e o PS é que provocam a crise, e tem de ser Cavaco Silva a impedir a catástrofe?!
Os irresponsáveis que provocaram a crise que assumam as suas responsabilidades. E que deixem de dar cabo do país.
Citando Paulo Portas há um ano: "saia!"

Parte da solução do problema passa por remover a causa do problema.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Resolver o problema pelo lado errado

Em vez de se cortar na despesa (de facto, e não em versão propaganda), vai-se ao bolso de quem paga.

No PÚBLICO:

"Nova subida de IVA e tributação extraordinária do subsídio de Natal de toda a população, duas medidas ponderadas pelo Governo para garantir o novo objectivo do défice, têm o potencial para, este ano, gerar uma receita adicional para o Estado de mais de 3000 milhões de euros

Para cumprir a promessa feita aos parceiros europeus no fim-de-semana de colocar o défice em 7,3 por cento já este ano (o valor que estava previsto era de 8,3 por cento), o Governo precisa de encontrar, até Dezembro, poupanças ou receitas adicionais de cerca de 1700 milhões de euros. Para garantir uma verba desta magnitude em tão curto espaço de tempo - e sabendo que o adiamento das grandes obras públicas gera uma poupança irrisória no curto prazo - o executivo está a virar-se para medidas de efeito mais imediato e garantido.

A subida dos impostos indirectos, como o IVA, é a hipótese mais óbvia, mas em cima da mesa está também um cenário de tributação extraordinária do subsídio de Natal, tanto no sector privado como público. Ontem, o Diário Económico escrevia que eram estas duas medidas que estavam a ser pensadas pelo Governo e discutidas com o PSD. O potencial de receita deste tipo de medidas é bastante elevado, superando claramente o ponto percentual do PIB que é necessário para corrigir o défice este ano. Com a subida do IVA, os responsáveis do Ministério das Finanças têm, no passado recente, esperado uma receita média anual de 500 milhões de euros por cada ponto percentual de subida da taxa. Caso fosse aplicada a partir de Julho próximo, o Estado poderia arrecadar entre 225 e 250 milhões de euros por cada ponto de subida. Sabendo que uma alteração não deverá ir nunca além dos dois pontos percentuais - para 22 por cento -, o ganho potencial com esta medida este ano é de cerca de 500 milhões de euros.

Já um imposto extraordinário sobre o 13.º mês tem uma receita potencial bem superior, embora dependente da taxa a aplicar. A estimativa do PÚBLICO é a de que, caso esse imposto correspondesse à totalidade do ordenado, o Estado arrecadaria entre 2300 e 2400 milhões de euros. O valor pode ser calculado com base nas estatísticas da Segurança Social. O 13.º mês antes de impostos corresponderá a 2690 milhões de euros. O Estado já retira a sua parte com o IRS (a taxa média de IRS foi de 16,5 por cento - 440 milhões de euros), ou seja, a receita adicional efectiva seria de cerca de 2250 milhões de euros. Claro que o Governo pode optar por taxar apenas uma parte do valor do subsídio de Natal - em 1983, foi cerca de um quarto."


Entretanto...

Mário Soares: "Sem a terceira ponte [a linha do TGV entre Poceirão e Caia] passou a ser uma obra que não faz sentido" (in 'Diário de Notícias', via Corta-fitas).

Ora bem, cá está uma coisa óbvia da qual eu já tinha falado. A não ser que o TGV, ao aproximar-se de Lisboa, ganhe asas ou se torne anfíbio...

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Coisas da Europa

Há alguns dias, Mário Soares disse isto de Durão Barroso: "homem inteligente, mas rosto do passado". E agarrou-se ao facto de Barroso ter recebido Bush, Blair e Aznar na Cimeira dos Açores que deu início à guerra do Iraque. Com esta dica, pretendia afastá-lo de um segundo mandato como presidente da Comissão Europeia.
Só me lembro de uma palavra para adjectivar Soares: ressabiamento.

Entretanto, apesar do stereo socialista sobre o assunto, no Parlamento, hoje, Sócrates confirmou que apoiará Barroso para um segundo mandato, mesmo que os socialistas sejam vencedores nas eleições europeias. Um "apoio patriótico".

E... só falta o PSD definir quem são os seus candidatos á eleições de Junho. O CDS anunciou hoje, via sms, os seus candidatos ao Parlamento Europeu: Nuno Melo, Diogo Feyo e Teresa Caeiro. Apenas fico com pena por Feyo abandonar a Assembleia de República, onde é líder parlamentar do CDS: um dos melhores e mais bem preparados.
A nível europeu, o CDS tem já o meu voto.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

E então, Dr. Soares?

Mário Soares especializou-se, nos últimos anos, em bradar contra o capitalismo selvagem, a desregulação e afins, bem ao lado do PCP e do BE, e contra George W. Bush, essa personalização do mal absoluto.
Agora, com a crise financeira, e com a intervenção do Estado americano para impedir falências que teriam consequências desastrosas em todo o mundo, deixando muitos no desemprego e na completa miséria, o Mário Soares escreveu no DN:

"Perante a catástrofe iminente, aqueles mesmos que reclamavam, há poucos meses, menos Estado, mais privatizações, recorrem agora ao Estado, com total desfaçatez, isto é: ao dinheiro dos contribuintes. Privatizam-se os lucros e socializam-se os prejuízos – essa parece ser agora a regra."

Criticando os gananciosos que levaram a esta crise, o que defende Mário Soares?
Deixar a bancarrota arrastar tudo e todos?

Vale a pena ler todo o artigo de Soares.
Fica uma dúvida: para a "reforma" da Esquerda que ele defende, qual deve ser o modelo a seguir? Os Morales e Chavez, superiores democratas?

terça-feira, 27 de maio de 2008

Soares: pobreza e desigualdade

Mário Soares, através de artigo no DN, chamou hoje a atenção para a pobreza e desigualdades que cada vez mais se acentuam na nossa sociedade.
Descontando algumas generalidades e discurso anti-Bush, toca em pontos essenciais aos quais os poderes públicos devem estar atentos, e resolvê-los.
A ler aqui Pobreza e Desigualdades.