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domingo, 21 de fevereiro de 2010

A diferença da igualdade

"No caso deste cartaz acresce que estamos a financiar uma mentira. A pergunta do cartaz é uma pura sugestão de falsidade e a resposta que sugere é pura e simplesmente falsa. “Se a tua mãe fosse lésbica, mudava alguma coisa?” Claro que mudava muita coisa, por boas e más razões, principalmente por más, mas reais. " (Abrupto)

E um comentário deixado no Corta-fitas sobre o assunto:
"Se a minha mãe fosse lésbica, mudava alguma coisa?
Sim! Para começar, provavelmente eu não tinha nascido"

Podem fazer tudo o que quiserem para terem "igualdade" (ainda me hão-de explicar como se torna igual algo que por natureza é diferente...), mas não atirem areia para os olhos nem façam de conta que as pessoas são parvas.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Isto é censura!

Quando o Ministério Público (MP), a pretexto de uma queixa de alguém, proíbe uma sátira ao Magalhães no Carnaval de Torres Vedras, isso tem um nome: CENSURA.
Entretanto, hoje o MP emendou a mão e autorizou a sátira que ontem tinha proibido.
Pergunto-me o que leva um tribunal, ainda para mais o Ministério Público, a tomar decisões deste calibre, tal é a idiotice e atentado à liberdade de expressão.
A propósito disto, e de outros episódios, vale a pena ler Medo e Ridículo, no ABC do PPM.


No mesmo dia destes lamentáveis episódios, o Ministro dos Assunto Parlamentares, Augusto Santos Silva, considerou «"inaceitável" que a promoção feita pela RTP1 à sua entrevista com Judite de Sousa tivesse em som as suas palavras "malhar na direita" e disse esperar um pedido de desculpas daquela televisão.»
Isto tem o mesmo nome: CENSURA.
Então o senhor pode dizer as coisas que diz e depois vir exigir um pedido de desculpas a outros por transmitirem (é disso que se trata) o que ele tinha dito?

Estes sinais são sintomáticos dos caminhos que a nossa sociedade começa a trilhar: censurar tudo em nome do politicamente correcto, ou porque não é do agrado do poder.
Convém estar atento e reagir. Por este caminho, um dia destes só podemos dizer o que seja do agrado de certos poderes.
Perigoso, muito perigoso.

Quando passam 4 anos sobre a conquista da maioria absoluta pelo PS, convém lembrar que muitos episódios destes, carregados de tiques autoritários, se têm repetido: foi um professor do norte que foi a tribunal por ter chamado não-sei-quê ao primeiro-ministro; foram as visitas das polícias a escolas e sindicatos para saber quem ia a manifestações de professores; são os dois episódios relatados acima; foi um bloguista ter ido parar a tribunal por ter revelado uma série de coisas sobre a licenciatura de Sócrates; são as medições de tempos de programas televisivos em nome da pluralidade; são as pressões sobre jornais (Público) devido a publicar episódios ligados à formação académica do primeiro-ministro; são as "embrulhadas" do caso Freeport...
É muita coisa!
E todas com um ponto em comum, e perigoso.
Resta esperar que das próximas eleições saia um antídoto para isto.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Clareza ideológica

John Howard, anterior primeiro-ministro da Austrália, deu uma entrevista de uma clareza que é capaz de assustar o politicamente correcto. Link aqui.

Disse coisas como isto (via Incontinentes Verbais):

"Os imigrantes não-australianos devem adaptar-se. É pegar ou largar! Estou cansado de saber que esta nação se inquieta ao 'ofendermos' certos indivíduos ou a sua cultura. Desde os ataques terroristas em Bali, assistimos a uma subida de patriotismo na maioria dos Australianos".


"Nós aceitaremos as vossas crenças sem fazer perguntas. Tudo o que vos pedimos é que aceitem as nossas e vivam em harmonia e em paz connosco. Este é o nosso país, a nossa terra e o nosso estilo de vida. E oferecemos-vos a oportunidade de aproveitar tudo isto. Mas se vocês têm muitas razões de queixa, se estão fartos da nossa bandeira, do nosso compromisso, das nossas crenças cristãs, ou do nosso estilo de vida, incentivo-os fortemente a tirarem partido de uma outra grande liberdade australiana: o direito de partir. Se não são felizes aqui, então partam. Não vos forçámos a vir para aqui. Vocês pediram para vir para cá. Então, aceitem o país que vos aceitou".

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Regular a vida

Na Irlanda do Norte foi apresentado um projecto-lei segundo o qual os maridos que não ajudamem casa podem ser processados.

Daqui a pouco tempo temos o Estado dentro de casa a decidir coisas como:

- de que lado deitar na cama;

- dispor a louça na pia, ou a roupa na máquina;

- arrumar sapatos;

- arrumar a escova de dentes;

- …

Todos agradecemos tamanha preocupação com os cidadãos, mas preocupem-se com coisas que digam de facto respeito ao Estado, e não com medidas cujo único objectivo é a intromissão na esfera de liberdade dos cidadãos. Por mais embrulhadas em politicamente correcto que seja.
Será que nos dias que correm as coisas só acontecem se forem reguladas, pondo de lado o mínimo de bom senso por parte das pessoas? Ou o bom senso tem de tem de ser imposto através da lei?

sábado, 15 de março de 2008

Piercing na liberdade

"PS quer proibir colocação de piercings na língua"

Admito que a lei tenha algum cabimento, sobretudo quanto à regulação ao nível da higiene dos locais onde se põem piercings e fazem tatuagens.

Já tenho dúvidas quanto à proibição destes apetrechos para menores de idade. E se houver autorização por parte dos pais? Claro que haverá sempre adolescentes a fintar as permissões dos pais, mas isso é um problema das famílias.

Já quanto à proibição de colocação de piercings na língua, é uma manifesta intromissão na esfera de liberdade de cada um por parte do Estado. Nos últimos tempos o Estado anda com perigosas tendências de se imiscuir no livre arbítrio dos cidadãos. Seja em nome do politicamente correcto, da saúde, ou seja em nome do que for.
É uma ideia vinda do positivismo, de regular tudo, de querer um mundo perfeito - seja isso lá o que for - e assim, em menos de nada, estamos na eugenia social.
É preciso travar esta voragem do Estado determinar tudo o que os cidadãos podem/devem ou não fazer. É um abuso!
Os senhores deputados não têm mais nada com que se preocupar?

A propósito desta ideia pelo bem-estar de todos nós, ler...
- no Corta-Fitas: "Eles querem tratar-nos da saúde!"
- no Cachimbo de Magritte: "E as unhas, senhor, posso cortar?"
- no Portugal do Pequeninos: "S de saudável"
- no Atlântico: "1984 - nós e os outros"
- no Insurgente: "Contra o piercing, marchar, marchar"

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

País adormecido

Pacheco Pereira será pessimista, velho do Restelo, o que quiserem, mas não deixa de ter razão:
"(...)
Os culpados são uns "velhos do Restelo", sem humor, uns pessimistas frustrados, que queriam ter uma gloriosa carreira pública, mas que não ganham eleições como o engenheiro Sócrates ou o dr. Lopes e vivem roídos por isso, uns intelectuais que só escrevem livros, o que, como se sabe, não é trabalho decente, e que nunca tiveram oportunidade de fazer festas, piscinas e centros de congressos com dinheiros públicos, deixando os municípios endividados por décadas, nem de darem computadores nas escolas, extorquidos por pouco subtis pressões às empresas que precisam do Plano Tecnológico e que também têm que pagar, como os empreiteiros obrigados a dar uma loja à câmara para fazer um edifício. Esses ressentidos subversivos que só sabem dizer mal sentem o mundo a cair à sua volta e não são capazes de ver o imenso mérito dos tempos modernos, quer do engenheiro tecnológico, quer dos modernizadores que querem partidos SA com cibercafés nas sedes, quer dos pensadores-engraçadistas que imitam os Gatos Fedorentos e o Inimigo Público e pululam nos blogues e nas televisões.
O que é que os "velhos do Restelo" têm que irrita particularmente?
Primeiro, poucas ilusões, o que não é propriamente um mérito, é mais para o lado da desgraça, mas não há volta a dar. Nisso, de facto, estão velhos e já viram tanta coisa que não se lhes pode pedir que pensem como o secretário de Estado que resolveu disciplinar os reformados dando-lhes 68 cêntimos por mês em nome da racionalidade dos gastos e da sua alta visão. Foi preciso um velho, que também não deve ter muitas ilusões, o ministro da pasta, para terminar com essa patetice em 24 horas, porque ele sabe o que é um reformado e o jovem imberbe não.
Depois, uma atitude, que hoje se considera cada vez mais bizarra e antiquada, face à liberdade. Prezam a liberdade de uma forma que só pode ser prezada por quem não a teve, e isso também não há volta a dar, só acaba com o túmulo. Nunca falarão de Salazar, da censura, da polícia, com a displicência yuppie dos nossos dias. Não têm "distância", embora o arranque da historiografia e da sociologia para fora das baías do antifascismo e do jacobinismo se lhes deva em parte, quando a academia permanecia gloriosamente dominada pelo PCP e pelos esquerdistas.
Aquilo que, na sua imensa ignorância, alguns consideram ser as ideias dos anos 60, o mal que Sarkozy e os seus imitadores querem extirpar, é uma noção individual da liberdade, um gosto pela vida autónoma, uma vontade de não depender de ninguém, uma desconfiança natural da autoridade presumida e arrogante, que sempre foi mais forte do que o invólucro radical desses mesmos anos. Por estranho que pareça, esta liberdade libertária tem continuidade na profunda convicção de que a revolução dos costumes desses anos, o que deles vai ficar, só é garantida pela riqueza, riqueza de dentro, a "cultura", esse termo tão abastardado, e riqueza de fora, posse das coisas, de bens, do tempo próprio.
Essa liberdade antiquada é vista quase como um atavismo, um resquício do pecado original inexpiável de terem sido comunistas, maoístas, esquerdistas, ou suspeitos anti-salazaristas e terem abandonado esses lugares do crime 20 anos antes do dr. Pina Moura, que, pelos vistos, o fez no tempo certo. O absurdo é ver ataques a António Barreto por ter sido comunista há 40 anos, ele que foi o alvo principal do PCP, junto com Soares, na questão da Reforma Agrária.
Não adianta sequer dizer à ignorância impante que, com excepção de meia dúzia de conservadores, poucos, aliás, a "luta final" que terminou em 1989 com a queda do Muro de Berlim, como escreveu Silone, foi mais entre comunistas e ex-comunistas. Os grandes textos simbólicos contra o comunismo, O Retorno da URSS, O Zero e o Infinito, o 1984 e O Triunfo dos Porcos, vieram de homens como Gide, Koestler e Orwell. Nos momentos mais duros da guerra fria, os ex-comunistas e os liberais mais radicais com quem se aliaram foram os únicos a travar o combate intelectual contra a hegemonia intelectual comunista. Revistas como o Encounter ficaram como exemplo dessa aliança em tempos bem mais difíceis do que os de hoje. E que, nos momentos decisivos do fim do império soviético, quando o expansionismo soviético conheceu o seu espasmo agressivo entre o Afeganistão e Angola, só ex-comunistas, como Mário Soares, e ex-maoístas lutaram contra a URSS, a favor de dissidentes soviéticos como Sakharov, em Portugal, em França com os "novos filósofos", mesmo nos EUA, onde muitos neocons vinham da esquerda radical americana.
Depois os "velhos do Restelo" são também antiquados por não gostarem muito da redução da política ao marketing, à publicidade e à substituição da decisão política pela parafernália da gestão da imagem, das sondagens e dos aconselhamentos pelas agências de comunicação. Tendem a ver a substituição dos órgãos políticos de decisão, eleitos e tendo que prestar contas, por gabinetes de assessores e agências de comunicação, por spin doctors e "marqueteiros", como uma degradação e uma opacidade. Não gostam dos homens de plástico que nos vendem hoje e do mundo de plástico que vem com eles. E isso gera um conflito de interesses com o crescente papel no mundo comunicacional dos profissionais da propaganda moderna e dos políticos que se moldam a esta realidade "comprando" a sua imagem.
Há muitas outras razões, como a de não serem fáceis de encaixar nas categorias a preto e branco das classificações esquerda-direita, uma perturbação para a ordem do mundo e dos regimentos em combate, mas o defeito maior está na sua independência feita de muitos "nãos" e pouco sensível à lisonja e aos consensos beatos em que vivemos, entre a "cultura", os negócios e a política. Por isso, se não estivessem por cá, tudo seria muito melhor, mais "moderno" e mais construtivo.
Para que não restassem dúvidas sobre a radicalidade das suas críticas (e preocupações), António Barreto e Vasco Pulido Valente repetiram-nas hoje de forma inequívoca:
Num caso e noutro, o referendo e o aeroporto, os governantes mentiram, desdisseram-se, negaram o que tinha afirmado, mudaram de opinião e de certezas, voltaram atrás, disseram que não tinham dito, não era bem assim, só queriam dizer que era isto e não aquilo... Neste exercício de garantir o que não é evidente para ninguém e de negar o que disse e prometeu, Sócrates foi absolutamente excelente. Revelou a convicção de um vendedor de persianas. Portou-se com a inocência de um escuteiro. Sócrates está convencido de que pode vender o que quiser a quem quer que seja. Basta ele falar, controlar a informação, negar a evidência, garantir as suas certezas e elogiar o produto!
Como os governantes não mudam de estilo nem de sistema, a não ser que a isso sejam forçados, já não vale a pena esperar pelos efeitos correctores desta semana nos seus comportamentos. Mas a população assistiu. Viu. Pôde tirar conclusões. Se, como os animais, os homens aprendessem com a experiência, esta semana teria sido gloriosa. Ficaria na história como um dos momentos altos de aprendizagem da arte de ser governado. Perder-se-ia rapidamente a confiança em Sócrates. Este Governo teria o desfavor público. A competência técnica, a seriedade e as promessas do Governo passariam a ser motivo de gargalhada e desprezo. Infelizmente, parece que os homens em geral e os portugueses em particular não são como os animais. Não aprendem. (Barreto)
Entretanto, o país cai, o pessimismo dos portugueses cresce e a economia está praticamente em coma. O ano de 2008 vai ser mau e, provavelmente, péssimo. O cidadão comum sabe que depende do preço do petróleo e do que suceder na América e em Espanha. A insegurança é grande. O que, em princípio, prejudicaria Sócrates. Mas não. Sócrates vive da insegurança. Cada vez que lhe chamam autoritário, cada vez que (justamente) o acusam de pôr em perigo a democracia e a liberdade, os portugueses, como de costume, agradecem a existência providencial de um polícia. Um polícia que manda e que proíbe; e que fala pouco. Não querem a barafunda por cima da miséria; e preferem a miséria à barafunda. Num mundo instável e confuso, Sócrates sossega. O resto é acessório. (Vasco Pulido Valente)"
Vale a pena ler as crónicas deste domingo de António Barreto e Vasco Pulido Valente no PÚBLICO.
Citando um célebre socialista, "há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não!"

domingo, 25 de novembro de 2007

Politicamente correcto

"Vivemos sobre um despotismo 'iluminado' que não aceita a irregularidade, a dissidência, o direito de cada um à sua própria vida e ao uso irrestrito da sua própria cabeça."

Vasco Pulido Valente, no PÚBLICO de 25-11-2007

terça-feira, 6 de novembro de 2007

As públicas virtudes

Miguel Sousa Tavares, esse cidadão que ou se ama ou se odeia, escreveu no Expresso desta semana um texto que pôs muitos pontos nos is. A ler, sob o título de "As públicas virtudes".
Escreve sobre o abandono de uma entrevista da CBS por parte de Sarkozy (que posteriormente terá dito "Fui eleito pelos franceses para resolver os seus problemas e não para me explicar sobre a minha vida privada" ) , e sobre o encerramento ao trânsito do Terreiro do Paço aos domingos.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

O czar Putin

Vladimir Putin esteve em Lisboa a propósito da Cimeira UE-Rússia.
E houve uns arautos da pureza em política a protestar contra as suas políticas na Rússia e em relação a territórios vizinhos, sejam o Kosovo ou o Irão.

Sobre politica interna russa, como é que se governa um país com aquela dimensão continental se não for com braço de ferro? A Rússia, que sozinha é bem maior que toda a Europa junta, não se governa com balelas e discursos da treta como se faz deste lado dos Urais.

Quanto à política externa, a Rússia sempre teve pretensões imperiais. É algo intrínseco à sua história e à sua dimensão territorial. Como qualquer Estado, não tem amigos, tem interesses. E quer preservá-los.

Pelas imagens que vi na televisão, Putin transborda confiança e força. E descontracção. E não é qualquer um que tira o casaco antes de entrar no carro, como ele fez ontem em Belém e hoje em Mafra. Na Europa, com um qualquer presidente ou primeiro-ministro, encheriam jornais com isso. Se tivessem a coragem desse à-vontade.

terça-feira, 8 de maio de 2007

Duplicidades

Pacheco Pereira, no Abrupto:
"Duplicidades: tivesse a extrema-direita em qualquer país europeu, ou em todos juntos, incendiado centenas de carros e provocado motins políticos anti-democráticos contra um resultado eleitoral, e havia um clamor gigantesco. Onde está sequer um pequeno clamor, um fiozinho de clamor, um esboço de indignação, uma pequena preocupação? Em lado nenhum. Repito o que já disse: o discurso do "políticamente correcto" não pode incorporar a violência da extrema-esquerda, mesmo quando ela é absolutamente evidente.
E de passagem, de novo a RTP: no noticiário das 13.00, Sarkozy que foi descansar para Malta, aparece como se tendo "refugiado" (sic) em Malta na sequência dos motins..."
E não é que é verdade...?

domingo, 1 de abril de 2007

Portugal: crise existencial

Pacheco Pereira escreve sobre as crises existenciais que abalaram o stablishment português, no Abrupto:
«Os eventos dos últimos dias revelaram a força de duas atitudes populares a que chamarei, por conveniência classificativa, a do "salazarismo difuso" e a do "politicamente correcto". Na realidade, embora pareçam distintas, elas são uma e a mesma atitude, com dois tempos históricos e genealogia diferentes, uma gerada à direita e outra à esquerda, mas ambas muito semelhantes nos seus efeitos sociais. A diferença entre um "salazarista difuso" e um "politicamente correcto" está no estilo e nos temas onde se exerce a sua acção, quase nada mais.

(…)

Quer o "salazarismo difuso", quer o "politicamente correcto" são atitudes contra a liberdade, contra aquilo que é vital numa democracia: um espaço público crítico, dividido, contraditório, competitivo e árduo, sem censura e sem os salamaleques a substituírem o falar livremente, de que tanta falta temos como abominamos. Sem esse espaço, a pasmaceira respeitosa, o sebastianismo preguiçoso, a boa consciência contente são os melhores ingredientes para a mediocridade a que infelizmente estamos tão habituados na nossa casinha portuguesa, pobre, mas honrada, onde não há racistas nem xenófobos e todos queremos o bem dos outros, a unidade, o consenso, em vez de andarem às turras uns com os outros sem cuidar do país. Ámen.»

sábado, 31 de março de 2007

Perdonite

Esta semana, Tony Blair pediu perdão pelo papel britânico na escravatura. Uma estupidez!
Tal como quando João Paulo II pediu perdão em 2000 pelos erros da Igreja ao longo da História.

Será que daqui a 200 ou 500 anos, os líderes políticos da altura irão pedir perdão por actualmente se usar o automóvel? ou os aviões? ou outra coisa qualquer que hoje é tão normal que nem damos pela sua existência?

Os valores (ou seja lá o que for) de há 200 anos incluía escravatura e tráfico de escravos a partir de África... Faz sentido pedir desculpa por um modo de vida? Por uma certa organização da sociedade que vigorou no passado? Eu acho que não!
O problema é só um: o Ocidente - nós! - interiorizou que a culpa do actual estado de miséria em que meio mundo (sobretudo África) vive é nossa. E os líderes desses países fazem questão de lembrar isso a toda a hora.
E se S. Exas ditadores africanos tivessem feito alguma coisa para desenvolver os seus países? É que guerras, corrupção, plutocracia e afins não ajudam muito...
Ainda bem que Mugabe e compagnons de route têm desenvolvido a Nigéria (por exemplo)...



«Tony Blair marca presença numa cerimónia que lembrou a abolição da escravatura no Reino Unido, a 25 de Março de 1807: «it is an opportunity for the United Kingdom to express our deep sorrow and regret for our nation's role in the slave trade and for the unbearable suffering, individually and collectively, it caused».

Não sou grande adepto deste tipo de pedidos de desculpa em retrospectiva. Para além do óbvio politicamente correcto, há neste exercício uma dose de anacronismo que não é despicienda.»