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domingo, 28 de agosto de 2011

Blogosferando - 60


Pacheco Pereira sobre a Pobreza:

"Nas nossas televisões pensa-se que a pobreza, é representada pelas famílias da pequena burguesia que, de chinelos e calções, ao sol algarvio, dizem que antes iam mais ao restaurante e hoje vão menos, antes ficavam quinze dias de férias, hoje só dez. Essas famílias estão a perder muito do seu status social, e, num certo sentido, a empobrecer, na presunção de que o que dizem é verdade porque o “politicamente correcto” diante de uma câmara de televisão é fortíssimo. Mas são tudo menos pobres: têm férias, o que significa que tem trabalho; podem deslocar-se de automóvel trezentos quilómetros pelo menos, o que significa que tem automóvel e dinheiro para gasolina; estão num hotel, apartamento, andar, casa alugados, o que significa que tem dinheiro para o pagar. E pelos vistos, não tinham e ainda não tem o hábito de cozinhar em casa, porque isso “não é férias”, em particular para a mulher do casal. Podem começar a ter dificuldades, mas não são pobres.

Os pobres são “porcos, feios e maus”, velhos, mal tratados, e habitam em pseudo-casas onde um alguidar está ao lado do fogão, e há sempre roupa suja numa pilha. Não são bonitos nem televisivos nem estão no Algarve, na grande transumância nacional de Agosto. E as senhoras jornalistas, que o sexismo das estações atira para as reportagens “sociais”, não acham muito agradável ir ao bairro, ou ao prédio degradado, ou a Setúbal, ou ao Cerco do Porto, a não ser que haja qualquer cena de pancadaria com a polícia para relatar."

Tem toda a razão.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Wishful thingking


Neste país há quem acredite que tudo se resolve com legislação. E que tudo o que a legislação diz é cumprido e é verdade.

Há uns meses era Luís Amado, MNE, a defender que o limite do défice devia estar inscrito na Constituição... Isso resolveria o problema?
A Constituição diz muitas coisas. Diz que todos têm direito a habitação, que a saúde e a educação são progressivamente gratuitas... Quase todos os governos se têm empenhado em implementar essa gratuitidade... para o Estado. Os cidadãos, esses, pagam propinas, taxas moderadoras, custos de exames...

A pobreza combate-se com uma coisa: crescimento económico. 
Não é com um crescimento inferior a 1% na última década que Portugal vai acabar com a pobreza. Bem pelo contrário. Haja ou não legislação (pateta) como a que é proposta.

É mais um wishful thinking. Como tantos outros que existem neste Portugal à beira mar plantado.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

A pobreza

"A pobreza não é substituir as férias de Cancún por uma semana no Algarve, nem comer menos um bife por semana. É outra coisa muito mais grave, muito mais perigosa e muitas vezes muito menos visível." - Pacheco Pereira, no Abrupto



Ainda sobre pobreza, no Corta-Fitas:
"Sinal de decadência duma anafada burguesia de ideais perdidos foram os recentes anos iludidos com a bolha do experimentalismo social, traduzida em farta legislação fracturante, desconstrutiva. O preço será pago com altos juros, e é chegado o tempo de olharmos para o que se torna aberrantemente prioritário: a pobreza das pessoas. Aquelas que não frequentam bares do Bairro Alto, que não frequentam os blogues ou vernissages. Aqueles que não têm dinheiro para fazer uma sopa, ou dar um presente a um filho. Deslocados, escondidos, sozinhos, vivem envergonhados do mundo, sem pagar ou receber pensão de alimentos. A pobreza é humilhação e solidão; corrói a humanidade da pessoa, é dor profunda. Há demasiados portugueses em sofrimento e é tempo de se atender à realidade e acudirmos às pessoas."

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

A pobreza eterna

“Portugal sempre se caracterizou por ter salários baixos e, portanto, ter um contrato de trabalho estável não quer dizer que tenha um rendimento razoável. Há muita gente empregada em situação de pobreza”

Os baixos salários e a diminuta escolaridade dos portugueses são, segundo Renato Miguel do Carmo, “os dois grandes motores das desigualdades em Portugal” e “um ciclo vicioso que tem repercussões ao nível da pobreza, do desemprego, da mobilidade social e o que nós queremos é chamar a atenção para este carácter de permanência das desigualdades”

quinta-feira, 6 de maio de 2010

"Emprego conveniente"


Em nome do PEC, da crise, e de sei lá mais o quê, o governo, com o alto patrocínio das confederações patronais, vai cortar o subsídio de desemprego.
Supostamente vão poupar 40 milhões de euros (valor que ninguém sabe de onde veio), uma gota no buraco que estão a cavar prosseguindo com obras públicas mastodônticas.
Olhando com atenção para o quadro que o Jornal de Negócios hoje publicou, percebemos o que isto vai dar. E percebemos a alegria do patronato com a nova filosofia de atribuição do subsídio de desemprego: vai baixar os salários já de si miseráveis a milhares de pessoas.
A conversa pateta de muitos viverem do subsídio de desemprego vai levar a uma redução geral dos salários, aumentando a pobreza e a miséria.
Uma pessoa cujo vencimento bruto seja de 550€ é obrigado a aceitar viver com 461,10€. Um corte de 16,2%. Passa de miséria para miséria.

Para além destas medidas contabilísticas e sovinas, esquecem um pormenor: as pessoas, empregadas, têm um determinado nível de vida. Só pelo facto de ficarem desempregadas, o nível de vida desce. E, através destas novas regras no subsídio de desemprego, as pessoas ficam ainda mais lesadas.

Enquanto neste país não se perceber que a solução passa por acabar com os pobres, e não com os "ricos", não saímos da cepa torta. Promover a indigência nunca levou a lugar nenhum.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Pobres ricos

A SIC, neste momento pré-eleitoral, deu hoje uma grande reportagem intitulada “Portugal 2009 – ricos e pobres”. Não vi tudo, mas foi muito interessante. Amanhã o tema é a insegurança.
A propósito de um disparate de José Sócrates, de aumentar os impostos para os “ricos”, hoje ouviram alguns fiscalistas, sociólogos e uma família de “classe média” de Leiria com um rendimento mensal líquido de cerca de 2000€.
Esta família, com duas filhas, diz que muito dificilmente consegue poupar, e que o rendimento vai para a casa, os carros e a educação das jovens. Quando questionada se se considerava classe média-alta, a senhora foi clara: não, classe média-baixa.

Dos fiscalistas ouvidos, Diogo Leite Campos, com o apoio de um quadro, explicou o que eu penso sobre o assunto.
Considerar rico quem ganha 10.000€ mensais é um disparate. Sobre este valor recaem 42% de imposto, o que significa que a pessoa só recebe 5800€. E este montante, para casa, carros, roupa, alimentação, educação, é no limite. E, na Europa, quem receba um valor destes é classe baixa.
Claro que para quem ganha 1000€, aquele valor parece elevado, mas quem só recebe 1000€ não é classe média. É miséria!

Concordo a 1000%.
O problema não é haver ricos – é haver pobres. E a solução passa por acabar com os pobres – não com os ricos.
Não é por muitos terem rendimentos miseráveis que se vai alinhar tudo por baixo. É esta uma diferença fulcral entre esquerda e direita.

Um organismo internacional qualquer diz que Portugal terá 10.400 milionários, ou seja, que têm rendimentos acima dos 700 mil euros.
Lembrei-me imediatamente de uma medida de Barack Obama: afinal não vai aumentar os impostos para quem tenha rendimentos anuais até 250 mil dólares (julgo que é este o valor).
Riqueza gera consumo, que cria emprego, que gera consumo, que…

Há quem não entenda, mas isto está tudo ligado.

A propósito, esta entrevista ao I de Luís Campos e Cunha, ex-ministro das Finanaças de Sócrates.

sábado, 18 de julho de 2009

Episódios do dia-a-dia – 4

Esta manhã, ia eu a passar junto do McDonalds da Praça de Londres e assisti ao seguinte episódio:
em frente a esse restaurante, costuma estar um rapaz de Leste aleijado a pedir esmola, sentado no chão.
Hoje, à minha frente, ia um senhor velhote, franzinho, dobrado sobre si mesmo (não deve ficar mais alto que meio metro), e apoiado numa bengala instável. Este velhote costuma estar à porta da igreja de S. João de Deus, ali ao lado, a vender pequenos cântaros de flores, e também já o vi na estação de Benfica.
Continuando... quando o velhote pobremente vestido passou em frente ao rapaz, este meteu a mão ao bolso para lhe dar uma moeda. Chamou o velho-te e estendeu-lhe uma moeda de 20 ou 50 cêntimos. O velhote parou, olhou para trás, mas seguiu o seu caminho sem a moeda.

Este episódio é absolutamente comovedor.

Quando passo ali, o rapaz, como faz com toda a gente, pede moedas. Nunca lhas dei. E muito menos desde que uma vez, indo eu a passar, ele estava acompanhado por dois ou três miúdos (que deviam ser familiares), e começou a chamar nomes aos transeuntes, incluindo eu. Não percebia nada do que ele dizia, mas a reacção dos miúdos, à gargalhada, foi suficientemente esclarecedora.

domingo, 26 de outubro de 2008

Esquina do sonho desfeito

... e um pobre velho, vestido de sujidade, que se deita num banco da avenida e acende um pequeno isqueiro em jeito da vela que não tem. E adormece em solidão, embalado pelo ruído do trânsito que passa, indiferente.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Soares: pobreza e desigualdade

Mário Soares, através de artigo no DN, chamou hoje a atenção para a pobreza e desigualdades que cada vez mais se acentuam na nossa sociedade.
Descontando algumas generalidades e discurso anti-Bush, toca em pontos essenciais aos quais os poderes públicos devem estar atentos, e resolvê-los.
A ler aqui Pobreza e Desigualdades.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Verdade abrupta

"QUEM FICA MAIS POBRE DEVAGAR ACEITA CADA VEZ MAIS O MANDO
Porque é que já estivemos melhor e agora estamos pior e há retrocesso? Porque estamos a ficar mais pobres, com menos esperança, mais presos ao pouco que temos, mais confinados ao mesmo espaço minúsculo, todos em cima dos bens cada vez mais escassos a patrulhar para que os outros não fiquem com eles. Estamos a pagar o preço de um modelo “social” único, de uma Europa única, de um pensamento único que racionaliza este caminho para a pobreza como não tendo alternativa e pune a dissidência.
Só se pode ser pessimista e agir como pessimista, até porque a ideia de que os pessimistas não fazem nada é típíca dos optimistas na sua beatitude."
Pacheco Pereira, no ABRUPTO

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Pobrezas


Assinalou-se hoje o Dia Internacional da Erradicação da Pobreza.

E realizaram-se várias iniciativas idiotas para fingir que se vai acabar com a pobreza: por exemplo, juntar uns estudantes na alameda das universidades, que afinal querem ficar registados no livro do Guiness...

"Uma em cada seis pessoas no mundo vive em condições de pobreza extrema e não tem acesso a medicamentos nem à educação básica, indicam dados internacionais. Em Portugal, um em cada cinco vive em situação de pobreza. Por outro lado, 12% da população global - ou seja, o grupo dos 22 países mais ricos do mundo, em que se inclui Portugal - consome 80% dos recursos naturais disponíveis." (VISÃO)
E 20% de portugueses são 2 milhões de pessoas.... E há décadas que não se resolve este problema de fundo num País relativamente pequeno como é Portugal... Claramente há algo de errado! Mas o TGV é prioritário...

E li esta manhã que o limiar da pobreza em Portugal são os 360,00€. Sim, trezentos e sessenta euros!

Portanto, é perfeitamente possível ter emprego e ser pobre.
Grave!
Ainda mais quando os bancos e tantas empresas em Portugal apresentam lucros escandalosos de 30%.
Poderia escrever muito mais sobre este drama social - que muitas vezes é oculto - mas o que está dito é suficientemente revelador.

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Refugiados


Hoje é o Dia Mundial dos Refugiados.

Refugiados porquê?
Não têm refúgio.
Não têm um tecto.
Não têm alimento.
Não têm vida.
Só têm o nada.
E só têm um horizonte: respirar.
Notícias do dia:

sábado, 14 de abril de 2007

Quem me leva os meus fantasmas

Este é o mais recente single de Pedro Abrunhosa. Quem me leva os meus fantasmas. E retrata a face da pobreza e dos sem-abrigo. No Porto, ou em qualquer outra cidade. Porque a pobreza não tem fronteiras.

sexta-feira, 6 de abril de 2007

Obrigado pela explicação...

«Globalização está a travar salários nos países mais desenvolvidos.
Conclusão é do FMI, que também admite um aumento das desigualdades»
Público, 06 de Abril de 2007

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

Feliz pobreza de espírito

No Jornal de Negócios de hoje, vem o “estudo "Does money buy you more happiness?", elaborado pela escola de gestão espanhola IESE em conjunto com a Universidade da Califórnia, em Los Angeles”, que conclui que “o rendimento mínimo para ser feliz em Portugal é de 10 mil euros por ano. Um pouco abaixo da média mundial, que aponta para os 11.500 euros. Mas acima dos irlandeses que, para serem felizes, precisam de 8.800 euros anuais.”
De qualquer forma, vale a pena fazer umas contas…
Se dividirmos 10.000€ por 14 meses (12 meses + subsídios de férias e de Natal) temos 714,28€. Quem é o cidadão NORMAL que consegue viver com este valor por mês?!
Não vale a pena contar os cidadãos pobres e miseráveis que são reformados. E que dizer do salário mínimo, que está muito abaixo desta insuficiência?
O Sr. Ministro Manuel Pinho deve ter dado pulos de alegria com este estudo, ainda no espírito chinês… Os portugueses, afinal, são felizes!