domingo, 28 de fevereiro de 2010

A máquina* funciona

José Mendonça da Cruz, no Corta-fitas:

"Ontem na RTPN, hoje na SicN, em directos da Madeira, vimos uma coisa extraordinária e rara, mais que extraordinária e rara, admirável: a Baixa do Funchal desimpedida, e além de desimpedida, impecavelmente limpa, com gente passeando e turistas nas esplanadas.
Mas os reporteres da RTPN e da SicN – o primeiro, contando com a presença e conversa do presidente da Câmara do Funchal, Miguel Albuquerque – não viram, com a sua miopia e as suas modestas cabeças, nada de extraordinário. Pior, a sua curiosidade, no exacto momento em que passeavam pelo próprio acontecimento, esteve sempre limitada pelos discursos e raciocínios mais gastos:
O discurso dos ambientalistas (dos que dão mau nome ao ambiente): «...Mas a ribeira x ainda oferece perigo ...». E o presidente emendava a confusão de nomes de ribeiras e explicava. «... Mas as linhas de água ocupadas...» E o presidente explicava que sem regularização dos cursos a tragédia teria sido multiplicada. E lembrava que chovera em horas o que não chove num ano.
O discurso do tablóide: «E quantos mortos e quantos desaparecidos?» E a entrevista aos «populares»: «Como se sentiu?» «Teve medo?»
Restou-me sofrer com as perguntas que me ocorriam e não foram feitas:
Em que reunião, em que dia e a que hora, foi decidida a recuperação e limpeza do Funchal?
Quem estava presente?
Conte-me o episódio mais marcante dessa reunião.
Em resumo, diga-me as conclusões dessa reunião e quem ficou com que responsabilidades?
Qual foi o primeiro acto saído dessa reunião e qual foi a primeira coisa que fez a seguir a ela?
De onde vieram os 200 camiões e máquinas e as pessoas para esta operação?
Quem as pôs à disposição e qual é o custo?
Quantas pessoas e em que áreas estiveram e estão envolvidas na garantia de que todas as escolas da Madeira reabrem 2.ª feira?
Etc.
Mas talvez as perguntas sejam demasiado perigosas. Talvez as respostas permitissem ver melhor os contornos da competência na Madeira e da nossa própria continental incompetência. O senhor automobilista que amanhã, mais uma vez, está impedido de usar a CREL, talvez possa acrescentar alguma coisa."


É por ser assim que gostava de ver Alberto João Jardim como primeiro-ministro. Em apenas um mandato (não precisava ser re-eleito) punha "isto" nos eixos.

* máquina no sentido positivo. Não no sentido de "polvo", "sistema" e afins...

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Parafraseando - 76


"A mudança mais significativa na vida de uma pessoa é a mudança de atitude. Atitudes correctas produzem acções correctas."


Willian J. J.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Eu vou!


Vi ontem o desafio (por assim dizer) de Helena Sacadura Cabral, no Fio de Prumo, para ajudar a recuperar a Madeira da tragédia que se abateu por lá: "Por mim já decidi que tudo farei para ajudar os madeirenses. A primeira medida vai ser passar no Funchal metade das minhas férias."

Fica também aqui o apelo e o convite.

Hoje é mesmo isto!‏

"Ai, ai, então que desânimo é esse? Nada de baixar os braços nem deixe de fazer planos para o futuro! Nem pensar! Vamos canalizar bem essa energia e vai ver que consegue mais do que imagina. A confiança é quase tudo!" (Caranguejo, no SAPO)

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

PORDATA: a maior base de dados sobre os portugueses

"A maior base de dados estatísticos sobre Portugal, a PORDATA com acesso universal e gratuito, estará aberta a partir de hoje na Internet, resultado de uma iniciativa da Fundação Francisco Manuel dos Santos, presidida pelo investigador António Barreto. Disponível em www.pordata.pt, reúne estatísticas sobre "quase todos os capítulos da sociedade portuguesa", com dados relativos aos últimos 50 anos, fornecidos por mais de 30 entidades que produzem estatísticas certificadas.
Na PORDATA podem ser consultados valores diários e anuais, com destaque para os nascimentos e óbitos, o número de jornais em revistas em circulação e os valores da despesa pública com saúde e educação. Os dados não são estáticos, pelo contrário, têm actualização automática e em tempo real. Por exemplo, a cada jornal ou revista vendidos em Portugal, o número cresce, ou a cada utente atendido pelo SNS a despesa com saúde também aumenta.
No entanto, a PORDATA é mais do que uma grande base de dados, já que permite ao utilizador escolher e cruzar variáveis, criar os seus próprios quadros e gráficos "estáticos e dinâmicos", calcular taxas de variação e percentagens. Tudo, no máximo, em três cliques, segundo os responsáveis pelo projecto.
À semelhança do que se faz lá fora, agora os cidadãos portugueses podem, de forma rigorosa, “formar a sua opinião” e, logo, criar consciência da realidade social portuguesa. Isto, segundo o investigador, “contribui em larga escala para o desenvolvimento da sociedade, o reforço da cidadania e a melhoria das instituições públicas” (jornal I)

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Temporal na Madeira - 3

Ontem e hoje tenho ouvido alguns ambientalistas e especialistas em ordenamento do território da Madeira e fico perplexo.
As ribeiras do Funchal, para quem não conhece, têm profundidades e larguras à volta de 10 metros. Ou seja, suficientes para um caudal normal e volumoso.
Claro que há zonas em que os caudais das ribeiras têm sido "comidos" com construções várias, desde casas a estradas, passando por diverso equipamento público. Por exemplo, na minha zona, nos Maroços - Machico, há zonas em que a ribeira não tem mais de 1 metro (sim, 1 metro) de largura. Quando houver um temporal como o que se abateu sobre o Funchal neste fim-de-semana, nem quero pensar na tragédia que aí vem.
Mas na tragédia recente do Funchal é preciso ter presente o seguinte: em meia dúzia de horas choveu mais no Funchal do que a média de um mês! Gostava de saber qual a cidade que tem estrutura para resistir a uma coisa destas...
Alberto João Jardim tem razão quando disse que se não fosse a regularização das ribeiras, feita nos últimos anos, toda a baixa do Funchal tinha desaparecido.

Romances históricos


Alguém já leu algum dos romances históricos de Philippa Gregory?

Sinais de fumo

Comecei a ver a entrevista de José Sócrates, no novo programa de Miguel Sousa Tavares, Sinais de Fogo, na SIC, e às tantas cansei-me e desliguei.
Não há paciência para tanta embrulhada!
E o actual primeiro-ministro de Portugal não me convence rigorosamente nada. Não sei se será culpado ou inocente de todas as trapalhadas em que anda metido (alegadamente...). Facto é que não é credível naquilo que diz. Não convence. Não inspira confiança.
Num outro país, com mais cidadania, o senhor já tinha sido substituído. Pelo próprio partido.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Ajuda ao Funchal

A Cáritas Diocesana do Funchal agradece donativos.
Em géneros ou dinheiro
(ver NIB no site).




Poderá colaborar com:

- Alimentos
- Vestuário
- Mobiliário
- Electrodomésticos
- Material escolar

A diferença da igualdade

"No caso deste cartaz acresce que estamos a financiar uma mentira. A pergunta do cartaz é uma pura sugestão de falsidade e a resposta que sugere é pura e simplesmente falsa. “Se a tua mãe fosse lésbica, mudava alguma coisa?” Claro que mudava muita coisa, por boas e más razões, principalmente por más, mas reais. " (Abrupto)

E um comentário deixado no Corta-fitas sobre o assunto:
"Se a minha mãe fosse lésbica, mudava alguma coisa?
Sim! Para começar, provavelmente eu não tinha nascido"

Podem fazer tudo o que quiserem para terem "igualdade" (ainda me hão-de explicar como se torna igual algo que por natureza é diferente...), mas não atirem areia para os olhos nem façam de conta que as pessoas são parvas.

Temporal na Madeira - 2

Madeira - terra de aluviões: 1611, 1707, 1724, 1803 (em 9 de Outubro, deu origem , em Machico, ao "Senhor dos Milagres", e actual dia do concelho), 1815, 1956, 1979, 1993, 2001, 2010...

A maior catástrofe em 100 anos na Madeira e já vão em 40 mortos (Público). E falta chegar ao Curral das Freiras...

Fotogaleria do jornal Público aqui.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Ainda bem que é tudo normal neste país...

"Tentar alterar a linha editorial de órgãos de comunicação para não serem hostis ao Governo não é crime de atentado ao Estado de Direito. Este é o principal argumento usado pelo procurador-geral da República nos despachos que arquivaram o caso que envolve José Sócrates." (JN)

Aquecer a alma

É uma sorte dos diabos, com este frio, o aquecedor avariar-se logo agora!
A custo consigo encontrar o comprovativo da compra, com menos de 2 meses.
Vou à loja para fazer a reparação. Tempo de espera: 30 dias.
Que bom que daqui a um mês já chega a Primavera...
Bah!

Temporal na Madeira

Um temporal abateu-se sobre a Madeira. Funchal destruído. Outras zonas também bastante danificadas. Por várias vezes tento falar com familiares por lá, no Funchal e em Machico, mas sem sucesso. As ligações estão em baixo. Finalmente consigo falar com familiar no Funchal. Está bem, apesar da chuva. Habitação não está danificada. A baixa do Funchal é que está destruída e debaixo de água. De Machico consigo saber por interposto familiar. Tudo bem, apesar do temporal. No MSN, uma amiga confirma que nos Maroços está tudo controlado, apesar das enxurradas.

No que vou acompanhando na RTP-N, vejo muitas pessoas na rua, simplesmente movidas pela curiosidade, a ver a zona do Campo da Barca, por exemplo, e a tirar fotografias. Apesar dos avisos para as pessoas ficarem em casa, estes idiotas (sim, é este o nome) vão para ali. Põem a vida em risco e atrapalham a acção das autoridades.

Por outro lado, o Ministro da Administração Interna, Rui Pereira, espera uma aberta para seguir de Falcon para a Madeira, inteirar-se in loco do estado da situação. Irá acompanhado por responsáveis da protecção civil e engenheiros civis. José Sócrates também vai.
Pergunto-me: o que vão lá fazer? Nestas horas, ajuda de todos é necessária, sem dúvida. Mas acho que podiam inteirar-se da gravidade da situação a partir de Lisboa. E iam à região daqui a alguns dias, com o tempo melhor e com alguns trabalhos de recuperação já feitos. (Lembro-me que foi este ministro que fez uma reunião de emergência de madrugada, com a protecção civil, no dia do sismo. Serviu para quê? Para aparecer na televisão).
Tanto Sócrates como Rui Pereira já manifestaram a consternação e solidariedade com a situação na Madeira. É suficiente. A região tem governo próprio, e portanto este é o interlocutor para resolver a situação.

Entretanto a RTP-N avança já com 31 mortos. Jardim confirma 30.
Gostei de ver Jardim a fazer ponto de situação para a comunicação social. Ao trabalho.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Imagem sem palavras - 129

Jardim municipal, frente ao Teatro Baltazar Dias, no Funchal

O legado

No Jornal de Negócios de hoje, Fernando Sobral escreve:

"Sócrates transformou desconhecidos carreiristas políticos em gestores com barriga cheia. É esse o legado do Governo de Sócrates: nunca, como nestes anos, se tinha tornado o Estado uma prova de 110 metros sem barreiras para aqueles que seguem cegamente o chefe. Antigamente, a política era lealdade, afeição, respeito, memória. Com Sócrates criou-se o princípio de que a lealdade canina é mais importante que a qualidade pessoal. O resultado vê-se.
(...)
O amiguismo a nova ideologia política. De Sócrates não sobra uma ideologia de direita ou de esquerda: resta um clube de devoradores."

Imagem sem palavras - 128

"A partir da Estação Espacial Internacional, esta é a vista dos dois astronautas do vaivém espacial Endeavour que esta noite iniciaram a terceira e última saída orbital de uma missão para colocar os derradeiros módulos do satélite, confirmou a NASA ©NASA/AP" (SOL)

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Carnavais

Consta que é Carnaval. Consta que está um tempo que não convida à coisa.
O Carnaval só tem (tinha) uma coisa boa: as deliciosas malassadas (guloseima semelhante a sonhos, mas em bom, típica da Madeira). Regadas com mel de cana. Hummmm....
O Carnaval do Brasil mostra umas coisas interessantes. E é-me absolutamente indiferente se artificiais ou não.
Por isso quero ir ao Carnaval de Veneza. Um Carnaval realmente sofisticado.

A propósito dos carnavais por terras portuguesas, há este artigo, já com 6 anos, do Francisco José Viegas: "o fim do Carnaval lusitano". Sempre actual.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Canção de Madrugar



Gosto da música e deste poema de Ary dos Santos (sobretudo da interpretação em crescendo da parte final):

Canção de Madrugar

De linho te vesti
De nardos te enfeitei
Amor que nunca vi
Mas sei ...

Sei dos teus olhos acesos na noite
Sinais de bem despertar
Sei dos teus braços abertos a todos
Que morrem devagar ...

Sei meu amor inventado que um dia
Teu corpo pode acender
Uma fogueira de sol e de fúria
Que nos verá nascer

Irei beber em ti
O vinho que pisei
O fel do que sofri
E dei

Dei do meu corpo um chicote de força
Rasei meus olhos com água
Dei do meu sangue uma espada de raiva
E uma lança de mágoa

Dei do meu sonho uma corda de insónias
Cravei meus braços com setas
Descobri rosas alarguei cidades
E construí poetas

E nunca te encontrei
Na estrada do que fiz
Amor que não logrei
Mas quis

Sei meu amor inventado que um dia
Teu corpo há-de acender
Uma fogueira de sol e de fúria
Que nos verá nascer

Então:

Nem choros, nem medos, nem uivos, nem gritos,
Nem pedras, nem facas, nem fomes, nem secas,
Nem feras, nem ferros, nem farpas, nem farsas,
Nem forcas, nem cardos, nem dardos, nem guerras
Nem choros, nem medos, nem uivos, nem gritos,
Nem pedras, nem facas, nem fomes, nem secas,
Nem feras, nem ferros, nem farpas, nem farsas,
Nem mal ... ... ...

O refrão

“Há quem esteja para mudar, há quem esteja para romper, eu proponho unir” - José Pedro Aguiar Branco, candidato à liderança do PSD.

A cada vez que tem um microfone à frente, Aguiar Branco atira esta frase. Será que se vai tornar o refrão de uma canção pop?

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Mandela: a força serena


Há 20 anos, Mandela era libertado, após 27 anos como prisioneiro político.

Aproveito para recomendar Invictus, um grande filme sobre este histórico político sul-africano.

Parabéns a mim!!!

Então ninguém se lembra a tempo que o GONIO fez anos?!

No dia 9 de Fevereiro esta brincadeira fez 4 anos. Extraordinário!
O primeiro post foi sobre as caricaturas do profeta, em Fevereiro de 2006.
Tanta coisa ocorreu entretanto. Uma coisa permaneceu: o medo de ser livre. Coisas de sociedades ocidentais complexadas.

Aqui pelo blogue a mudança mais visível foi a abertura de uma nova área de interesse: coisas mais viradas para o desenvolvimento pessoal.
Entretanto... keep walking. And be happy.

Ainda bem que há um site/blogue que assinala estas datas festivas: aniversário de blogues.

Obrigado a TODOS os que por aqui passam, lêem, gostam, desgostam, comentam, permanecem anónimos...
E a todos os que ajudam a inspirar e a manter vivo este cantinho.

A metamorfose

A Google pegou no Gmail e transformou-o em Google Buzz. (Público)
De simples (!) mail passou a uma coisa estranha que junta redes sociais e afins.
Já andei por lá e confesso que não percebo a funcionalidade da coisa. Ao entrar estão sempre lá os textos de sempre. No Google Reader posso dá-los como lidos e desaparecem. E sei quais são as novidades. No Buzz não.

Quem quiser, que se maravilhe com a novidade. Eu não.

Também já tinha aderido ao Twitter, andei por lá uns dias e depois... não tem interesse.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Rangel: o murro na mesa

Paulo Rangel apresentou ao início da noite a sua candidatura à liderança do PSD.

«No quadro das circunstâncias excepcionais em que vive o país - e que se revelaram com uma intensidade perturbante nos últimos três meses - e, em particular, o agudizar da situação económico-financeira, o aprofundamento lancinante da crise social e a degradação que acelerada e insustentável do executivo - em face dessas circunstâncias excepcionalmente graves sinto o apelo moral e o dever cívico, sinto mesmo a responsabilidade nacional de apresentar a candidatura à presidência do PSD» (SOL)

Agora parece que também Aguiar Branco vai avançar. Faz mal, pois dividirá o campo de ambos (bastante semelhante) e facilitará a vida a Passos Coelho.

Se fosse militante do PSD, a minha escolha era clara: Paulo Rangel. Discurso forte, juventude, entusiasmo. E sem politicamente correctos.

Uma questão de fé...

A 31 de Julho de 1928, o Conselho de Ministros aprovou o primeiro Orçamento de Estado do ministro das Finanças Oliveira Salazar. Este falou ao povo: "Aconselhamos optimismo? Pessimismo? Apenas: fé!"

Fonte: revista Sábado nº 301 (4 a 10 Fevereiro 2010)

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Esta é a semana do abrandamento

"Queixamos-nos de que o tempo voa e passamos os dias a correr de um lado para o outro a um ritmo frenético. Mas fazemos alguma coisa para alterar a nossa vida?

Começa hoje a “Slow Down Week”. Veja o vídeo e decida que tipo de vida quer para si. Afinal, abrandar o rimto não é assim tão complicado… E mais do que uma estratégia, é uma filosofia de vida." (Gingko)

Cantinho do poeta - 62

Quem me quiser há-de saber as conchas
a cantigas dos búzios e do mar.
Quem me quiser há-de saber as ondas
e a verde tentação de naufragar.
Quem me quiser há-de saber as fontes,
a laranjeira em flor, a cor do feno,
à saudade lilás que há nos poentes,
o cheiro de maçãs que há no inverno.
Quem me quiser há-de saber a chuva
que põe colares de pérolas nos ombros
há-de saber os beijos e as uvas
há-de saber as asas e os pombos.
Quem me quiser há-de saber os medos
que passam nos abismos infinitos
a nudez clamorosa dos meus dedos
o salmo penitente dos meus gritos.
Quem me quiser há-de saber a espuma
em que sou turbilhão, subitamente
- Ou então não saber a coisa nenhuma
e embalar-me ao peito, simplesmente.

Rosa Lobato de Faria

Governo combate desemprego...

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Tudo pode dar certo

Mais um Woody Allen hilariante.
Vejam. Riam à gargalhada. Descubram que tudo acaba por dar certo.
O filme tem tiradas absolutamente geniais.
Boris Yelnikoff (Larry David) é uma personalidade completamente delirante, um génio da física, quase Nobel, que vive num mundo muito próprio. Esse mundo vai ser abalado quando Melody (Evan Rachel Wood) lhe aparece à porta à procura de um abrigo...
Esta é a nova diva do realizador: Evan Rachel Wood. Num papel parecido a um que Scarlett Johansson fez também com Allen, julgo que em Match Point.

Ler esta excelente crítica/análise do filme na Visão.

Quanto a umas classificações que vi por aí de "comédia romântica" sobre este filme... p'lomordeus!

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Eu vou!

Com ou sem ginjinha?

O aviso de Belém

"Há nervosismo a mais na AR e nos edifícios limítrofes" - Cavaco Silva, presidente da República.

Numas declarações que ouvi ontem na TV, o Presidente da República acalmou mais esta "bagunça" (e os senhores do rating) do que os "nervosismos" que houve esta semana para os lados de S. Bento.
A caminho de uma eventual recandidatura (que agora acredito cada vez mais possível), Cavaco assume-se como o grande referencial de estabilidade de Portugal.

Aparte: não consigo deixar de achar uma pitada de humor sádico à frase que faz capa do Expresso. Cavaco surpreende.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010



Blogosferando - 27


Sinais

Afinal não foi hoje.
A reunião de emergência entre Sócrates e Ferreira Leite deve ter segurado Teixeira dos Santos. Resta saber por quanto tempo.

O pântano versão II está em curso.

O que vem aí?!

Oposição aprova proposta do CDS para limitar dívidas, PS contra (Público)
A bolsa caiu hoje quase 5%.
Teixeira dos Santos vai fazer uma declaração às 20h.
Ferreira Leite chamada a São Bento para reunião com Sócrates (Público)

A minha leitura: Teixeira dos Santos demite-se hoje. Um dos melhores ministros do governo Sócrates, mesmo que não se concorde com ele.
A reunião de última hora entre Sócrates e Ferreira Leite só pode querer dizer uma de duas coisas: ou governo demite-se, ou vão tentar uma grande coligação.

É que a coisa está mesmo muito preta.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

O caso

A propósito do caso Mário Crespo, ler esta entrevista do próprio hoje no jornal I: "O primeiro-ministro a falar alto é intimidante"

"A paciência dos povos é a manjedoura dos tiranos" (E. Marchi)

Portugal... que futuro?

O PS queria publicar na internet os rendimentos dos cidadãos.
Um perfeito abuso. Nada a que - infelizmente - já não estejamos habituados.
Os protestos começaram a cair. À esquerda e à direita.
O líder da bancada parlamentar do PS, Francisco Assis, retirou a proposta.
Pelo que pude acompanhar (e posso ter percebido mal), até o Bloco de Esquerda, perseguidor de tudo o que tenha dinheiro, se opôs a esta medida idiota.

No mesmo dia em que isto acontece, Cavaco Silva reúne o Conselho de Estado, alegadamente para discutir a situação política nacional na sequência das eleições do ano passado. E, por tabela, a questão das finanças regionais da Madeira.

Entretanto, Joaquim Almunia, comissário europeu, lança o pânico nos mercados comparando as situações de Portugal, Espanha, Grécia e Itália. E temos que a bolsa portuguesa tem a maior queda a nível mundial e que o risco da dívida portuguesa dispara para valor recorde.

A juntar a tudo isto, anda no ar a hipótese de crise política, com o Governo a demitir-se.
Não votei neste governo, não gosto deste governo, mas vamos ser objectivos: se houvesse eleições antecipadas, o que ficava diferente? Mudaria a maioria? Haveria um governo reforçado? Não. Ficaria tudo rigorosamente na mesma. Com uma diferença: mais uns meses de país parado à espera de governo (que teria de fazer mais um orçamento, e mais carnaval associado).
Não, obrigado. O país não precisa disso. Governem e deixem-se de merdas. Resolvam os problemas que criaram.

Isto tudo junto lembra a maldição chinesa: que vivas tempos interessantes...

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Parafraseando - 74

"Cabe-nos cada vez mais dinamizar as pessoas para viverem a sua liberdade própria, para executarem o seu trabalho pessoal, para agirem concretamente na abolição das desigualdades. Para isso mais importante que a doutrinação, é levar as pessoas a pensarem, a criticarem, a discernirem"

Francisco Sá Carneiro

Mário Crespo: um caso político

Está aí na imprensa para quem quiser ler. Está no Instituto Francisco Sá Carneiro para quem quiser ler.
Depois de uma série de silenciamentos convenientes, é agora a vez de tentar calar o conhecido jornalista da SIC Notícias, Mário Crespo.
Este não se ficou. E apontou o dedo. E muito bem.
Portugal não pode viver assim. A democracia não é isto.

Transcrevo, integralmente, o artigo de Mário Crespo - que devia ter saído no JN de hoje - publicado no site do Instituto Sá Carneiro:

"Terça-feira dia 26 de Janeiro. Dia de Orçamento. O Primeiro-ministro José Sócrates, o Ministro de Estado Pedro Silva Pereira, o Ministro de Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão e um executivo de televisão encontraram-se à hora do almoço no restaurante de um hotel em Lisboa. Fui o epicentro da parte mais colérica de uma conversa claramente ouvida nas mesas em redor. Sem fazerem recato, fui publicamente referenciado como sendo mentalmente débil (“um louco”) a necessitar de (“ir para o manicómio”). Fui descrito como “um profissional impreparado”. Que injustiça. Eu, que dei aulas na Independente. A defunta alma mater de tanto saber em Portugal. Definiram-me como “um problema” que teria que ter “solução”. Houve, no restaurante, quem ficasse incomodado com a conversa e me tivesse feito chegar um registo. É fidedigno. Confirmei-o. Uma das minhas fontes para o aval da legitimidade do episódio comentou (por escrito): “(…) o PM tem qualidades e defeitos, entre os quais se inclui uma certa dificuldade para conviver com o jornalismo livre (…)”. É banal um jornalista cair no desagrado do poder. Há um grau de adversariedade que é essencial para fazer funcionar o sistema de colheita, retrato e análise da informação que circula num Estado. Sem essa dialéctica só há monólogos. Sem esse confronto só há Yes-Men cabeceando em redor de líderes do momento dizendo yes-coisas, seja qual for o absurdo que sejam chamados a validar. Sem contraditório os líderes ficam sem saber quem são, no meio das realidades construídas pelos bajuladores pagos. Isto é mau para qualquer sociedade. Em sociedades saudáveis os contraditórios são tidos em conta. Executivos saudáveis procuram-nos e distanciam-se dos executores acríticos venerandos e obrigados. Nas comunidades insalubres e nas lideranças decadentes os contraditórios são considerados ofensas, ultrajes e produtos de demência. Os críticos passam a ser “um problema” que exige “solução”. Portugal, com José Sócrates, Pedro Silva Pereira, Jorge Lacão e com o executivo de TV que os ouviu sem contraditar, tornou-se numa sociedade insalubre. Em 2010 o Primeiro-ministro já não tem tantos “problemas” nos media como tinha em 2009. O “problema” Manuela Moura Guedes desapareceu. O problema José Eduardo Moniz foi “solucionado”. O Jornal de Sexta da TVI passou a ser um jornal à sexta-feira e deixou de ser “um problema”. Foi-se o “problema” que era o Director do Público. Agora, que o “problema” Marcelo Rebelo de Sousa começou a ser resolvido na RTP, o Primeiro Ministro de Portugal, o Ministro de Estado e o Ministro dos Assuntos Parlamentares que tem a tutela da comunicação social abordam com um experiente executivo de TV, em dia de Orçamento, mais “um problema que tem que ser solucionado”. Eu. Que pervertido sentido de Estado. Que perigosa palhaçada.

Nota: Artigo originalmente redigido para ser publicacado hoje (1/2/2010) na imprensa."

Este espírito democrático já chegou também à quinta de Maria Filomena Mónica.

Este país anda muito mal frequentado.